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Gerir a diabetes tipo 1 em crianças

Estilo de vida

Se o seu filho foi recentemente diagnosticado com diabetes, vai querer saber o que pode fazer para o ajudar a gerir a sua doença, apoiar o seu crescimento e garantir que vive uma vida feliz e plena.

Este guia abrange os principais aspetos que precisa de conhecer sobre a gestão da diabetes em crianças, tais como os sintomas da doença e o que fazer para prevenir complicações, como lidar com a escola, que medicação tomar e se deve fazer alterações no estilo de vida.

O que esperar se o seu filho tiver diabetes

A diabetes tipo 1 pode afetar as crianças de formas únicas.[3] Por exemplo, o metabolismo de uma criança pode ser afetado rapidamente, por isso o diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais.[1,2] Se não for tratada, as possíveis complicações da diabetes tipo 1 podem interferir na aprendizagem da criança e prejudicar o processamento de informação.[2]

Viver com diabetes tipo 1 durante a adolescência pode tornar um período já delicado ainda mais desafiante do ponto de vista emocional e psicológico.[2]

Pais, funcionários escolares e profissionais de saúde devem colaborar para ajudar os jovens a lidar com estes desafios.2] Com o apoio certo ao longo de todas as fases do seu desenvolvimento, o seu filho aprenderá gradualmente a gerir a sua condição com sucesso sozinho, transitando para uma vida independente e minimizando o risco de complicações.[1]

Aprender a gerir a diabetes tipo 1 em criança pode parecer assustador no início, mas a equipa de cuidados de saúde do seu filho está lá para o apoiar. Eles irão ajudá-lo a estabelecer planos de cuidados em casa e na escola, abrangendo aspetos-chave da gestão da diabetes do seu filho.[1,2]

Ao ensinar o seu filho a gerir a sua doença, pode ajudá-lo a ganhar independência à medida que cresce e melhorar a sua qualidade de vida.[1,3]

Sintomas da diabetes tipo 1 nas crianças

Nas crianças com diabetes tipo 1, os níveis de glicose no sangue são demasiado altos.[1] Isto pode causar os seguintes sintomas:[3]

  • Sentir sede a toda a hora
  • Urinar com muita frequência (especialmente à noite) ou molhar a cama
  • Perder peso

Crianças com diabetes tipo 1 também podem sentir:[3]

  • Falta de ar
  • Dor de barriga ou vómitos
  • Mal-estar geral

Para prevenir estes sintomas e outras complicações, as crianças com diabetes tipo 1 devem receber um diagnóstico e iniciar o tratamento o mais cedo possível.3 O tratamento poderá consistir em:[3]

  • Monitorização regular da glicose no sangue
  • Insulinoterapia
  • Aprender a gerir a doença através de mudanças no estilo de vida

Como pai/mãe, pode preocupar-se quando o seu filho é diagnosticado com diabetes; no entanto, com a terapia adequada, monitorização da glicemia e apoio, eles podem viver uma vida ativa e plena.

Terapia com insulina para crianças com diabetes

As crianças geralmente iniciam a terapia diária com insulina assim que recebem um diagnóstico de diabetes.[1,2]  Este tratamento pode ser uma combinação de:

  • Insulina de ação rápida e curta duração, que o seu filho tomará antes das refeições
  • Insulina de ação lenta e longa duração, que será administrada apenas uma vez por dia e é libertada lentamente ao longo de 24 horas

A equipa de cuidados de saúde do seu filho mostrar-lhe-á como calcular cada dose dependendo dos níveis de glicose no sangue e do estilo de vida.[1–3]

Uma dieta adequada para uma criança com diabetes tipo 1

Juntamente com o tratamento com insulina , as crianças com diabetes devem tentar fazer uma dieta equilibrada que as ajude a gerir a sua doença.[1]

Embora não exista uma "dieta especial" para crianças com diabetes, as suas refeições devem ser regulares, variadas e equilibradas.[1–3]

Uma dieta adequada deve incluir:[1,2]

  • Fruta
  • Legumes
  • Leguminosas
  • Cereais integrais
  • Produtos lácteos
  • Gorduras saturadas limitadas

Embora o seu filho ainda possa desfrutar de alguma comida de conveniência (com moderação!), certas coisas devem ser limitadas – em particular, alimentos ultraprocessados. Exemplos incluem bebidas açucaradas, chocolate, nuggets de frango, batatas fritas de pacote, batatas fritas e cereais de pequeno-almoço açucarados.[5]

O seu filho precisa de porções de comida adequadas para crescer e desenvolver-se para se tornar um adulto saudável; no entanto, o excesso de calorias pode levar ao aumento de peso, e a gestão do peso é importante na diabetes.[1]

Crianças e pais devem prestar atenção especial aos hidratos de carbono.[1–3] Saiba mais sobre a contagem de hidratos de carbono no nosso artigo.

Diabetes tipo 1 na escola

Além de informar os funcionários da escola, professores e enfermeiros sobre a diabetes do seu filho, pode ser útil informar os colegas de turma e os seus pais.[1–3 ]  Como o seu filho terá de ter a sua glicemia monitorizada regularmente enquanto estiver na escola, os funcionários precisam de estar cientes para que possam fazer quaisquer ajustes necessários.[1–3] É útil que todos no ambiente escolar estejam informados, para o caso de poderem ajudar numa emergência.[1]

Os funcionários da escola e os professores adaptar-se-ão às necessidades do seu filho ao:[6]

  • Apoiar na verificação dos níveis de glicemia
  • Supervisionar ou apoiar na administração de insulina
  • Reconhecer os sinais de aviso de hipoglicemias e fornecer acesso ao tratamento quando necessário
  • Contactar consigo sobre os lanches e supervisionar à hora do almoço, se necessário
  • Supervisionar as atividades físicas

O pessoal da escola também pode ajudar as crianças com diabetes com as suas doses de insulina , dependendo da sua idade e nível de independência.[1,3]

O estilo de vida das crianças com diabetes tipo 1

Para prevenir quaisquer potenciais complicações, como baixa glicose no sangue ( hipoglicemia ), o seu filho precisará de ajuda para:[1,2]

  • Ajustar a sua dose de insulina
  • Aumentar a sua ingestão de hidratos de carbono
  • Testar a sua glicemia antes, durante e após o exercício

O desporto e outras formas de exercício são essenciais, ajudando as crianças a manterem-se saudáveis e melhorando o bem-estar a longo prazo.[1]Portanto, além de gerir a sua dieta, as crianças com diabetes tipo 1 devem participar em atividade física regular.[1–3]

Como pai/mãe, pode ensinar o seu filho sobre como ele ainda se pode divertir enquanto cuida da sua saúde. Por exemplo, ele aprenderá que pode ir às festas de aniversário dos amigos da escola e desfrutar de doces e bolos com moderação.[1,4]

Como pai/mãe, também pode sentir níveis de stress mais elevados e preocupação com o bem-estar do seu filho quando ele sai com os amigos.[2,3]  Lembre-se de que a equipa de cuidados de saúde do seu filho pode ajudar com o impacto psicológico de ter um filho com diabetes, por isso não hesite em pedir apoio.[1,2]

Embora receber um diagnóstico de diabetes tipo 1 possa ser desafiante tanto para a criança como para a sua família, há coisas que os pais podem fazer para garantir que o seu filho gere a sua doença adequadamente e evita o risco de complicações.

Com a ajuda dos pais e da equipa de cuidados de saúde, as crianças com diabetes ganharão gradualmente independência e aprenderão a gerir a sua doença sozinhas.

Fontes:

  1. Chiang JL, Maahs DM, Garvey KC, et al. Type 1 diabetes in children and adolescents: a position statement by the American Diabetes Association. Diabetes Care. 2018;41(9):2026–44. https://doi.org/10.2337/dci18-0023
  2. Neu A, Bürger-Büsing J, Danne T, et al. Diagnosis, therapy and follow-up of diabetes mellitus in children and adolescents. Exp Clin Endocrinol Diabetes. 2019;127(S01):S39–S72. https://doi.org/10.1055/a-1018-8963
  3. Ziegler R, Neu A. Diabetes in childhood and adolescence. Dtsch Arztebl Int. 2018;115(9):146–56. https://doi.org/10.3238/arztebl.2018.0146
  4. Smart CE, Annan F, Higgins LA, Jelleryd E, Lopez M, Acerini CL. ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2018: Nutritional management in children and adolescents with diabetes. Pediatr Diabetes. 2018;19 Suppl 27:136–54. https://doi.org/10.1111/pedi.12738
  5. Diabetes and Nutrition Study Group (DNSG) of the European Association for the Study of Diabetes (EASD). Evidence-based European recommendations for the dietary management of diabetes. Diabetologia. 2023;66(6):965–85. https://doi.org/10.1007/s00125-023-05894-8
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Como explicar a diabetes tipo 1 a uma criança?

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Explicar uma doença nunca é fácil, mas explicar a diabetes tipo 1 a uma criança pode parecer complicado e assustador.

Como é que pode iniciar a discussão? Por onde começar? A diabetes é uma doença complexa e, muitas vezes, vagamente compreendida pelos adultos que nunca tiveram contacto com a mesma.

Independentemente do motivo pelo qual quer explicar a diabetes tipo 1 à sua criança, é muito bom que o faça, pelo que deixamos algumas sugestões sobre como o fazer.

Qual é o objetivo de explicar a diabetes tipo 1 à sua criança?

É frequente os pais sentirem dificuldade em abordar tópicos mais sensíveis com os seus filhos e, por recearem seguir o caminho errado, por vezes, preferem apenas evitar falar no assunto [2]. Por isso, antes de tentar compreender qual é a forma correta de abordar a questão, é importante compreender por que motivo uma discussão aberta e honesta é essencial.

Explicar a diabetes tipo 1 a uma criança tem dois objetivos: 

  • fornecer-lhe a informação que ela precisa
  • orientá-la no sentido de fazer a sua própria gestão da doença [3]

Embora muitas crianças tenham noção de que precisam de um tratamento, não compreendem perfeitamente os motivos para esse tratamento [4]. Mesmo quando chegam à adolescência, algumas crianças ainda sabem pouco sobre a sua doença porque o seu tratamento é, na maioria das vezes, assumido apenas pelos seus pais [5]. É por este motivo que não deve ter receio de explicar a diabetes tipo 1 a uma criança, desde cedo. Compreender a sua doença é fundamental para uma transição bem-sucedida da responsabilidade dos pais para as suas crianças e da sua capacidade para gerirem a sua doença. O conhecimento estimula o seu envolvimento, leva as crianças a assumirem o seu tratamento e transmite-lhes confiança [3,4,5].

Utilize uma linguagem simples, de fácil compreensão e positiva

Simplicidade é um aspeto elementar para uma boa explicação [6]. A informação que transmite deve ser adequada à idade, ao vocabulário e à compreensão que a criança tem do mundo [3,5,7].

Quando explicar a diabetes tipo 1 a uma criança, tente utilizar uma linguagem simples e evite qualquer tipo de jargão médico e palavras complexas.

Que palavras deve usar para descrever a diabetes a uma criança?

Para encorajar o seu interesse e envolvimento, use adjetivos positivos para descrever o tratamento como, por exemplo, “maravilhoso”, “fantástico”, “mágico” ou “especial”. Estas palavras podem ajudar a tornar certos tratamentos, tais como as injeções de insulina , muito menos alarmantes. É por isso que muitos dos materiais educativos sobre a diabetes tipo 1 para crianças recorrem a imagens de fantasia e descrevem os medicamentos e/ou os médicos como tendo poderes mágicos [3].

De forma a simplificar, considere usar analogias nas suas explicações, comparando o corpo humano com outras coisas mais fáceis de relacionar pela criança. Sem dúvida que a diabetes implica processos complexos e invisíveis, e pode ser difícil uma criança imaginar tudo isso [7].

Pode ilustrar as suas explicações com a ideia de um carro. Isto seria o equivalente ao corpo humano.

Explique à criança que um carro precisa de combustível para trabalhar, tal como o corpo precisa de açúcar para funcionar. Se o carro tiver uma avaria, já não pode usar o combustível. Acontece o mesmo nas pessoas com diabetes, que já não podem usar o açúcar como combustível porque o seu pâncreas não está a funcionar corretamente.

Tente manter a conversa ligeira, mas sempre honesta

Acha que pode evitar sensações de aflição e ansiedade na criança ao ocultar determinada informação? Embora as suas intenções sejam as melhores, terá provavelmente o efeito oposto ao esperado e isso vai resultar numa sensação de inquietação porque a criança sente que não conhece bem a doença [3,8].

As crianças que vivem com diabetes devem ter total noção do risco das complicações, porque a ignorância sobre a sua doença pode impedir que sejam rigorosas em relação ao seu tratamento [3]. Se elas compreenderem os processos fundamentais envolvidos na doença, estarão mais recetivas a fazer as alterações necessárias [7].

Disponibilize informação que explique claramente a causa e o efeito

As crianças são curiosas por natureza. Estão sempre a fazer perguntas durante as suas conversas com os adultos porque querem compreender ativamente o que se passa [8,9,10].

Quando se trata da diabetes tipo 1, independentemente de a criança ser afetada de forma direta ou indireta pela doença, ela vai fazer perguntas, e é fundamental disponibilizar informação consistente e lógica. De facto, diversos estudos revelam que as crianças estão conscientes da qualidade das explicações que recebem [8,9]:

  • a partir dos 4 anos, conseguem detetar informação ilógica e inconsistente e não se deixam enganar por uma resposta que, na realidade, não responde à sua pergunta [8]
  • com 5 anos, dão mais importância à informação lógica e consistente [8]
  • a partir dos 6 anos, preferem explicações que ofereçam informação nova [8].

As crianças preferem explicações de causa e efeito [9,10] e, se a resposta apresentada não for satisfatória, insistem na pergunta uma e outra vez até ficarem esclarecidas [10].

Que tipo de respostas deve evitar?

Evite respostas fechadas como “Não sei” ou “porque sim” [10]. As suas respostas precisam de ser explicativas, por isso, não hesite em partilhar o seu conhecimento e dedique tempo a debater o assunto de forma aprofundada [6].

As explicações causais são muito vantajosas para as crianças. Além de facilitar a sua reflexão, também faz com que elas queiram saber mais. Será mais fácil recordarem-se dessa informação, pelo que será mais provável que utilizem o seu novo conhecimento [6,7,8,9,10].

Recorra a imagens, livros e suportes digitais

Livros, imagens, livros de colorir, aplicações… Existem muitos materiais educativos divertidos e terapêuticos disponíveis para ajudar a explicar a diabetes tipo 1 às crianças. Concebidos para serem apelativos e criarem impacto, podem apresentar explicações e encorajar a autogestão da doença [3,4].

Os meios visuais ajudam, especialmente, na compreensão de ideias mais complexas [3]. Escolha imagens com cores vivas, porque chamam a atenção das crianças mais jovens e promovem o seu envolvimento [3,5].

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Os livros são outra excelente forma de explicar um assunto, deixar as crianças a pensar e iniciar conversas sobre as suas preocupações [2]. A leitura é uma parte muito importante da infância. Permite que as crianças abordem algumas das complexidades da vida num ambiente seguro: a identificação com personagens e situações fictícias serve de preparação para lidarem com assuntos sensíveis. Os livros também ajudam a que se sintam menos sozinhas, porque compreendem que as suas experiências também podem ser partilhadas por outros [2].

Se interromperem com uma pergunta ou comentário, ouça de forma paciente e apresente as respostas que forem necessárias até ficarem satisfeitas. Também pode fazer-lhes perguntas, para que relacionem mais facilmente as suas próprias experiências de vida com as das personagens no livro [2].

Recorra à brincadeira e ao faz de conta

Tal como os livros, a brincadeira ajuda a iniciar a interação com a criança [1]. Pode explicar a diabetes de uma forma engraçada, ao contar uma história com fantoches, peluches ou bonecas [1]. Não hesite em integrar diferentes brinquedos/personagens e identifique-os com nomes curtos e fáceis de recordar (Zé, Chico, Lili...) para que as crianças se identifiquem com elas mais facilmente [3].

Em contexto de doença ou hospitalização, as atividades com brincadeiras não só ajudam as crianças a desenvolver o seu conhecimento sobre a diabetes tipo 1, como também permitem compreender as necessidades de tratamento para evitar futuras complicações [1,4].

Vários estudos demonstraram que as crianças veem as agulhas como sendo dolorosas e assustadoras. Se forem sujeitas a procedimentos médicos desagradáveis sem compreenderem os motivos para essas ações, os níveis de medo e ansiedade vão aumentar [11]. As histórias ajudam a reduzir o stress, medo e dor nas crianças [1], porque se familiarizam com a situação e compreendem o que lhes está a acontecer [11]. Contar histórias através de uma brincadeira pode ser muito importante, especialmente quando tem a responsabilidade de lhes administrar o tratamento, como as injeções de insulina . Ao compreenderem a sua importância, as crianças ficam mais recetivas a aceitar um tratamento potencialmente doloroso ou perturbador e aceitam a sua integração na sua rotina diária [1,4].

Fontes

  1. Jeanine Porto Brondani, Eva Neri Rubim Pedro. The use of children’s stories in nursing care for the child: an integrative review. Rev Bras Enferm. 2019; 72(suppl 3):333-342. doi: 10.1590/0034-7167-2018-0456
  2. Marina N F Arruda-Colli, Meaghann S Weaver, Lori Wiener. Communication About Dying, Death, and Bereavement: A Systematic Review of Children’s Literature. J Palliat Med. 2017; 20(5):548-559. doi: 10.1089/jpm.2016.0494.
  3. Noyes JP, Lowes L, Whitaker R, et al. Developing and evaluating a child-centred intervention for diabetes medicine management using mixed methods and a multicentre randomised controlled trial. Southampton (UK): NIHR Journals Library; 2014 (Health Services and Delivery Research, No. 2.8.) Chapter 2, Comparison of diabetes clinical guidelines with children’s diabetes information, and critical discourse analysis of selected children’s diabetes information.
  4. Léia Alves Kaneto, Elaine Buchhorn Cintra Damião, Maria de La Ó Ramallo Verissimo, Lisabelle Mariano Rossato, Aurea Tamami Minagawa Toriyama, Regina Szylit. Educational Workshop using games improves self-monitoring of blood glucose among children. Rev Lat Am Enfermagem. 2018; 26:e3039. doi: 10.1590/1518-8345.2400.3039
  5. Nina A Zeltner, Mendy M Welsink-Karssies, Markus A Landolt, Dominique Bosshard-Bullinger, Fabia Keller, Annet M Bosch, Marike Groenendijk, Sarah C Grünert, Daniela Karall, Beatrix Rettenbacher, Sabine Scholl-Bürgi, Matthias R Baumgartner, Martina Huemer. Reducing complexity: explaining inborn errors of metabolism and their treatment to children and adolescents. Orphanet J Rare Dis. 2019; 14(1):248. doi: 10.1186/s13023-019-1236-9.
  6. Caren M Walker, Elizabeth Bonawitz, Tania Lombrozo. Effects of explaining on children's preference for simpler hypotheses. Psychon Bull Rev. 2017; 24(5):1538-1547. doi: 10.3758/s13423-016-1144-0.
  7. Carol K Sigelman, Sara E Glaser. Characterizing Children’s Intuitive Theories of Disease: The Case of Flu. Cogn Dev. 2019; 52:100809. doi: 10.1016/j.cogdev.2019.100809.
  8. Candice M Mills, Judith H Danovitch, Sydney P Rowles, Ian L Campbell. Children’s success at detecting circular explanations and their interest in future learning. Psychon Bull Rev. 2017; 24(5):1465-1477. doi: 10.3758/s13423-016-1195-2.
  9. Brandy N Frazier, Susan A Gelman, Henry M Wellman. Young Children Prefer and Remember Satisfying Explanations. J Cogn Dev. 2016; 17(5):718-736. doi: 10.1080/15248372.2015.1098649.
  10. Brandy N Frazier, Susan A Gelman, Henry M Wellman. Preschoolers' Search for Explanatory Information Within Adult- Child Conversation. Child Dev. 2009; 80(6):1592-611. doi: 10.1111/j.1467-8624.2009.01356.x.
  11. Katarina Karlsson, Kathleen Galvin, Laura Darcy. Medical procedures in children using a conceptual framework that keeps a focus on human dimensions of care – a discussion paper. Int J Qual Stud Health Well-being. 2019; 14(1):1675354. doi: 10.1080/17482631.2019.1675354.
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Quais são os diferentes tipos de diabetes?

Já todos ouvimos falar da diabetes, no entanto, as pessoas nem sempre sabem que existem diferentes tipos de diabetes. Apesar de os diferentes tipos de diabetes partilharem o mesmo sintoma de hiperglicemia crónica (uma concentração anormalmente elevada de glicose no sangue), o mesmo não acontece quanto às suas origens e ao tratamento [1,2]. Para compreender melhor cada um deles, vejamos rapidamente como se caracterizam os diferentes tipos de diabetes.

Diabetes tipo 1

Embora possa surgir em qualquer idade, a diabetes tipo 1 afeta entre 5% e 10% das pessoas com diabetes, e ocorre geralmente durante a infância e adolescência [1,3].

É uma doença autoimune em que, por razões ainda desconhecidas, o sistema imunitário do organismo começa a produzir anticorpos que destroem, de forma parcial ou total, as células pancreáticas especializadas na produção de insulina , uma hormona cuja função é regular os níveis de glicose no sangue [1,2,3]. Desta forma, o corpo deixa de produzir insulina , ou não a produz em quantidade suficiente [1].

Ao contrário dos outros tipos de diabetes, as pessoas com diabetes tipo 1 precisam apenas de doses regulares de insulina para gerirem os seus níveis de glicose no sangue [1,3].

Diabetes tipo 2

A diabetes tipo 2 é a mais comum entre os 3 tipos diferentes de diabetes. Afeta 90% a 95% das pessoas com diabetes e, geralmente, desenvolve-se durante a idade adulta [1].

Na diabetes tipo 2 , o organismo desenvolve uma certa resistência à insulina , e o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para compensar esta situação [1,3]. O que causa esta resistência à insulina ? Esta resistência resulta de uma combinação de fatores genéticos e comportamentais. Alguém com um histórico de diabetes na família tem mais propensão a desenvolver diabetes tipo 2 e, ao contrário da diabetes tipo 1, a diabetes tipo 2 pode resultar de um estilo de vida sedentário e de uma dieta desequilibrada [1,2]

Tal como acontece com a diabetes tipo 1, viver com diabetes tipo 2 não impede de desfrutar de uma vida plena e satisfatória! Adotar um estilo de vida saudável, que conjugue bons hábitos alimentares com atividade física, contribui para manter os níveis de açúcar no sangue estáveis e equilibrados [1,2]. Se estes hábitos não forem suficientes para manter os níveis de açúcar no sangue dentro dos valores normais, poderá ser prescrito um tratamento com base em medicamentos antidiabéticos e/ou insulina [1].

Diabetes gestacional

Quando surgem os primeiros sintomas da hiperglicemia crónica, ou quando esta é detetada, durante a gravidez, esta é denominada diabetes gestacional [1,2,4]. Geralmente, a diabetes gestacional desaparece após o parto, mas as mulheres que desenvolvem esta doença durante a gravidez têm uma maior probabilidade de ter diabetes tipo 2 no futuro [2,4].

De acordo com a estimativa da IDF (Federação Internacional de Diabetes), esta afeta aproximadamente 13% das futuras mães em todo o mundo [5]. O tratamento inclui uma monitorização regular da glicemia, terapêutica nutricional e 30 minutos de atividade física moderada, cinco vezes por semana [4]. Em quase todos os casos, estas precauções ajudam a controlar os níveis de açúcar no sangue [4].

Cada tipo de diabetes tem as suas características específicas, contudo todos têm um aspeto em comum: nenhum deles impede que possa desfrutar de uma vida feliz e ativa!

Fontes

  1. A. Petersmann et al. Definition, Classification and Diagnosis of Diabetes Mellitus. Exp Clin Endocrinol Diabetes 2019; 127(Suppl 1): S1–S7. doi: 10.1055/a-1018-9078
  2. F. Xie et al. Precision medicine in diabetes prevention, classification and mDefinition, Classification and Diagnosis of Diabetes Mellitus Management. J Diabetes Investig 2018; 9: 998–1015. doi: 10.1111/jdi.12830
  3. JS Skyler et al. Differentiation of Diabetes by Pathophysiology, Natural History, and Prognosis. Diabetes 2017; 66(2): 241-255. doi: 10.2337/db16-0806
  4. E.D Szmuilowicz et al. Gestational Diabetes Mellitus. Endocrinol Metab Clin North Am. 2019; 48(3): 479–493. doi:10.1016/j.ecl.2019.05.001.
  5. International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas, 9th ed.
  6. EM Alfadhli. Gestational Diabetes mellitus. Saudi Med J 2015; 36(4):399-406. doi: 10.15537/smj.2015.4.10307.
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Tatuagens e diabetes: posso fazer uma tatuagem?

Tatto

Historicamente associadas aos marinheiros, gangsters e inconformados, as tatuagens passaram a estar na moda e já não é invulgar querer fazer uma tatuagem [1]. Se tem diabetes, o desejo de fazer uma tatuagem pode suscitar várias dúvidas. A diabetes e as tatuagens são compatíveis? Deve ter em atenção algumas precauções especiais?

 

Realizar uma tatuagem com diabetes: é possível e totalmente seguro

Está a pensar seriamente em fazer uma tatuagem, mas ainda não se atreveu a avançar? Não se preocupe. À medida que o seu desejo de fazer uma tatuagem aumenta, poderá começar a pensar sobre várias situações. Será doloroso? Será que o resultado estará de acordo com as minhas expectativas? Será que me vou arrepender?

Se tem diabetes, também poderá estar a pensar se pode mesmo fazer uma tatuagem. A resposta é sim! Não tem qualquer motivo para se preocupar. A diabetes não impede que faça uma tatuagem [1,2]. Quer tenha diabetes tipo 1 ou tipo 2, pode fazer uma tatuagem sem qualquer problema [1,2]!

 

Algumas precauções

Escolha do artista tatuador

É perfeitamente seguro fazer uma tatuagem, desde que realizada num estabelecimento aprovado que respeite as regras essenciais de higiene [3,4]. Quando escolher o tatuador, será aconselhável verificar se o estúdio de tatuagem é higienizado e se utiliza equipamento esterilizado [2].

 

Comente com o tatuador que tem diabetes

Considere informar o seu médico ou outros profissionais de saúde de que pretende fazer uma tatuagem [1,2,3,4,5]. Assim, poderão verificar os seus níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) e confirmar que os seus níveis de glicemia são suficientemente estáveis [1,5] para garantir uma cicatrização adequada [5]. Além disso, não se esqueça de informar o seu tatuador sobre a sua diabetes [1,2,5].

 

Tatto

O desenho fica ao seu critério

Cada tatuagem tem a sua própria “história”. Para alguns, é puramente decorativa, enquanto para outros, permite-lhes expressar o seu individualismo ou o seu sentimento de pertença a uma comunidade [1,2].

Nos últimos anos, popularizou-se um outro tipo de tatuagem: a tatuagem de “alerta médico” [1,2,5,6]. Especificamente no contexto da diabetes, geralmente, implica tatuar “diabético tipo 1” ou “diabético tipo 2” para informar os profissionais de saúde do seu perfil médico em caso de emergência [1,2,3,4,5,6].

 

Áreas da pele a evitar

No que toca ao local onde tatuar, a decisão é sua. Contudo, se tem diabetes, poderá ser-lhe aconselhado evitar fazer a tatuagem em determinadas partes da pele, tal como nos pés e parte inferior das pernas (canelas ou tornozelos) porque são zonas com menor fluxo sanguíneo, que podem demorar mais tempo a cicatrizar [1,5,6]. Também não é recomendável fazer uma tatuagem na zona onde injeta insulina , como abdómen, ancas, nádegas ou braços, [3] porque é preferível que a área não tenha danos prévios na pele [1,2].

 

Cuidados e cicatrização

Assim que terminar a tatuagem, o seu tatuador irá aconselhar sobre os cuidados a adotar, o que fazer e não fazer, bem como os produtos que deve usar [1]. As recomendações gerais são as seguintes:

  • lavar com sabão antissético ou de pH neutro;
  • aplicar hidratante 3 ou 4 vezes por dia até a área ficar totalmente cicatrizada [1].

Geralmente, uma tatuagem demora cerca de uma semana a cicatrizar completamente [1].

Se fizer a sua tatuagem quando o nível de diabetes estiver estável, optar por uma área da pele sem lesões e seguir meticulosamente todas as recomendações para os cuidados posteriores, a sua tatuagem de sonho pode transformar-se numa realidade e corresponder às suas expectativas [1,3,5]!

 

Fontes

  1. J. Serup J., Kluger N., Bäumler W. Tattooed Skin and Health. Current Problems in Dermatology. Vol 48. Karger Publishers. 2015.
  2. Kluger N, De Cuyper C. A Practical Guide About Tattooing in Patients with Chronic Skin Disorders and Other Medical Conditions. Am J Clin Dermatol. 2018; 19(2):167-180. doi: 10.1007/s40257-017-0326-5.
  3. Chadwick S, Shah M. Tattoos: ancient body art may assist in medical emergencies. Eur J Pediatr. 2013; 172(7):995. doi: 10.1007/s00431-013-1971-1.
  4. Kluger N, Aldasouqi S. The motivations and benefits of medical alert tattoos in patients with diabetes. Endocr Pract. 2013; 19(2):373-6. doi: 10.4158/EP12215.CO.
  5. Glassy CM, Glassy MS, Aldasouqi S. Tattooing: medical uses and problems. Cleve Clin J Med. 2012; 79(11):761-70. doi: 10.3949/ccjm.79a.12016.
  6. Barwa J, Rani A, Singh R. Art of Tattooing: Medical Applications, Complications, Ethical and Legal Aspects. International Journal of Medical Toxicology and Forensic Medicine. 2016; 6(3): 156-63.
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Diabetes tipo 1 e exercício físico

exercício

O exercício físico regular tem várias vantagens para a saúde das pessoas com diabetes tipo 1 [1,2]

Contudo, a atividade física implica potenciais riscos de saúde para as pessoas com diabetes [2], que devem ser tidos em consideração. A boa notícia é que pode tomar precauções para reduzir estes riscos [2]

Este artigo aborda recomendações de exercício físico para pessoas com diabetes tipo 1 e apresenta algumas sugestões para aproveitar ao máximo o seu treino.

As vantagens do exercício físico para a diabetes

A atividade física é tão importante para as pessoas com diabetes tipo 1 como para a população geral [3].

O exercício físico regular apresenta várias vantagens para a saúde das pessoas com diabetes tipo 1 [1,2]. Vários estudos indicam: 

  • Melhor capacidade cardiovascular [1,2,3]
  • Melhoria da composição corporal [1]
  • Melhor qualidade de vida reportada pelo próprio [1]
  • Melhor sensibilidade à insulina [2,3] e uma menor necessidade de insulina [1]
  • Menos complicações resultantes da diabetes e com menor gravidade [1]
  • Músculos mais fortes [2,3]
  • Melhoria dos níveis de triglicéridos e colesterol (LDL) [3]
  • Redução da circunferência da cintura e menor massa corporal [3]
  • Melhoria dos níveis de HbA1c [3]
  • Diminuição da mortalidade [4]

É recomendado que as crianças e os adultos com diabetes tipo 1 realizem exercício físico regular [3].

 

Como é que o exercício físico pode afetar os níveis de glicemia

Numa pessoa sem diabetes, os níveis de glicemia são mantidos num nível relativamente estável durante várias horas de exercício físico sem comer [1]

Se a ingestão de hidratos de carbono ou das doses de insulina não forem ajustadas de forma adequada, o exercício físico pode aumentar o risco de hipoglicemia ( níveis de glicemia baixos) e hiperglicemia ( níveis de glicemia altos) nas pessoas com diabetes tipo 1 [1,2,4].

De uma forma geral, o exercício físico pode ser dividido em dois tipos principais, aeróbico e anaeróbico. A subida ou a descida dos níveis de glicemia dependerá do tipo de exercício praticado [5]

Assim, embora a prática de exercício físico seja benéfica para as pessoas com diabetes tipo 1, é necessário tomar algumas precauções para evitar o risco de hipoglicemia e hiperglicemia [2,3,4]

Contudo, cada pessoa com diabetes tipo 1 é diferente e o exercício físico pode afetar a variabilidade da glicemia de cada pessoa de forma diferente [3]

Antes de iniciar a prática de qualquer exercício físico, fale com a sua equipa de cuidados de saúde sobre as atividades que podem ser mais adequadas para o seu caso [6]. O seu profissional de saúde terá em consideração quaisquer variabilidades antes de recomendar o tipo de exercício e a duração mais adequada para o seu caso [3].

 

Exercício aeróbico

Exercício aeróbico

O exercício aeróbico implica o movimento repetitivo e contínuo de um grande número de músculos [2]. Este tipo de exercício tende a ter uma maior duração, mas com menor intensidade [5]

As atividades aeróbicas típicas incluem [1,2,4]:

  • Natação
  • Jogging ou corrida
  • Ciclismo
  • Caminhar
  • Caminhada rápida
  • Aeróbica
  • Dança

Durante o exercício aeróbico, os níveis de glicemia podem baixar drasticamente nas pessoas com diabetes tipo 1 [1,5]

 

Exercício anaeróbico

Exercício anaeróbico

O exercício anaeróbico é geralmente mais curto ou mais rápido, mas com maior intensidade [5]. Este tipo de exercício implica exercícios curtos e repetitivos, com pesos, máquinas de pesos, bandas de resistência, ou usar o próprio peso do corpo para desenvolver força [4,5]. Este tipo de exercício tende a ter uma menor duração, mas com maior intensidade [5]

As atividades anaeróbicas típicas incluem [1,5]:

  • Elevação de peso/exercício de resistência
  • Corrida de velocidade
  • Boxe 
  • Hóquei no gelo 
  • Treino intervalado de alta intensidade (HIIT)

Durante estes exercícios, os níveis de glicemia podem aumentar nas pessoas com diabetes tipo 1 [5].

 

Recomendações de exercício

É recomendável que as pessoas com diabetes tentem minimizar o tempo de sedentarismo (o tempo em que a pessoa está sentada ou deitada) e praticar regularmente exercício aeróbico e anaeróbico [3].

A maioria dos adultos com diabetes tipo 1 deve praticar todas as semanas, pelo menos, 150 minutos de exercício aeróbico moderado a vigoroso, distribuídos, no mínimo, por três dias com não mais de dois dias de descanso [3]

A Associação Americana de Diabetes (ADA) também recomenda 2 a 3 sessões de exercícios de resistência por semana, em dias não consecutivos, para este grupo [3]

As recomendações (e precauções) variam consoante os fatores individuais, por isso é melhor falar com a sua equipa de cuidados de saúde da diabetes sobre a adaptação de exercícios ou do plano de atividade física às suas necessidades individuais [2].

 

Hipoglicemia e exercício físico: precauções e sugestões

exercício

O exercício físico pode causar hipoglicemia se a sua dose de insulina ou consumo de hidratos de carbono não for devidamente corrigido [3,4]. As pessoas com diabetes tipo 1 referem que o risco de hipoglicemia é a maior barreira que as impede de praticar exercício físico [1]

A atividade física e as recomendações de exercício devem ser adaptadas às necessidades individuais das pessoas com diabetes tipo 1 [2]

Com base em vários estudos e orientações, as seguintes sugestões e estratégias podem ajudar a evitar a hipoglicemia induzida pelo exercício físico nas pessoas com diabetes tipo 1:

  • Verifique os seus níveis de glicemia antes de realizar exercício físico [6]
  • Também pode aumentar os seus níveis de glicemia com a ingestão de mais hidratos de carbono imediatamente antes, durante e logo após o exercício físico [1,4]. O aumento de hidratos de carbono que deve ingerir também depende se os seus níveis de insulina podem baixar durante o exercício físico, a hora do dia em que treina, o seu peso e a intensidade/duração da atividade que está a praticar [2,3,4].
  • A introdução de determinados exercícios de aceleração rápida e intermitente com exercícios curtos de alta intensidade no exercício aeróbico, assim como treino de resistência devem ser considerados no treino físico programado [1]
  • Tenha em atenção que praticar exercício físico ao final do dia ou à noite pode aumentar o risco de hipoglicemia noturna em pessoas com diabetes tipo 1 [4]

 

A sua equipa de cuidados de saúde poderá explicar-lhe os passos necessários para se preparar para a realização de exercício físico minimizando o risco de uma hipoglicemia [6]

Hiperglicemia e exercício físico: minimizar os riscos

Em alguns casos, a atividade física intensa pode levar a um aumento repentino dos níveis de glicemia , sobretudo se estes forem elevados antes da prática de exercício físico [3,4]. Entre os vários exercícios intensos e breves, incluem-se a corrida de velocidade, o treino de resistência ou o treino intervalado de alta intensidade [4]

Se os seus níveis de glicemia forem superiores a 13,9 mmol/l (250 mg/dl), primeiro faça o teste de cetonas [2]

As cetonas são substâncias produzidas quando o seu corpo transforma a gordura em energia [6]. A presença de cetonas na sua urina indica que não existe insulina suficiente no seu corpo para manter os níveis normais de glicemia [6]. Não deverá realizar qualquer atividade física se registar níveis de cetona elevados [2]. Fazer exercício físico quando tem níveis elevados de cetonas cria o risco de cetoacidose , uma complicação grave da diabetes que requer tratamento imediato [6].

 

A importância de testar regularmente a glicemia

A sua resposta às estratégias indicadas anteriormente pode depender de características individuais como a idade ou o sexo [1]. Além disso, existem muitos fatores físicos, psicológicos e até emocionais que podem influenciar a resposta da pessoa ao exercício físico [1].

Por todos estes motivos é importante testar os seus níveis de glicemia antes, durante e após o exercício físico (ou usar o sistema de monitorização contínua da glicose ) para avaliar como os diferentes tipos de exercício afetam os seus níveis de glicemia [1].

É recomendada a prática de exercício físico para preservar a saúde de pessoas com diabetes tipo 1 [1,2,3]

Contudo, existem riscos que precisa de ter em consideração, bem como tudo o que pode fazer para evitar esses riscos [2,3,6]. Cada pessoa com diabetes tipo 1 é diferente [2]. Antes de começar a praticar exercício, fale com o seu profissional de saúde para saber qual o exercício mais adequado para si [6]

 

Fontes

  1. Jane E. Yardley, Ronald J. Sigal; Exercise Strategies for Hypoglycemia Prevention in Individuals With Type 1 Diabetes. Diabetes Spectr 2015; 28 (1): 32–38. https://doi.org/10.2337/diaspect.28.1.32
  2. Sheri R. Colberg, Ronald J. Sigal, Jane E. Yardley, Michael C. Riddell, David W. Dunstan, Paddy C. Dempsey, Edward S. Horton, Kristin Castorino, Deborah F. Tate; Physical Activity/Exercise and Diabetes: A Position Statement of the American Diabetes Association. Diabetes Care 2016; 39 (11): 2065–2079. https://doi.org/10.2337/dc16-1728
  3. American Diabetes Association; 5. Lifestyle Management: Standards of Medical Care in Diabetes. Diabetes Care 2019; 42 (Supplement_1): S46–S60. https://doi.org/10.2337/dc19-S005
  4. Ronald J. Sigal MD et al. Diabetes Canada Clinical Practice Guidelines Expert Committee. Diabetes Canada 2018 Clinical Practice Guidelines for the Prevention and Management of Diabetes in Canada: Physical activity and diabetes, Can J Diabetes. 2018; 42(Suppl 1): S54-S63. https://doi.org/10.1016/j.jcjd.2017.10.008
  5. JDRF, Different Types of Exercise and How They Affect Type 1 Diabetes. Acedido em: junho 2022. Disponível em: https://www.jdrf.org/t1d-resources/living-with-t1d/exercise/exercise-impact/
  6. Centers for Disease Control and Prevention, Get active! Acedido em: junho 2022. Disponível em: https://www.cdc.gov/diabetes/managing/active.html
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Vegetais e diabetes: existem alguns mais recomendados e outros a evitar?

Vegetais

São ricos em fibras, minerais, vitaminas, antioxidantes e apresentam um baixo teor de gorduras…Os legumes, incluindo as leguminosas, apresentam efeitos positivos para a saúde [1,2,3]. De facto, a maioria das autoridades de saúde recomendam que as pessoas com diabetes, à semelhança da população em geral, incluam vegetais na sua dieta diária [1,2,3,4]. Quais são os benefícios dos vegetais e quais são os mais indicados para aproveitar todas as suas propriedades? Continue a ler para ficar a saber tudo.

Comer vegetais para ajudar a prevenir e a tratar a diabetes tipo 2

Vários estudos clínicos revelaram que uma dieta com uma elevada proporção de alimentos de base vegetal (vegetais, mas também fruta, cereais integrais, legumes, frutos secos e sementes) reduz o risco de desenvolver diabetes tipo 2 [1,2]. Os estudos também revelam que uma dieta assente sobretudo em alimentos de base vegetal pode ajudar a:

  • reduzir a quantidade de medicamentos [1];
  • reduzir os níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) [1,2];
  • otimizar a gestão da glicemia [1,2];
  • reduzir os níveis de colesterol [1,2];
  • prevenir e a tratar determinadas complicações cardíacas e renais [1,2];
  • perder peso [1,2].

Fazer a transição para uma dieta assente em alimentos de base vegetal implica limitar as quantidades de produtos animais, alimentos processados e alimentos refinados e, sobretudo, comer mais vegetais de todos os tipos e cores [1,2]:

  • hortaliças de folha ou vegetais crucíferos (brócolos, espinafres, couve, nabo, etc.);
  • vegetais vermelhos e laranja (tomates, cenouras, pimentos vermelhos, abóbora, etc.);
  • tubérculos e outros vegetais (cebolas, saladas, feijão-verde, etc.);
  • leguminosas (lentilhas, grãos-de-bico, feijões secos, etc.) [1,3].

A maioria das orientações nutricionais aconselham incluir na alimentação diferentes tipos de vegetais, de preferência, frescos e integrais, todos os dias, a cada refeição [3,4].

 

Diabetes: existem alguns vegetais que devem ser ingeridos com moderação?

Embora a maioria dos vegetais tenham um índice glicémico baixo (IG), alguns apresentem um teor de hidratos de carbono mais elevado, o que resulta num maior aumento dos níveis de glicemia [2,4,5]. Este é o caso, por exemplo, de:

  • vegetais ricos em amido, como as batatas;
  • batata-doce;
  • milho [3,4,5].

Conforme demonstram os estudos, a preferência por alimentos com um baixo índice glicémico pode ajudar a manter os níveis de glicemia adequados, pelo que se tiver diabetes, é aconselhável ingerir apenas quantidades moderadas destes vegetais [4].

 

Fontes

  1. McMacken and S. Shah. A plant-based diet for the prevention and treatment of type 2 diabetes. J Geriatr Cardiol. 14(5): 342–354 ; mai 2017 ; doi: 10.11909/j.issn.1671-5411.2017.05.009.
  2. R.Polak, E.M Phillips and A.Campbell. Legumes: Health Benefits and Culinary Approaches to Increase Intake. Clinical Diabetes 33(4): 198-205 : octobre 2015 ; doi : 10,2337/diaclin.33.4.198.
  3. Joanne L Slavin, Beate Lloyd. Health benefits of fruits and vegetables. Adv Nutr. 2012 Jul 1;3(4):506-16. doi: 10.3945/an.112.002154.
  4. Alison Gray, Rebecca J Threlkeld, Kenneth R Feingold , Bradley Anawalt, Alison Boyce, George Chrousos, Wouter W de Herder, Kathleen Dungan, Ashley Grossman, Jerome M Hershman, Hans J Hofland, Gregory Kaltsas, Christian Koch, Peter Kopp , Márta Korbonits , Robert McLachlan, John E Morley , Maria New, Jonathan Purnell, Frederick Singer, Constantine A Stratakis , Dace L Trence , Don P Wilson, editors. Nutritional Recommendations for Individuals with Diabetes. In: Endotext [Internet]. South Dartmouth (MA): MDText.com, Inc.; 2000–. 2019 Oct 13. PMID: 25905243. Bookshelf ID: NBK279012.
  5. FS Atkinson, K Foster-Powell and J.C Brand-Miller. International Tables of Glycemic Index and Glycemic Load Values: 2008, Diabetes Care. 2008 Dec; 31(12): 2281–2283 ; doi: 10.2337/dc08-1239.
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Diabetes e Ramadão: gerir os níveis de glicemia durante o jejum

Diabetes e Ramadão: gerir os níveis de glicemia durante o jejum

Diabetes e Ramadão: gerir os níveis de glicemia durante o jejum

Em todo o mundo, existem entre 40 e 50 milhões de pessoas com diabetes que jejuam durante o Ramadão, o 9º mês do calendário islâmico [1,2]. Jejuar entre o nascer e o pôr do sol pode aumentar o risco de hipoglicemia e hiperglicemia [2]. Leia algumas das nossas sugestões para gerir a diabetes durante o jejum.

 

Ajuste o seu tratamento numa consulta com o seu médico

É aconselhável entrar em contacto com o seu profissional de saúde e comunicar-lhe a sua intenção de jejuar. Assim, terá uma opinião profissional sobre os riscos relacionados com o jejuar para o seu caso específico. De acordo com o seu historial clínico, poderá não ser aconselhado jejuar e receberá informação sobre as possíveis consequências e a melhor forma de as evitar. 

É possível respeitar o mês sagrado e, ao mesmo tempo, gerir a sua diabetes. O profissional de saúde poderá ajudar na adaptação da sua dieta, atividade física e tratamento de acordo com as condições especiais do Ramadão [1,2,3]. As recomendações fornecidas pelo seu profissional de saúde serão adaptadas à sua diabetes e ao seu perfil clínico [2].

 

Diabetes tipo 1

Se tem diabetes tipo 1, é muito provável que lhe sugiram a alteração do horário e das doses administradas, bem como o tipo de insulina , para gerir melhor os seus níveis de glicemia enquanto jejua. Recomenda-se que preste especial atenção ao aumento da frequência de testagem dos níveis de glicemia [2,3].

Diabetes tipo 2

Se tem diabetes tipo 2 , provavelmente ser-lhe-á aconselhado, por um lado, distribuir a sua ingestão de calorias por três refeições ao longo dos intervalos sem jejum para dividir as quantidades de alimentos em porções mais pequenas e limitar os episódios de hiperglicemia e, por outro lado, ajustar a duração e intensidade da atividade física durante o dia para limitar os riscos de hipoglicemia [2].

Ramadan

Um período especial que precisa de cuidados especiais

Durante o Ramadão, recomenda-se que aumente a frequência do controlo dos níveis de glicemia [1,2], especialmente se tiver diabetes tipo 1 ou tipo 2 com um tratamento à base de insulina [2]. Também poderá ser vantajoso verificar os seus níveis de glicemia com maior regularidade e sempre que sentir sintomas de hipoglicemia ou hiperglicemia [4]. Além disso, é aconselhável interromper o jejum em caso de hipoglicemia .

Durante o Ramadão, não é recomendável a prática de atividade física intensa, porque acresce o risco de períodos de hipoglicemia [1,2]

Realiza orações Tarawih ao final do dia?

Sabia que as orações Tarawih ao final do dia (múltiplas orações após a refeição do pôr do sol) podem ser consideradas uma atividade física? É uma boa ideia integrá-las no seu programa de exercício diário [1,2]!

A sua dieta durante o jejum

O Ramadão é um momento para passar tempo com a família e os amigos e comer pratos tradicionais, por isso deixamos algumas sugestões alimentares para que possa desfrutar em pleno destes momentos, enquanto gere a sua diabetes:

  • considere distribuir a sua ingestão de alimentos por duas ou três pequenas refeições para limitar a hiperglicemia [1,2];
  • tente manter uma ingestão de alimentos equilibrada durante o mês do Ramadão, limitando o consumo de grandes quantidades de doces e alimentos gordos [1,2];  
  • inclua pequenas quantidades de açúcares simples (por exemplo, algumas tâmaras) na sua refeição iftar do final do dia e opte por hidratos de carbono mais complexos na sua refeição suhoor antes do amanhecer [1,2,3];
  • considere alimentos ricos em fibra (cereais integrais, arroz integral, fruta e vegetais) para as refeições iftar e suhoor [1];
  • faça as suas refeições suhoor antes do amanhecer o mais tarde possível [2].

Sendo um dos cinco pilares do Islão, o Ramadão é um período importante para todos os muçulmanos. Contacte o seu profissional de saúde e ajuste o seu tratamento para viver este período sagrado de forma confortável.

 

Fontes

  1. A. Badshah. Management of diabetes in Ramadan. J Ayub Med Coll Abbottabad 2018; 30(4), 596-602. PMID: 30632345.
  2. M. Al-Arouj et al. Recommendations for Management of Diabetes During Ramadan. Diabetes Care 2005; 28(9): 2305-2311. doi: 10.2337/diacare.28.9.2305.
  3. M. H. Ahmed, Diabetes and Ramadan: A concise and practical update. J Family Med Prim Care. 2017; 6(1):11–18; doi: 10.4103/2249-4863.214964.
  4. M. Hassanein et al. Diabetes and Ramadan: Practical guidelines. Diabetes Research and clinical practices 2017; 126: 303-316. doi: 10.1016/j.diabres.2017.03.003.
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Posso comer chocolate tendo diabetes?

Posso comer chocolate tendo diabetes?

O chocolate é o seu prazer secreto? Então temos boas notícias para si: o chocolate e a diabetes são perfeitamente compatíveis! Na verdade, o chocolate, especialmente se apresentar uma elevada percentagem de cacau, pode ser benéfico para a sua saúde [1,2,3].

O chocolate está longe de ser um alimento banido da dieta das pessoas com diabetes!

O cacau tem um valor nutricional muito interessante, sendo rico em fitonutrientes, especialmente flavonoides, conhecidos pelas suas propriedades antioxidantes, e minerais tais como o magnésio, fósforo e ferro. Sendo o cacau o principal ingrediente do chocolate, pode ser perfeitamente incluído na sua dieta [1,2]

Agora que já sossegámos os mais gulosos, vamos analisar mais atentamente os diferentes tipos de chocolate.

 

Existe algum tipo de chocolate mais indicado para quem tem diabetes?

A resposta é não! Porém, a qualidade do chocolate pode ser muito diferente. É a concentração de cacau que determina a sua qualidade. 

Quanto maior for a percentagem de cacau no chocolate, menor será a quantidade de açúcar. O chocolate negro com 70% de cacau apresenta o índice glicémico mais baixo (22), seguido do chocolate de leite (45), e o que apresenta o índice mais elevado é o chocolate branco (45-60).

O chocolate negro contém mais cacau, por isso apresenta mais flavonoides do que o chocolate de leite e o chocolate branco, sendo uma boa escolha [4]. Os flavonoides são conhecidos pelo seu impacto positivo na sensibilidade à insulina [1,2,4], e também podem melhorar o equilíbrio dos níveis da glicemia ao permitir uma maior lentidão na absorção intestinal e na digestão dos hidratos de carbono [1]. Para aproveitar todas estas vantagens para a sua saúde, considere adicionar, ocasionalmente, chocolate negro à sua dieta, seja derretido, em pó, ou na forma de barra de chocolate.

 

Chocolate negro e diabetes

Rico em magnésio, ferro e vitamina E, o chocolate negro é considerado um alimento saudável. Os seus flavonoides funcionam como agentes antidiabéticos, especialmente para as pessoas com diabetes tipo 2 [1,2]. Alguns estudos científicos demonstraram os efeitos positivos do cacau e do chocolate negro na resistência à insulina , porque ajudam a reduzir o stress oxidativo, a baixar a pressão arterial e a otimizar o metabolismo da glicose [2,3,5].

De acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), é possível beneficiar de todas as vantagens dos flavonoides com o consumo de 200 mg por dia. É o equivalente a 40 gramas de qualquer chocolate com mais de 70% de cacau [2,4].

 

Girls and chocolate

Chocolate branco, chocolate de leite e diabetes

Mais ricos em açúcar e gordura, mas com menor teor de cacau, o chocolate branco e o chocolate de leite não oferecem os mesmos benefícios para a saúde do chocolate negro [1].

O chocolate de leite contém manteiga de cacau, açúcar, leite em pó, lecitina e menos de 25% de cacau. Além disso, o chocolate de leite está associado a efeitos de saúde indesejados devido ao seu elevado teor de açúcar [1]. O chocolate branco também contém manteiga de cacau, leite e açúcar, mas não contém matéria seca de cacau [1]

A maioria dos produtos de chocolate comercializados, confeitaria, barras de chocolate, pastas, etc., apresentam um elevado teor de açúcar e calorias, por isso se recomenda o seu consumo ocasional [2,4].

Em resumo, para grande alívio dos amantes do chocolate com diabetes, não é preciso eliminar o chocolate da sua dieta! Para aproveitar todos os efeitos positivos do chocolate, será importante escolher bem o tipo de chocolate e consumir com moderação. Um consumo exagerado pode levar ao aumento de peso e desequilibrar o controlo glicémico [1].

Fontes

  1. M.T Montagna et al. Chocolate, Food of the Gods: History, Science, and Human Health. International Journal of Environmental Research and Public health 2019; 16(24):4960. doi: 10.3390/ijerph16244960.
  2. S.Ramos et al. Effects of Cocoa Antioxidants in Type 2 Diabetes Mellitus. Antioxidants 2017; 6(4):84. doi: 10.3390/antiox6040084.
  3. S. Raza Shah et al., Use of dark chocolate for diabetic patients: a review of the literature and current evidence. J Community Hosp Intern Med Perspect. 2017; 7(4): 218-221. doi: 10.1080/20009666.2017.1361293.
  4. J.Morze et al. Chocolate and risk of chronic disease: a systematic review and dose response meta-analysis. European Journal of Nutrition 2020; 59:389–397. doi: 10.1007/s00394-019-01914-9.
  5. A. Rostami et al. High-cocoa polyphenol-rich chocolate improves blood pressure in patients with diabetes and hypertension. ARYA Atheroscler 2015; 11(1):21-9. PMID: 26089927.
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O que é o Making Diabetes Easier?

O Making Diabetes Easier é uma marca comum ao grupo Air Liquide Healthcare. A VitalAire engloba a atividade da diabetes em Portugal, tendo assim como objetivo facilitar e ajudar no cuidado da diabetes