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Se recebeu um diagnóstico recente de diabetes é provável que tenha muitas perguntas. Entre elas, poderá querer saber como equilibrar as suas doses de insulina de acordo com os alimentos que ingere, para manter os níveis de glicemia dentro dos intervalos normais.
Uma boa gestão da sua nutrição é um dos fatores determinantes no tratamento da diabetes [1,2]. Uma das formas de fazer isso é através da contagem de hidratos de carbono. Este artigo explica o que é a contagem de hidratos de carbono, como funciona e como pode ser usada para ajudar a gerir a sua diabetes.
Os diferentes componentes nutricionais na sua dieta podem ser divididos em grupos alimentares [3]. Estes grupos dividem-se em [3]:
Os hidratos de carbono encontram-se em alguns destes alimentos em diferentes quantidades. Existem três tipos principais de hidratos de carbono [4]:
Os açúcares e os amidos nos seus alimentos são ambos digeridos e podem aumentar os seus níveis de glicemia [4]. As fibras não são digeridas, pelo que não têm qualquer influência no seu nível de glicemia [4].
A contagem de hidratos de carbono é uma abordagem ao planeamento de refeições que se centra nos hidratos de carbono como o principal nutriente que afeta os níveis de glicemia [1].
A contagem de hidratos de carbono pode ajudar a gerir os seus níveis de glicemia e, se tomar insulina , pode ajudar a indicar a quantidade de insulina que deve tomar para manter os seus níveis de glicemia dentro do intervalo normal após as refeições [3].
Existem muitos métodos diferentes de contagem de hidratos de carbono [1], por isso, pode conhecer outra pessoa com diabetes que adote um método ligeiramente diferente.
A quantidade de hidratos de carbono que deve ser ingerida por dia varia de pessoa para pessoa [4]. Não existe uma resposta “universal” [4].
A quantidade de hidratos de carbono de que necessita na sua dieta depende de vários fatores, incluindo a sua idade, peso, nível de atividade, entre outros fatores [4].
A sua equipa de cuidados de saúde poderá ajudar a criar uma dieta equilibrada e saudável adaptada às suas necessidades.
Em média, as pessoas com diabetes devem tentar obter cerca de metade das suas calorias diárias através dos hidratos de carbono [4]. Isto significa que se comer 1800 calorias por dia, cerca de 800 a 900 calorias (200 a 225 gramas) da sua alimentação deve ser composta por hidratos de carbono [4].
Na diabetes, é muito importante conseguir manter os níveis de glicemia adequados. Os níveis de glicemia elevados, tanto após as refeições como regularmente, estão relacionados com o risco de complicações a longo prazo da diabetes [5].
Um estudo com crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 comprova que as pessoas que usam o método de contagem de hidratos de carbono, para ajustar a sua dose de insulina , têm um melhor controlo dos níveis de glicemia a longo prazo [2].
A contagem dos hidratos de carbono pode ajudar a [4]:
A contagem de hidratos de carbono também permite às pessoas com diabetes comer uma maior variedade de alimentos e, ao mesmo tempo, controlar o seu nível de glicemia [2].
A contagem de hidratos de carbono é um processo de aprendizagem constante. À medida que vai conhecendo melhor a sua diabetes e o seu organismo, o nível de precisão que pode usar na contagem de hidratos de carbono vai aumentar.
De uma forma geral, existem três níveis de conhecimento na contagem de hidratos de carbono para a diabetes tipo 1 [1]:
Para a sua refeição, vai calcular a quantidade de hidratos de carbono que contém usando, geralmente, porções de 15 g [1]. O número de porções de 15 g permite-lhe saber qual a dose de insulina de ação rápida que deve autoadministrar [1].
A dose varia de pessoa para pessoa [1] e a sua equipa de cuidados de saúde vai trabalhar consigo para decidir qual é a dose adequada para si.
Embora a contagem de hidratos de carbono seja um método bem estabelecido para equilibrar a ingestão de alimentos e as doses de insulina na diabetes tipo 1 [1], existe muito menos investigação na sua aplicação para a diabetes tipo 2 [5].
Algumas pessoas, não todas, com diabetes tipo 2 podem usar a insulina para ajudar a gerir o seu nível de glicemia [5].
Um dos poucos estudos realizados com a diabetes tipo 2 concluiu que a contagem de hidratos de carbono era tão eficaz como utilizar um algoritmo simples para calcular as doses de insulina [5].
Se tem diabetes tipo 2 e toma insulina , fale com a sua equipa de cuidados de saúde para saber se a contagem de hidratos de carbono pode ser uma forma útil de calcular a sua dosagem de insulina .
Ao início, contabilizar o teor de hidratos de carbono dos seus alimentos pode parecer complicado, mas com o passar do tempo vai perceber que, especialmente para as suas comidas preferidas, vai ficando cada vez mais fácil.
O objetivo da contagem de hidratos de carbono é determinar a quantidade de hidratos de carbono que a sua refeição contém em gramas [3].
Se estiver a comer comida pré-preparada, a quantidade de hidratos de carbono estará listada no rótulo de ingredientes alimentares [3,4]. Se estiver a preparar a sua própria comida, então terá de aprender a estimar o número de hidratos de carbono nos ingredientes usados [3,4].
Existem vários métodos que podem ajudar a calcular o teor de hidratos de carbono, incluindo o método do prato, usar uma listagem de alimentos e aplicações de contagem de hidratos de carbono [3,4].
Além disso, existem programas educativos, tais como o DAFNE (abreviatura em inglês para “ajuste de doses para uma alimentação normal”), que podem ajudar a gerir a sua nutrição na diabetes e a contar os hidratos de carbono [6].
O DAFNE é um curso completo para adultos (mais de 17 anos) que ajuda as pessoas com diabetes tipo 1 a ter uma vida tão normal quanto possível, enquanto mantêm os níveis de glicemia dentro dos limites saudáveis, para reduzir o risco de complicações da diabetes a longo prazo [6].
Gerir a sua nutrição na diabetes é muito importante [1]. Em especial, isso inclui a contagem de hidratos de carbono. A consistência na quantidade e origem da ingestão de hidratos de carbono diária está associada a uma melhor gestão da glicemia nas pessoas com diabetes tipo 1 [1].
Existem diversas formas de contabilizar os hidratos de carbono, incluindo aplicações, o método do prato ou a estimativa da ingestão de hidratos de carbono [1].
Embora a quantidade de hidratos de carbono de que necessita seja diferente da de outras pessoas com diabetes [4], a contagem de hidratos de carbono pode ajudar a saber a quantidade de insulina que terá de tomar [3] e poderá ajustar a sua dose de acordo com a quantidade que está a comer [1]. Isto vai ajudar a manter a sua glicemia dentro dos valores normais após uma refeição [1].
A sua equipa de cuidados de saúde poderá ajudar a decidir se a contagem de hidratos de carbono é adequada para si e ensinar-lhe a integrar este hábito na sua vida diária para continuar a ser uma pessoa saudável e ativa.
As mulheres com diabetes podem amamentar, independentemente do tipo de diabetes (gestacional, tipo 1 ou tipo 2) [1,2,3,4,5,6,7].
As mães com insulinoterapia só precisam de se certificar de que as suas doses de insulina estão corretamente ajustadas, para que o primeiro fluxo de leite seja produzido assim que o bebé nasce [1,4,6], de modo a poderem amamentar em segurança.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que os recém-nascidos sejam alimentados exclusivamente com leite materno durante os primeiros seis meses [2,4,5]. Numerosos estudos demonstram os benefícios da amamentação, tanto para a saúde da mãe como da criança [1,2,3,4].
Se tem diabetes, a composição do seu leite permanece idêntica à de uma mãe sem diabetes, com o mesmo nível de lactose, o principal açúcar existente no leite materno [1,4]. Além disso, seja qual for a sua origem, a insulina continua presente, com níveis normais, no leite materno [1,4,6]. As injeções de insulina , que são essenciais para a diabetes tipo 1, contribuem igualmente para o bem-estar do bebé [1,4,6].
A amamentação é benéfica para a saúde, independentemente do tipo de diabetes da mãe [1,2,3,4,6]:
Aumenta a tolerância à glicose e, desta forma, melhora a saúde das mães com diabetes tipo 2 [2].
O tabaco e a diabetes (seja tipo 1 ou tipo 2) têm alguns efeitos semelhantes na saúde [1,2,3,4,5]. Para um fumador, as consequências e potenciais complicações associadas à diabetes são mais elevadas [2,3,4,5,6,7,8]. De facto, os riscos são cumulativos [2,3,5,6].
Por esse motivo, as mais importantes autoridades de saúde pública mundiais recomendam vivamente e incentivam as pessoas com diabetes a parar de fumar e retomar um estilo de vida saudável e equilibrado, tão breve quanto possível [1,2,3,6,7,8].
Estima-se que os cigarros contenham cerca de 400 químicos prejudiciais, sendo a nicotina um dos mais graves [1]. Isto porque a nicotina altera o transporte de açúcar para as células do organismo, provocando um aumento não só na toxicidade da glicose , como também uma maior resistência à insulina [1,2,3,4,6].
Seja qual for o método que utilize para inalar a nicotina (com cigarros convencionais ou eletrónicos), podem ser registadas variações anormais nos níveis de glicemia nas pessoas com diabetes fumadoras em comparação com as pessoas com diabetes não fumadoras [1,2,3,8].
Muitas das partículas presentes no tabaco afetam o sistema metabólico [1,3,8]. Ao prejudicar os mecanismos que regulam a absorção de açúcar e gordura pelas células e ao alterar o revestimento dos vasos sanguíneos, o tabagismo contribui para o desenvolvimento de complicações cardiovasculares [1,2,3,4,5,6,7,8,9].
Contudo, é possível diminuir e até mesmo acabar com todos estes desequilíbrios ao longo do tempo assim que se tornar uma pessoa com diabetes não fumadora. Vários estudos demonstraram de forma quase categórica que, ao deixar de fumar, as complicações registadas anteriormente no perfil lipídico e testes de glicemia podem ser realmente corrigidas [1,2,3,4,5,6,7,8].
Caso necessário, não hesite em falar com os profissionais de saúde sobre as várias soluções disponíveis para deixar de fumar.
Para controlar a sua diabetes é necessário prestar muita atenção à leitura dos rótulos dos alimentos. Uma vez que a rotulagem nutricional, na melhor das hipóteses, não é fácil de descodificar [1], como pode compreender a informação apresentada nas embalagens quando tem diabetes?
Evite uma interpretação errada seguindo estas sugestões, que vão proporcionar uma orientação importante na escolha dos produtos alimentares mais adequados à sua condição.
Atualmente, a rotulagem nutricional tem um formato normalizado adotado por consenso internacional. O Codex Alimentarius desenvolvido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) regula a informação obrigatória que deve ser apresentada nos produtos alimentares.
A embalagem dos produtos alimentares especifica:
O rótulo do produto alimentar também deve indicar:
Tendo em conta que uma dieta equilibrada é uma parte vital da estratégia terapêutica para manter o controlo da diabetes e contribui diretamente para a estabilização do açúcar no sangue [3], é importante ir para além das alegações nutricionais indicadas nas embalagens e conseguir compreender perfeitamente os rótulos dos alimentos [1].
Por exemplo, é necessário compreender a diferença entre açúcares simples e complexos [2,4,5], porque o seu efeito no aumento dos níveis de glicemia não é idêntico:
Quando seleciona alimentos ricos em açúcares, é aconselhado combiná-los com alimentos com elevado teor de fibra, pois estes têm a capacidade de abrandar a absorção destes açúcares e, desta forma, baixar os seus picos de açúcar no sangue. Da mesma forma, tente optar por alimentos integrais ricos em amido, porque também apresentam um elevado teor de fibra [1,4,5].
Descodificar corretamente os rótulos dos alimentos também implica saber identificar os açúcares que não se suspeita existirem na composição de determinados pratos [1,3,6]. Por exemplo, alguns produtos alimentares identificados como sendo “light”, geralmente, contêm mais açúcar do que os seus equivalentes mesmo quando o seu teor de gordura é realmente inferior [1,6].
Os níveis de açúcar, quando expressos em percentagem, também podem ser enganadores porque os seus valores variam consoante se trate da percentagem do peso total ou da percentagem do volume total.
Isto acontece com os gelados, por exemplo, em que o seu volume é, geralmente, inferior ao seu peso, uma quantidade equivalente de açúcar será expressa numa percentagem diferente na embalagem.
Prefira como ponto de referência a gramagem, que é um valor fixo, para ajudar na escolha do produto com o menor teor de açúcar [4,6].
Quando ler o rótulo de um produto alimentar, preste atenção especial ao seu teor de sal. Se ingerido em grandes quantidades, o sal provoca hipertensão e até complicações renais. Preste também atenção às quantidades de lípidos, porque podem originar problemas cardiovasculares [6].
As pessoas com diabetes tipo 2 também devem registar o valor total de ingestão de calorias [3,4,6] porque uma dieta altamente calórica pode originar problemas de peso e agravar a resistência à insulina [3,4,5,6].
Diabetes e fadiga: como combater?
Um dos sintomas mais frequentes registados nas pessoas com diabetes é a fadiga extrema [1,2,3,4,5,6], uma sensação que cerca de metade das pessoas com diabetes afirma já ter sentido [1,2,4].
Contudo, é preciso ter atenção para distinguir a fadiga aguda da fadiga crónica de forma a explicar as causas específicas de cada situação e decidir qual a melhor forma para as combater [2,5].
Seja cansaço ou sonolência, falta de energia ou fadiga, é frequente as pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 se sentirem exaustas [1,2,3,4,5,6].
Na verdade, a diabetes pode ser acompanhada de
todas elas com impacto negativo na qualidade de vida [2,3,4,5,6]. O acordar constantemente durante a noite devido à hipoglicemia noturna e à necessidade frequente de urinar, beber, ou comer poderá contribuir em parte para esta situação [2,3,4,6].
Além disso, ao longo do dia, ocorrem flutuações no nível de glicemia de uma pessoa com diabetes. Com estas variações diárias, podem ocorrer episódios de hiperglicemia ou hipoglicemia que provocam uma grande variedade de sintomas [2,3,4,5]. Referimo-nos a estes episódios como fadiga “aguda” [2,3,4].
Se a sensação de exaustão perdurar por mais de 6 meses, tende-se a assumir uma situação de fadiga crónica [2,3]. Esta astenia persistente está correlacionada com a degradação de certas funções associadas à diabetes [2,3,4].
Estas situações que conduzem ao desenvolvimento da fadiga podem, seguramente, ser corrigidas!
De forma a combater a sua fadiga, deverá monitorizar regularmente os seus níveis de açúcar no sangue [2,3,4,5]. Gerir a sua diabetes e conseguir um equilíbrio glicémico estável, são uma forma eficaz de combater a sua falta de energia [2,3,4,5].
Optar por uma dieta saudável também é fundamental no combate ao cansaço [2,3,4,5]. Na prática, isto implica adotar um estilo de vida diário que combina:
Embora a diabetes possa ser responsável por problemas sexuais nas mulheres, estes estão longe de ser irreversíveis. Dado que as causas parecem afetar mais a parte psicológica do que a metabólica, regressar à plena sexualidade requer primeiramente uma melhoria no bem-estar físico e mental [1,2,3,4,5,6,7].
Numerosos estudos revelam que as mulheres com diabetes se preocupam mais com o desenvolvimento de distúrbios sexuais face às mulheres sem diabetes [1,2,3,4,5,6]. Estima-se que quase um terço das mulheres com diabetes sentem este tipo de desconforto [1,3,4,5,6].
As causas parecem ser multifatoriais, com uma importante incidência na componente psicológica. A ansiedade e a depressão têm um papel especialmente importante na perturbação do desejo sexual feminino [1,2,3,4,5,6,7].
Além disso, o agravamento da disfunção sexual nas mulheres provoca:
A neuropatia , um distúrbio neurológico que afeta muitas pessoas com diabetes, pode prejudicar a sensibilidade da mulher à estimulação genital. O início da angiopatia pode agravar esta situação, podendo conduzir a uma diminuição ou total ausência de lubrificação vaginal e, eventualmente, a uma penetração dolorosa [1,2,3,5,6,7].
Do ponto de vista psicológico, estas preocupações sexuais afetam de forma considerável e influenciam negativamente a qualidade de vida das mulheres com diabetes [1,2,3,4,5,6,7]. A imagem que a mulher tem do seu corpo e a sua autoconfiança, que são fatores importantes numa relação sexual, também podem ser afetadas negativamente, em especial se, adicionalmente, existirem problemas de peso [1,2,3,6,7].
Para retomar em pleno a sua vida sexual é necessária uma gestão abrangente da diabetes. Isso permitirá reequilibrar os seus níveis de glicemia e recuperar o seu bem-estar físico e mental [1,2,5,7].
Por isso, aconselhamos sempre a procurar um médico especializado ( diabetologista , ginecologista, psicólogo ou nutricionista), sem esquecer as rigorosas medidas de higiene e dieta. A utilização de lubrificantes, atividade física regular e até mesmo o recurso aos denominados métodos de “relaxamento”, como a meditação ou sofrologia, pode ajudar a reconectar-se com o seu corpo e relaxar [2,7].
A adoção de um estilo de vida mais saudável, permite não só recuperar o controlo da diabetes ao limitar o risco de complicações, como também recuperar a sua autoestima. As melhorias no seu bem-estar geral vão ajudar a superar muitas dificuldades de natureza sexual, para um pleno desenvolvimento na sua vida íntima [1,2,5,7].