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Contagem de hidratos de carbono para diabetes: saiba mais

Contagem de hidratos de carbono para diabetes

Se recebeu um diagnóstico recente de diabetes é provável que tenha muitas perguntas. Entre elas, poderá querer saber como equilibrar as suas doses de insulina de acordo com os alimentos que ingere, para manter os níveis de glicemia dentro dos intervalos normais. 

Uma boa gestão da sua nutrição é um dos fatores determinantes no tratamento da diabetes [1,2]. Uma das formas de fazer isso é através da contagem de hidratos de carbono. Este artigo explica o que é a contagem de hidratos de carbono, como funciona e como pode ser usada para ajudar a gerir a sua diabetes.  

O que são os hidratos de carbono?

Os diferentes componentes nutricionais na sua dieta podem ser divididos em grupos alimentares [3]. Estes grupos dividem-se em [3]:

  • Vegetais: tanto os ricos em amido (batatas, milho) como os sem amido (cenouras, verduras) 
  • Frutas: tais como as laranjas, bagas, maçãs e bananas
  • Grãos: trigo, arroz, aveia e alimentos feitos à base destes grãos (p. ex., pão)
  • Proteína: carne, peixe, ovos
  • Laticínios: leite, iogurte e queijo

Os hidratos de carbono encontram-se em alguns destes alimentos em diferentes quantidades. Existem três tipos principais de hidratos de carbono [4]:

  • Açúcares: estes podem ser açúcares naturais existentes na fruta e no leite, ou açúcares adicionados como nos doces
  • Amidos: incluindo o trigo, aveias e grãos e vegetais ricos em amido, como as batatas e os feijões
  • Fibras: a parte de uma planta que não pode ser digerida

Os açúcares e os amidos nos seus alimentos são ambos digeridos e podem aumentar os seus níveis de glicemia [4]. As fibras não são digeridas, pelo que não têm qualquer influência no seu nível de glicemia [4].  

O que é a contagem de hidratos de carbono?

A contagem de hidratos de carbono é uma abordagem ao planeamento de refeições que se centra nos hidratos de carbono como o principal nutriente que afeta os níveis de glicemia [1]

A contagem de hidratos de carbono pode ajudar a gerir os seus níveis de glicemia e, se tomar insulina , pode ajudar a indicar a quantidade de insulina que deve tomar para manter os seus níveis de glicemia dentro do intervalo normal após as refeições [3].

Existem muitos métodos diferentes de contagem de hidratos de carbono [1], por isso, pode conhecer outra pessoa com diabetes que adote um método ligeiramente diferente.

Quantos hidratos de carbono deve ingerir por dia?

A quantidade de hidratos de carbono que deve ser ingerida por dia varia de pessoa para pessoa [4]. Não existe uma resposta “universal” [4].

A quantidade de hidratos de carbono de que necessita na sua dieta depende de vários fatores, incluindo a sua idade, peso, nível de atividade, entre outros fatores [4].

A sua equipa de cuidados de saúde poderá ajudar a criar uma dieta equilibrada e saudável adaptada às suas necessidades.

Em média, as pessoas com diabetes devem tentar obter cerca de metade das suas calorias diárias através dos hidratos de carbono [4]. Isto significa que se comer 1800 calorias por dia, cerca de 800 a 900 calorias (200 a 225 gramas) da sua alimentação deve ser composta por hidratos de carbono [4].

Por que motivo as pessoas com diabetes precisam de contar os hidratos de carbono?

Na diabetes, é muito importante conseguir manter os níveis de glicemia adequados. Os níveis de glicemia elevados, tanto após as refeições como regularmente, estão relacionados com o risco de complicações a longo prazo da diabetes [5].

Um estudo com crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 comprova que as pessoas que usam o método de contagem de hidratos de carbono, para ajustar a sua dose de insulina , têm um melhor controlo dos níveis de glicemia a longo prazo [2].

A contagem dos hidratos de carbono pode ajudar a [4]:

  • Viver saudável durante mais tempo
  • Sentir-se melhor e melhorar a sua qualidade de vida
  • Prevenir ou atrasar complicações da diabetes, tais como doenças renais, doenças oculares, doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais

A contagem de hidratos de carbono também permite às pessoas com diabetes comer uma maior variedade de alimentos e, ao mesmo tempo, controlar o seu nível de glicemia [2].

A contagem de hidratos de carbono na diabetes tipo 1 

A contagem de hidratos de carbono é um processo de aprendizagem constante. À medida que vai conhecendo melhor a sua diabetes e o seu organismo, o nível de precisão que pode usar na contagem de hidratos de carbono vai aumentar.

De uma forma geral, existem três níveis de conhecimento na contagem de hidratos de carbono para a diabetes tipo 1 [1]:

  1. Básico: é feita uma apresentação de conhecimento básico sobre a contagem de hidratos de carbono
  2. Intermédio: são explicadas e compreendidas as relações entre alimentos, medicação, atividade física e nível de glicemia
  3. Avançado: aprende a combinar todas as informações anteriores com a sua ingestão de alimentos e a usar o seu rácio de insulina para hidratos de carbono para calcular as suas doses de insulina

Para a sua refeição, vai calcular a quantidade de hidratos de carbono que contém usando, geralmente, porções de 15 g [1]. O número de porções de 15 g permite-lhe saber qual a dose de insulina de ação rápida que deve autoadministrar [1].

A dose varia de pessoa para pessoa [1] e a sua equipa de cuidados de saúde vai trabalhar consigo para decidir qual é a dose adequada para si.

A contagem de hidratos de carbono na diabetes tipo 2

Embora a contagem de hidratos de carbono seja um método bem estabelecido para equilibrar a ingestão de alimentos e as doses de insulina na diabetes tipo 1 [1], existe muito menos investigação na sua aplicação para a diabetes tipo 2 [5].

Algumas pessoas, não todas, com diabetes tipo 2 podem usar a insulina para ajudar a gerir o seu nível de glicemia [5].

Um dos poucos estudos realizados com a diabetes tipo 2 concluiu que a contagem de hidratos de carbono era tão eficaz como utilizar um algoritmo simples para calcular as doses de insulina [5].

Se tem diabetes tipo 2 e toma insulina , fale com a sua equipa de cuidados de saúde para saber se a contagem de hidratos de carbono pode ser uma forma útil de calcular a sua dosagem de insulina .

 

Como contabilizar os hidratos de carbono

Reading food labels

Ao início, contabilizar o teor de hidratos de carbono dos seus alimentos pode parecer complicado, mas com o passar do tempo vai perceber que, especialmente para as suas comidas preferidas, vai ficando cada vez mais fácil.

O objetivo da contagem de hidratos de carbono é determinar a quantidade de hidratos de carbono que a sua refeição contém em gramas [3].

Se estiver a comer comida pré-preparada, a quantidade de hidratos de carbono estará listada no rótulo de ingredientes alimentares [3,4]. Se estiver a preparar a sua própria comida, então terá de aprender a estimar o número de hidratos de carbono nos ingredientes usados [3,4].

Existem vários métodos que podem ajudar a calcular o teor de hidratos de carbono, incluindo o método do prato, usar uma listagem de alimentos e aplicações de contagem de hidratos de carbono [3,4].

Além disso, existem programas educativos, tais como o DAFNE (abreviatura em inglês para “ajuste de doses para uma alimentação normal”), que podem ajudar a gerir a sua nutrição na diabetes e a contar os hidratos de carbono [6]

O DAFNE é um curso completo para adultos (mais de 17 anos) que ajuda as pessoas com diabetes tipo 1 a ter uma vida tão normal quanto possível, enquanto mantêm os níveis de glicemia dentro dos limites saudáveis, para reduzir o risco de complicações da diabetes a longo prazo [6].

 

Contagem de hidratos de carbono para a diabetes: um resumo

Gerir a sua nutrição na diabetes é muito importante [1]. Em especial, isso inclui a contagem de hidratos de carbono. A consistência na quantidade e origem da ingestão de hidratos de carbono diária está associada a uma melhor gestão da glicemia nas pessoas com diabetes tipo 1 [1].

Existem diversas formas de contabilizar os hidratos de carbono, incluindo aplicações, o método do prato ou a estimativa da ingestão de hidratos de carbono [1].

Embora a quantidade de hidratos de carbono de que necessita seja diferente da de outras pessoas com diabetes [4], a contagem de hidratos de carbono pode ajudar a saber a quantidade de insulina que terá de tomar [3] e poderá ajustar a sua dose de acordo com a quantidade que está a comer [1]. Isto vai ajudar a manter a sua glicemia dentro dos valores normais após uma refeição [1].

A sua equipa de cuidados de saúde poderá ajudar a decidir se a contagem de hidratos de carbono é adequada para si e ensinar-lhe a integrar este hábito na sua vida diária para continuar a ser uma pessoa saudável e ativa.

 

Fontes

  1. Chiesa, G., Piscopo, M.A., Rigamonti, A. et al. Insulin therapy and carbohydrate counting. Acta Biomed 2005; 76(S3): 44–48. PMID: 16915796.
  2. Gökşen, D., Atik Altınok, Y., Ozen, S. et al. Effects of carbohydrate counting method on metabolic control in children with type 1 diabetes mellitus. Journal of clinical research in pediatric endocrinology, 2014; 6(2): 74–78. https://doi.org/10.4274/Jcrpe.1191.
  3. Diabetes Diet, Eating, & Physical Activity. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Acedido em: março 2022. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/diabetes/overview/diet-eating-physical-activity?dkrd=/health-information/diabetes/overview/diet-eating-physical-activity/carbohydrate-counting
  4. Carb Counting. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Acedido em: março 2022. Disponível em: https://www.cdc.gov/diabetes/managing/eat-well/diabetes-and-carbohydrates.html.
  5. Bergenstal, R.M., Johnson, M., Powers, M.A. et al. Adjust to Target in Type 2 Diabetes: Comparison of a simple algorithm with carbohydrate counting for adjustment of mealtime insulin glulisine. Diabetes Care 2008; 31(7): 1305–1310. doi: 10.2337/dc07-2137.
  6. DAFNE, NHS. Acedido em: março 2022. Disponível em: https://dafne.nhs.uk/about-dafne/what-is-dafne
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Posso amamentar se tiver diabetes?

breastfeeding with diabetes

As mulheres com diabetes podem amamentar, independentemente do tipo de diabetes (gestacional, tipo 1 ou tipo 2) [1,2,3,4,5,6,7].

As mães com insulinoterapia só precisam de se certificar de que as suas doses de insulina estão corretamente ajustadas, para que o primeiro fluxo de leite seja produzido assim que o bebé nasce [1,4,6], de modo a poderem amamentar em segurança.

A amamentação é recomenda pelos profissionais de saúde

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que os recém-nascidos sejam alimentados exclusivamente com leite materno durante os primeiros seis meses [2,4,5]. Numerosos estudos demonstram os benefícios da amamentação, tanto para a saúde da mãe como da criança [1,2,3,4].

Se tem diabetes, a composição do seu leite permanece idêntica à de uma mãe sem diabetes, com o mesmo nível de lactose, o principal açúcar existente no leite materno [1,4]. Além disso, seja qual for a sua origem, a insulina continua presente, com níveis normais, no leite materno [1,4,6]. As injeções de insulina , que são essenciais para a diabetes tipo 1, contribuem igualmente para o bem-estar do bebé [1,4,6].

Amamentação: um bem para a saúde fortemente incentivado

A amamentação é benéfica para a saúde, independentemente do tipo de diabetes da mãe [1,2,3,4,6]:

  • Pode reduzir as necessidades de insulina das mães com diabetes tipo 1 [1,4,6];
  • Protege a mãe e o seu bebé de uma possível evolução para a diabetes tipo 2 , se tiver desenvolvido diabetes gestacional durante a gravidez [1,2,3];

Aumenta a tolerância à glicose e, desta forma, melhora a saúde das mães com diabetes tipo 2 [2].

Fontes

  1. [No authors listed]. Insulin. Drugs and Lactation Database (LactMed) [Internet]. Bethesda (MD): National Library of Medicine (US); 2020.
  2. Much D, Beyerlein A, Roßbauer M, Hummel S, Ziegler AG. Beneficial effects of breastfeeding in women with gestational diabetes mellitus. Mol Metab. 2014; 3(3):284-92. doi: 10.1016/j.molmet.2014.01.002.
  3. Wallenborn JT, Perera RA, Masho SW. Breastfeeding after Gestational Diabetes: Does Perceived Benefits Mediate the Relationship? J Pregnancy. 2017; 2017:9581796. doi: 10.1155/2017/9581796.
  4. Achong N, Duncan EL, McIntyre HD, Callaway L. The physiological and glycaemic changes in breastfeeding women with type 1 diabetes mellitus. Diabetes Res Clin Pract. 2018; 135:93-101. doi: 10.1016/j.diabres.2017.11.005.
  5. Linden K, Berg M, Adolfsson A, Sparud-Lundin C. Well-being, diabetes management and breastfeeding in mothers with type 1 diabetes - An explorative analysis. Sex Reprod Healthc. 2018; 15:77-82. doi: 10.1016/j.srhc.2017.12.004.
  6. Feldman AZ, Brown FM. Management of Type 1 Diabetes in Pregnancy. Curr Diab Rep. 2016; 16(8):76. doi: 10.1007/s11892-016-0765-z.
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Tabaco e diabetes: quais são os efeitos?

tobacco and diabetes

O tabaco e a diabetes (seja tipo 1 ou tipo 2) têm alguns efeitos semelhantes na saúde [1,2,3,4,5]. Para um fumador, as consequências e potenciais complicações associadas à diabetes são mais elevadas [2,3,4,5,6,7,8]. De facto, os riscos são cumulativos [2,3,5,6].

Por esse motivo, as mais importantes autoridades de saúde pública mundiais recomendam vivamente e incentivam as pessoas com diabetes a parar de fumar e retomar um estilo de vida saudável e equilibrado, tão breve quanto possível [1,2,3,6,7,8].

A nicotina atua diretamente nos marcadores da diabetes

Estima-se que os cigarros contenham cerca de 400 químicos prejudiciais, sendo a nicotina um dos mais graves [1]. Isto porque a nicotina altera o transporte de açúcar para as células do organismo, provocando um aumento não só na toxicidade da glicose , como também uma maior resistência à insulina [1,2,3,4,6].

Seja qual for o método que utilize para inalar a nicotina (com cigarros convencionais ou eletrónicos), podem ser registadas variações anormais nos níveis de glicemia nas pessoas com diabetes fumadoras em comparação com as pessoas com diabetes não fumadoras [1,2,3,8].

O tabagismo agrava as complicações relacionadas com a diabetes

Muitas das partículas presentes no tabaco afetam o sistema metabólico [1,3,8]. Ao prejudicar os mecanismos que regulam a absorção de açúcar e gordura pelas células e ao alterar o revestimento dos vasos sanguíneos, o tabagismo contribui para o desenvolvimento de complicações cardiovasculares [1,2,3,4,5,6,7,8,9].

Contudo, é possível diminuir e até mesmo acabar com todos estes desequilíbrios ao longo do tempo assim que se tornar uma pessoa com diabetes não fumadora. Vários estudos demonstraram de forma quase categórica que, ao deixar de fumar, as complicações registadas anteriormente no perfil lipídico e testes de glicemia podem ser realmente corrigidas [1,2,3,4,5,6,7,8].

Caso necessário, não hesite em falar com os profissionais de saúde sobre as várias soluções disponíveis para deixar de fumar.

 

Fontes

  1. Kar D, Gillies C, Zaccardi F, Webb D, Seidu S, Tesfaye S, Davies M, Khunti K. Relationship of cardiometabolic parameters in non-smokers, current smokers, and quitters in diabetes: a systematic review and meta-analysis. Cardiovasc Diabetol. 2016; 15(1):158. doi: 10.1186/s12933-016-0475-5.
  2. Campagna D, Alamo A, Di Pino A, Russo C, Calogero AE, Purrello F, Polosa R. Smoking and diabetes: dangerous liaisons and confusing relationships. Diabetol Metab Syndr. 2019; 11:85. doi: 10.1186/s13098-019-0482-2.
  3. Calcaterra V, Winickoff JP, Klersy C, Schiano LM, Bazzano R, Montalbano C, Musella V, Regalbuto C, Larizza D, Cena H. Smoke exposure and cardio-metabolic profile in youth with type 1 diabetes. Diabetol Metab Syndr. 2018; 10:53. doi: 10.1186/s13098-018-0355-0.
  4. Feodoroff M, Harjutsalo V, Forsblom C, Thorn L, Wadén J, Tolonen N, Lithovius R, Groop PH. Smoking and progression of diabetic nephropathy in patients with type 1 diabetes. Acta Diabetol. 2016; 53:525-33. doi: 10.1007/s00592-015-0822-0.
  5. Feodoroff M, Harjutsalo V, Forsblom C, Groop PH; FinnDiane Study Group. Dose-dependent effect of smoking on risk of coronary heart disease, heart failure and stroke in individuals with type 1 diabetes. Diabetologia. 2018; 61(12):2580-2589. doi: 10.1007/s00125-018-4725-9.
  6. Kar D, Gillies C, Nath M, Khunti K, Davies MJ, Seidu S. Association of smoking and cardiometabolic parameters with albuminuria in people with type 2 diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Acta Diabetol. 2019; 56(8):839-850. doi: 10.1007/s00592-019-01293-x.
  7. Pan A, Wang Y, Talaei M, Hu FB. Relation of Smoking With Total Mortality and Cardiovascular Events Among Patients With Diabetes Mellitus: A Meta-Analysis and Systematic Review. Circulation. 2015; 132(19):1795-804. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.115.017926.
  8. Braffett BH, Rice MM, Young HA, Lachin JM. Mediation of the association of smoking and microvascular complications by glycemic control in type 1 diabetes. PLoS One. 2019; 14:e0210367. doi: 10.1371/journal.pone.0210367.
  9. Lambrinou E, Hansen TB, Beulens JW. Lifestyle factors, self-management and patient empowerment in diabetes care. Eur J Prev Cardiol. 2019; 26(2_suppl):55-63. doi: 10.1177/2047487319885455.
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Como ler os rótulos dos alimentos para gerir a sua diabetes?

how to read food labels

Para controlar a sua diabetes é necessário prestar muita atenção à leitura dos rótulos dos alimentos. Uma vez que a rotulagem nutricional, na melhor das hipóteses, não é fácil de descodificar [1], como pode compreender a informação apresentada nas embalagens quando tem diabetes?

Evite uma interpretação errada seguindo estas sugestões, que vão proporcionar uma orientação importante na escolha dos produtos alimentares mais adequados à sua condição. 

A rotulagem nutricional é idêntica em todos os países?

Atualmente, a rotulagem nutricional tem um formato normalizado adotado por consenso internacional. O Codex Alimentarius desenvolvido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) regula a informação obrigatória que deve ser apresentada nos produtos alimentares. 

A embalagem dos produtos alimentares especifica:

  • a lista de ingredientes, por ordem decrescente da proporção de peso (do mais alto para o mais baixo)
  • alergénios
  • aditivos [2]

O rótulo do produto alimentar também deve indicar:

  • o valor energético por 100 g ou ml ou incluído numa dose recomendada do alimento, expressa em kcal (quilocalorias) e kJ (quilojoules);
  • o número de gramas de proteína, hidratos de carbono e gordura por 100 g ou ml de alimento ou contido numa dose recomendada do alimento [2].

A rotulagem pode ser legível, mas difícil de compreender

Tendo em conta que uma dieta equilibrada é uma parte vital da estratégia terapêutica para manter o controlo da diabetes e contribui diretamente para a estabilização do açúcar no sangue [3], é importante ir para além das alegações nutricionais indicadas nas embalagens e conseguir compreender perfeitamente os rótulos dos alimentos [1].

Por exemplo, é necessário compreender a diferença entre açúcares simples e complexos [2,4,5], porque o seu efeito no aumento dos níveis de glicemia não é idêntico:

  • Os açúcares simples, ou “rápidos”, têm um índice glicémico elevado e, por isso, são digeridos rapidamente, causando hiperglicemia [4,5].
  • Os açúcares complexos, ou “lentos”, com um índice glicémico mais baixo, provocam aumentos mais ligeiros [1,4,5].

Quando seleciona alimentos ricos em açúcares, é aconselhado combiná-los com alimentos com elevado teor de fibra, pois estes têm a capacidade de abrandar a absorção destes açúcares e, desta forma, baixar os seus picos de açúcar no sangue. Da mesma forma, tente optar por alimentos integrais ricos em amido, porque também apresentam um elevado teor de fibra [1,4,5].

read food labels with diabetes

Tenha em atenção os açúcares dissimulados e a informação enganosa

Descodificar corretamente os rótulos dos alimentos também implica saber identificar os açúcares que não se suspeita existirem na composição de determinados pratos [1,3,6]. Por exemplo, alguns produtos alimentares identificados como sendo “light”, geralmente, contêm mais açúcar do que os seus equivalentes mesmo quando o seu teor de gordura é realmente inferior [1,6].

Os níveis de açúcar, quando expressos em percentagem, também podem ser enganadores porque os seus valores variam consoante se trate da percentagem do peso total ou da percentagem do volume total. 

Isto acontece com os gelados, por exemplo, em que o seu volume é, geralmente, inferior ao seu peso, uma quantidade equivalente de açúcar será expressa numa percentagem diferente na embalagem. 

Prefira como ponto de referência a gramagem, que é um valor fixo, para ajudar na escolha do produto com o menor teor de açúcar [4,6].

Algumas sugestões adicionais para comprar alimentos saudáveis

Quando ler o rótulo de um produto alimentar, preste atenção especial ao seu teor de sal. Se ingerido em grandes quantidades, o sal provoca hipertensão e até complicações renais. Preste também atenção às quantidades de lípidos, porque podem originar problemas cardiovasculares [6].

As pessoas com diabetes tipo 2 também devem registar o valor total de ingestão de calorias [3,4,6] porque uma dieta altamente calórica pode originar problemas de peso e agravar a resistência à insulina [3,4,5,6].

Fontes

  1. Roberto CA, Khandpur N. Improving the design of nutrition labels to promote healthier food choices and reasonable portion sizes. Int J Obes (Lond). 2014; 38 Suppl 1(Suppl 1):S25-33. doi: 10.1038/ijo.2014.86.
  2. FAO/WHO. Food Labelling (Codex Alimentarius) - Fifth Edition. 2007.
  3. Lambrinou E, Hansen TB, Beulens JW. Lifestyle factors, self-management and patient empowerment in diabetes care. Eur J Prev Cardiol. 2019; 26(2_suppl):55-63. doi: 10.1177/2047487319885455.
  4. Gołąbek KD, Regulska-Ilow B. Dietary support in insulin resistance: An overview of current scientific reports. Adv Clin Exp Med. 2019; 28(11):1577-1585. doi: 10.17219/acem/109976.
  5. Lau C, Faerch K, Glümer C, Tetens I, Pedersen O, Carstensen B, Jørgensen T, Borch-Johnsen K; Inter99 study. Dietary glycemic index, glycemic load, fiber, simple sugars, and insulin resistance: the Inter99 study. Diabetes Care. 2005; 28(6):1397-403. doi: 10.2337/diacare.28.6.1397.
  6. Nguyen PK, Lin S, Heidenreich P. A systematic comparison of sugar content in low-fat vs regular versions of food. Nutr Diabetes. 2016; 6(1):e193. doi: 10.1038/nutd.2015.43.
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Diabetes e fadiga: como combater?

Diabetes

Diabetes e fadiga: como combater?

Um dos sintomas mais frequentes registados nas pessoas com diabetes é a fadiga extrema [1,2,3,4,5,6], uma sensação que cerca de metade das pessoas com diabetes afirma já ter sentido [1,2,4].

Contudo, é preciso ter atenção para distinguir a fadiga aguda da fadiga crónica de forma a explicar as causas específicas de cada situação e decidir qual a melhor forma para as combater [2,5].

Por que motivo a diabetes provoca cansaço?

Seja cansaço ou sonolência, falta de energia ou fadiga, é frequente as pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 se sentirem exaustas [1,2,3,4,5,6].

Na verdade, a diabetes pode ser acompanhada de 

  • alteração dos padrões de sono
  • perda de peso
  • por vezes, síndrome depressiva

todas elas com impacto negativo na qualidade de vida [2,3,4,5,6]. O acordar constantemente durante a noite devido à hipoglicemia noturna e à necessidade frequente de urinar, beber, ou comer poderá contribuir em parte para esta situação [2,3,4,6].

Além disso, ao longo do dia, ocorrem flutuações no nível de glicemia de uma pessoa com diabetes. Com estas variações diárias, podem ocorrer episódios de hiperglicemia ou hipoglicemia que provocam uma grande variedade de sintomas [2,3,4,5]. Referimo-nos a estes episódios como fadiga “aguda” [2,3,4].

Se a sensação de exaustão perdurar por mais de 6 meses, tende-se a assumir uma situação de fadiga crónica [2,3]. Esta astenia persistente está correlacionada com a degradação de certas funções associadas à diabetes [2,3,4].

Existe uma cura para a fadiga relacionada com a diabetes?

Estas situações que conduzem ao desenvolvimento da fadiga podem, seguramente, ser corrigidas!

De forma a combater a sua fadiga, deverá monitorizar regularmente os seus níveis de açúcar no sangue [2,3,4,5]. Gerir a sua diabetes e conseguir um equilíbrio glicémico estável, são uma forma eficaz de combater a sua falta de energia [2,3,4,5].

Optar por uma dieta saudável também é fundamental no combate ao cansaço [2,3,4,5]. Na prática, isto implica adotar um estilo de vida diário que combina:

  • manter um peso saudável;
  • realizar exercício físico regularmente;
  • reduzir as situações stressantes [3,4,5].

Fontes

  1. Maahs DM, West NA, Lawrence JM, Mayer-Davis EJ. Epidemiology of type 1 diabetes. Endocrinol Metab Clin North Am. 2010; 39(3):481-97. doi: 10.1016/j.ecl.2010.05.011.
  2. Goedendorp MM, Tack CJ, Steggink E, Bloot L, Bazelmans E, Knoop H. Chronic fatigue in type 1 diabetes: highly prevalent but not explained by hyperglycemia or glucose variability. Diabetes Care. 2014; 37(1):73-80. doi: 10.2337/dc13-0515.
  3. Kalra S, Sahay R. Diabetes Fatigue Syndrome. Diabetes Ther. 2018; 9(4):1421-1429. doi: 10.1007/s13300-018-0453-x.
  4. Griggs S, Morris NS. Fatigue Among Adults With Type 1 Diabetes Mellitus and Implications for Self-Management: An Integrative Review. Diabetes Educ. 2018 Aug;44(4):325-339. doi: 10.1177/0145721718782148.
  5. Fritschi C, Quinn L. Fatigue in patients with diabetes: a review. J Psychosom Res. 2010; 69(1):33-41. doi: 10.1016/j.jpsychores.2010.01.021.
  6. Jensen Ø, Bernklev T, Gibbs C, Moe RB, Hofsø D, Jelsness-Jørgensen LP. Fatigue in type 1 diabetes, prevalence, predictors and comparison with the background population. Diabetes Res Clin Pract. 2018; 143:71-78. doi: 10.1016/j.diabres.2018.06.012.
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Tudo sobre sexualidade e diabetes na mulher

sexualidade

Embora a diabetes possa ser responsável por problemas sexuais nas mulheres, estes estão longe de ser irreversíveis. Dado que as causas parecem afetar mais a parte psicológica do que a metabólica, regressar à plena sexualidade requer primeiramente uma melhoria no bem-estar físico e mental [1,2,3,4,5,6,7].

Efeitos secundários da diabetes na sexualidade feminina 

Numerosos estudos revelam que as mulheres com diabetes se preocupam mais com o desenvolvimento de distúrbios sexuais face às mulheres sem diabetes [1,2,3,4,5,6]. Estima-se que quase um terço das mulheres com diabetes sentem este tipo de desconforto [1,3,4,5,6].

As causas parecem ser multifatoriais, com uma importante incidência na componente psicológica. A ansiedade e a depressão têm um papel especialmente importante na perturbação do desejo sexual feminino [1,2,3,4,5,6,7].

Além disso, o agravamento da disfunção sexual nas mulheres provoca:

  • alterações hormonais
  • risco acrescido de infeções do trato urinário 
  • efeitos neurotóxicos devido a hiperglicemia
  • secura da mucosa vaginal diretamente relacionada com a diabetes
  • algumas complicações também causam distúrbios vaginais [1,2,3,4,5,6,7].

 

Impacto da diabetes na vida sexual feminina

A neuropatia , um distúrbio neurológico que afeta muitas pessoas com diabetes, pode prejudicar a sensibilidade da mulher à estimulação genital. O início da angiopatia pode agravar esta situação, podendo conduzir a uma diminuição ou total ausência de lubrificação vaginal e, eventualmente, a uma penetração dolorosa [1,2,3,5,6,7].

Do ponto de vista psicológico, estas preocupações sexuais afetam de forma considerável e influenciam negativamente a qualidade de vida das mulheres com diabetes [1,2,3,4,5,6,7]. A imagem que a mulher tem do seu corpo e a sua autoconfiança, que são fatores importantes numa relação sexual, também podem ser afetadas negativamente, em especial se, adicionalmente, existirem problemas de peso [1,2,3,6,7].

 

Prevenção e tratamento

Para retomar em pleno a sua vida sexual é necessária uma gestão abrangente da diabetes. Isso permitirá reequilibrar os seus níveis de glicemia e recuperar o seu bem-estar físico e mental [1,2,5,7].

Por isso, aconselhamos sempre a procurar um médico especializado ( diabetologista , ginecologista, psicólogo ou nutricionista), sem esquecer as rigorosas medidas de higiene e dieta. A utilização de lubrificantes, atividade física regular e até mesmo o recurso aos denominados métodos de “relaxamento”, como a meditação ou sofrologia, pode ajudar a reconectar-se com o seu corpo e relaxar [2,7].

A adoção de um estilo de vida mais saudável, permite não só recuperar o controlo da diabetes ao limitar o risco de complicações, como também recuperar a sua autoestima. As melhorias no seu bem-estar geral vão ajudar a superar muitas dificuldades de natureza sexual, para um pleno desenvolvimento na sua vida íntima [1,2,5,7].

 

Fontes

  1. Zamponi V, Mazzilli R, Bitterman O, Olana S, Iorio C, Festa C, Giuliani C, Mazzilli F, Napoli A. Association between type 1 diabetes and female sexual dysfunction. BMC Womens Health. 2020; 20(1):73. doi: 10.1186/s12905-020-00939-1.
  2. Maiorino MI, Bellastella G, Esposito K. Diabetes and sexual dysfunction: current perspectives. Diabetes Metab Syndr Obes. 2014; 7:95-105. doi: 10.2147/DMSO.S36455.
  3. Bak E, Marcisz C, Krzeminska S, Dobrzyn-Matusiak D, Foltyn A, Drosdzol-Cop A. Does Type 1 Diabetes Modify Sexuality and Mood of Women and Men? Int J Environ Res Public Health. 2018; 15(5): 958. doi: 10.3390/ijerph15050958.
  4. Enzlin P, Mathieu C, Van Den Bruel A, Vanderschueren D, Demyttenaere K. Prevalence and predictors of sexual dysfunction in patients with type 1 diabetes. Diabetes Care. 2003; 26(2):409-14. doi: 10.2337/diacare.26.2.409.
  5. Enzlin P, Mathieu C, Van den Bruel A, Bosteels J, Vanderschueren D, Demyttenaere K. Sexual dysfunction in women with type 1 diabetes: a controlled study. Diabetes Care. 2002; 25(4):672-7. doi: 10.2337/diacare.25.4.672.
  6. Enzlin P, Rosen R, Wiegel M, Brown J, Wessells H, Gatcomb P, Rutledge B, Chan KL, Cleary PA; Sexual dysfunction in women with type 1 diabetes: long-term findings from the DCCT/ EDIC study cohort. DCCT/EDIC Research Group.Diabetes Care. 2009; 32(5):780-5. doi: 10.2337/dc08-1164.
  7. Cichocka E, Jagusiewicz M, Gumprecht J. Sexual Dysfunction in Young Women with Type 1 Diabetes. Int J Environ Res Public Health. 2020; 17(12):4468. doi: 10.3390/ijerph17124468.
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