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5 substitutos do açúcar para pessoas com diabetes

substitutos do açúcar

Todos gostamos do sabor do açúcar. Se tem diabetes e gosta de doces, não se preocupe! Existe uma grande variedade de adoçantes e substitutos do açúcar adequados para não afetar demasiado os níveis de glicemia . Deixamos-lhe uma lista dos substitutos do açúcar que pode usar para adoçar as bebidas e os iogurtes e quando confeciona as suas receitas favoritas.

 

Diabetes: que tipo de açúcar existe?

A sacarose, o açúcar mais conhecido como “açúcar de mesa”, é muito apreciado pelo seu sabor, mas não é muito bom do ponto de vista nutricional [1,2].

Quer tenha ou não diabetes, é recomendável limitar o consumo de sacarose, especialmente entre as refeições. Mas ainda poderá usar uma grande variedade de alternativas com um teor calórico semelhante ou inferior, tal como os adoçantes [11] para se deliciar! 

5 substitutos do açúcar

1 - Mel

Composto principalmente por água, frutose e glicose , o mel é um excelente substituto natural do açúcar refinado corrente para quem precisa de prestar especial atenção aos seus níveis de glicemia [5,6]. Graças ao elevado teor de frutose, minerais e flavonoides, tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, bem como um índice glicémico (IG) e valor energético inferiores, em comparação com o açúcar branco [5,6,7].

2 - Estévia

A estévia é um adoçante natural sem calorias. É uma das alternativas mais saudáveis ao açúcar branco refinado. Tem um sabor doce muito intenso e o seu consumo não provoca picos glicémicos [2,9]. Apresenta todas as vantagens do açúcar branco e nenhuma das suas desvantagens!

A estévia é especialmente recomendada para a diabetes tipo 2 , porque não afeta os níveis de glicemia , o seu perfil lipídico, ou peso corporal [2,9]. Também tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias [9]. É fácil compreender porque a estévia é usada desde a antiguidade como adoçante e como planta medicinal [2]!

3 - Adoçantes sintéticos e açúcares artificiais

Os adoçantes sintéticos, também conhecidos como “adoçantes artificiais” ou “açúcar artificial”, são ideais para pessoas com diabetes que procuram uma boa alternativa ao açúcar branco. Como aditivo alimentar, simulam o sabor do açúcar [1,7,9]. Quais são as suas principais vantagens? Apresentam menos calorias ou, até mesmo, zero calorias face ao açúcar branco e não aumentam os níveis de glicemia [1,9].

Os principais adoçantes artificiais são:

  • sucralose (E955);
  • aspartame (E951);
  • neotame (E961);
  • sacarina (E954);
  • ciclamato (E952);
  • acessulfame de potássio (E950) [1,2,7,8,9].

Os adoçantes mais conhecidos, como a sucralose e o aspartame, são 600 e 200 vezes mais doces, respetivamente, do que o açúcar branco [2,7,9]! Por isso, permitem reduzir a quantidade total utilizada [1,7,9]. Contudo, estes açúcares artificiais não têm qualquer valor energético, e são desprovidos de nutrientes [2,7]

Sugar substitutes

4 - Açúcar de coco

O açúcar de coco tem um IG baixo (35) e apresenta-se como uma boa alternativa natural ao açúcar branco. Feito a partir da seiva do coqueiro, contém grandes quantidades de vitaminas e minerais. O açúcar de coco parece, sabe e derrete quase como o açúcar branco e pode ser usado na maioria das situações [11].

5 - Xarope de agave e xarope de ácer

O xarope de agave e o xarope de ácer são mais duas alternativas possíveis ao açúcar branco para as pessoas com diabetes. Ambos são bons adoçantes naturais, têm a vantagem de apresentar um lG inferior ao do açúcar branco e são ricos em nutrientes. São principalmente compostos por frutose, reconhecidas pelo seu reduzido efeito hiperglicémico [3,11,12]. Os xaropes de agave e de ácer são ideais para a confeção de bolos [11,12].

Fontes

  1. Megha Gupta. Sugar Substitutes: Mechanism, Availability, Current Use and Safety Concerns-An Update. Open Access Maced J Med Sci. 2018; 6(10):1888-1894. doi: 10.3889/oamjms.2018.336.
  2. Gray A, Threlkeld RJ. Nutritional Recommendations for Individuals with Diabetes. [Atualizado em outubro 2019]. Em: Feingold KR, Anawalt B, Blackman MR, et al., editors. Endotext [Internet]. South Dartmouth (MA): MDText.com, Inc.; 2000. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279012/.
  3. Choo VL, Viguiliouk E, Blanco Mejia S, Cozma AI, Khan TA, Ha V, Wolever TMS, Leiter LA, Vuksan V, Kendall CWC, de Souza RJ, Jenkins DJA, Sievenpiper JL. Food sources of fructose-containing sugars and glycaemic control: systematic review and meta-analysis of controlled intervention studies. BMJ. 2018; 363:k4644. oi: 10.1136/bmj.k4644.
  4. Erejuwa OO, Sulaiman SA, Wahab MS. Honey - A novel antidiabetic agent. Int J Biol Sci. 2012; 8(6):913-34. doi: 10.7150/ijbs.3697.
  5. Bobiş O, Dezmirean DS, Moise AR. Honey and Diabetes: The Importance of Natural Simple Sugars in Diet for Preventing and Treating Different Type of Diabetes. Oxid Med Cell Longev. 2018; 2018:4757893. doi: 10.1155/2018/4757893.
  6. Erejuwa OO, Sulaiman SA, Ab Wahab MS. Honey: a novel antioxidant. Molecules. 2012; 17(4):4400-23. doi: 10.3390/molecules17044400.
  7. Szimonetta Lohner, Daniela Kuellenberg de Gaudry, Ingrid Toews, Tamas Ferenci, Joerg J Meerpohl. Non-nutritive sweeteners for diabetes mellitus. Cochrane Database Syst Rev. 2020; 5(5):CD012885. doi: 10.1002/14651858.CD012885.pub2.
  8. Marjan Ajami, Maryam Seyfi, Fatemeh Abdollah Pouri Hosseini, Parisa Naseri, Aynaz Velayati, Fahimeh Mahmoudnia, Malihe Zahedirad, Majid Hajifaraji. Effects of stevia on glycemic and lipid profile of type 2 diabetic patients: A randomized controlled trial. Avicenna J Phytomed. 2020;10(2):118-127. PMID: 32257884.
  9. Craig A Johnston, Brian Stevens, John P Foreyt. The Role of Low-calorie Sweeteners in Diabetes. Eur Endocrinol. 2013; 9(2):96-98. doi: 10.17925/EE.2013.09.02.96.
  10. Muhammad Tuseef Asghar, Yus Aniza Yusof, Mohd Noriznan Mokhtar, Mohammad Effendy Ya'acob, Hasanah Mohd Ghazali, Lee Sin Chang, Yanty Noorzianna Manaf. Coconut ( Cocos nucifera L.) sap as a potential source of sugar: Antioxidant and nutritional properties. Food Sci Nutr. 2019; 8(4):1777-1787. doi: 10.1002/fsn3.1191.
  11. Ozuna C, Trueba-Vázquez E, Moraga G, Llorca E, Hernando I. Agave Syrup as an Alternative to Sucrose in Muffins: Impacts on Rheological, Microstructural, Physical, and Sensorial Properties. Foods. 2020; 9(7):895. doi: 10.3390/foods9070895
  12. Sato K, Nagai N, Yamamoto T, Mitamura K, Taga A. Identification of a Novel Oligosaccharide in Maple Syrup as a Potential Alternative Saccharide for Diabetes Mellitus Patients. Int J Mol Sci. 2019; 20(20):5041. doi: 10.3390/ijms20205041.
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Hiperglicemia: sintomas e causas

Hiperglicemia: sintomas e causas

Se foi recentemente diagnosticado com diabetes, há muita terminologia nova que pode aprender. 

Este artigo é dedicado à hiperglicemia , um termo médico que designa os níveis elevados de glicemia [1]. Quando terminar a sua leitura, esperamos que tenha uma ideia mais clara do que é a hiperglicemia , o que causa a hiperglicemia e algumas das potenciais complicações no futuro.

 

O que é a hiperglicemia ?

A hiperglicemia é o termo que designa os níveis elevados de glicose (açúcar) no sangue [1]. Existem várias causas para a hiperglicemia [2], incluindo a diabetes [1].

O nível de glicose no seu sangue é regulado pela hormona insulina , que é segregada pelo pâncreas [1]. A diabetes ocorre quando existe uma subida nos níveis de glicemia devido ao facto de o organismo não conseguir produzir nenhuma insulina ou em quantidade suficiente, ou devido ao facto de não conseguir utilizar a insulina de forma eficaz [1].

Se não for tratada durante um longo período, a hiperglicemia pode vir a provocar diversas complicações [1]. No entanto, temos boas notícias: uma gestão cuidadosa da diabetes, que evite a hiperglicemia de longa duração, permite prevenir ou retardar estas complicações [1].

Existem várias formas de definir a hiperglicemia , que variam consoante as orientações que ler. 

 

O que causa a hiperglicemia ?

Existem diversas causas para a hiperglicemia [2].

Na diabetes tipo 1, o sistema imunitário do seu organismo ataca as células que produzem a insulina no pâncreas [1,2]. Consequentemente, nenhuma (ou muito pouca) insulina é produzida, com uma deficiência relativa ou absoluta de insulina [1]. A inexistência de insulina leva a que a glicose não possa ser transportada do sangue para as suas células (para ser convertida em energia), o que faz subir os níveis de glicose no seu sangue [1].

Na diabetes tipo 2 , a hiperglicemia é o resultado de o seu corpo não produzir insulina suficiente, e de não ser capaz de responder totalmente à insulina (esta situação é conhecida como resistência à insulina ) [1].

Existem várias outras doenças e medicamentos que também podem provocar hiperglicemia , incluindo [2]:

  • Lesões no pâncreas decorrentes, por exemplo, de pancreatite crónica ou cancro do pâncreas
  • Distúrbios hormonais, como a doença de Cushing
  • Utilização de medicamentos como, por exemplo, esteroides
  • Estar gravemente debilitado, seja numa situação de pós-operatório ou de pessoas gravemente doentes
  • Diabetes gestacional, que se deve, sobretudo, a uma menor sensibilidade à insulina
  • Nutrição parentérica total (NPT) e perfusão de dextrose (em que os nutrientes são introduzidos nas veias com um cateter)

 

Causas da hiperglicemia na diabetes

Os níveis elevados de glicemia podem ocorrer por diversos motivos.

Um dos motivos pode estar relacionado com o facto de não ter tomado insulina suficiente [3]. Isto pode ocorrer caso se esqueça de tomar a sua dose de bólus (dose única de insulina ) após uma refeição, caso tenha calculado a sua dose incorretamente, ou caso tenha tomado uma quantidade insuficiente da dose [3].

Um outro motivo da hiperglicemia podem ser as alterações na ingestão dos alimentos [3]. Isto pode acontecer se a sua refeição incluir mais gorduras ou hidratos de carbono do que pensava, ou se comer uma porção superior à que tinha calculado para a sua dose de insulina [3].

O que se passa na sua vida também pode ter um impacto na sua gestão da diabetes, uma vez que algumas situações aumentam a probabilidade de ter hiperglicemia [3]. Estas podem incluir estar sob stress, comer fora de casa, estar ocupado e sentir-se cansado [3]

A hiperglicemia também pode ocorrer durante a prática de exercícios anaeróbicos intensos, se tiver diabetes [4]. De entre alguns dos fatores que podem aumentar a probabilidade de ter um nível elevado de glicemia durante a prática de exercício físico incluem-se: a redução da dose de insulina para evitar a hipoglicemia , a ingestão de demasiados hidratos de carbono durante o exercício físico, e o exercício “anaeróbico” de alta intensidade [4].

 

Fatores de risco de hiperglicemia

A hiperglicemia é comum em pessoas com diabetes [3]. Num estudo, 61,9% das pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 reportaram ter, pelo menos, um episódio de hiperglicemia pós-prandial ( hiperglicemia após uma refeição) na última semana [3].

Há vários fatores que podem aumentar o risco de ter hiperglicemia , incluindo [2]:

  • Elevado IMC (índice de massa corporal)
  • Antecedentes familiares de diabetes tipo 2
  • Determinadas origens étnicas
  • Hipertensão
  • Elevados níveis de gorduras no sangue
  • Ter tido diabetes durante a gravidez
  • Presença de síndrome do ovário poliquístico

 

Sintomas e sinais de hiperglicemia na diabetes

 

hiperglicemia

Quando os seus níveis de açúcar no sangue são ligeiramente superiores ao normal, normalmente não terá quaisquer sintomas. 

Os sintomas de hiperglicemia (e diabetes) incluem [1]:

  • Sede anormal e boca seca
  • Urinação frequente, sobretudo à noite (incluindo enurese noturna)
  • Falta de energia, cansaço e letargia
  • Fome
  • Visão turva
  • Perda de peso súbita
  • Feridas de cicatrização lenta
  • Infeções recorrentes

Sinais de alerta precoce de hiperglicemia

Se tem diabetes, é provável que queira detetar um episódio de hiperglicemia o mais cedo possível. 

Num estudo realizado, foi perguntado às pessoas com diabetes como sabiam identificar que estavam a ter um episódio de hiperglicemia [3]. Na maioria dos casos, a hiperglicemia foi detetada em testes de glicemia [3]

A forma mais comum de os inquiridos saberem que estavam a ter um episódio de hiperglicemia foi descrita como “simplesmente não se sentiam bem” [3]

Os participantes também reportaram a urinação frequente como um indicador-chave [3].

Sintomas graves de glicemia elevada

Os sintomas mais comuns de hiperglicemia grave são [2]:

  • Urinar com mais frequência do que o habitual ( poliúria )
  • Beber mais líquidos do que o normal ( polidipsia )

Um sintoma menos imediato é perder peso inesperadamente [2].

Se a glicemia elevada não for tratada, pode levar ao agravamento dos sintomas que podem requerer tratamento. Estes podem incluir [2]:

  • Letargia
  • Alterações no seu estado mental
  • Sintomas do sistema nervoso

Em casos realmente graves, a pessoa com hiperglicemia grave pode progredir para um estado comatoso [2].

 

Complicações da hiperglicemia

Se não tratar a hiperglicemia , esta pode provocar uma série de complicações, a curto e a longo prazo [2,5,6].

Síndrome hiperglicémica hiperosmolar (SHH)

A síndrome hiperglicémica hiperosmolar (SHH) está classificada como uma emergência na diabetes [5]. É mais frequente nos adultos e nos idosos e, de forma geral, surge gradualmente ao longo de dias ou semanas [5].

As características da SHH são [5]:

  • Hiperglicemia : glicemia elevada
  • Hiperosmolaridade: o sangue é mais concentrado do que o normal
  • Falta de acidose: o seu sangue é menos ácido do que o habitual
  • Alterações no estado mental: alterações no seu comportamento

Se tem SHH, fica muitas vezes muito desidratado [5]. A SHH é tratada no hospital, com monitorização cuidadosa, fluidos intravenosos (IV) para corrigir a desidratação, e insulina para baixar a glicemia [5].

Cetoacidose diabética (DKA)

A cetoacidose diabética é uma condição grave, geralmente causada pela redução nos níveis de insulina no sangue, diminuição do uso de glicose , e aumento da produção de glicose [6]

As características da DKA são [6]:

  • Hiperglicemia : níveis de glicemia elevados
  • Acidose: sangue demasiado ácido
  • Cetose: presença de cetonas no sangue 

A DKA pode desenvolver-se muito rapidamente, por vezes em menos de 24 horas [6].

Os sintomas da DKA incluem geralmente:

  • Náuseas e vómitos [2]
  • Dor abdominal [2]
  • Urinação mais frequente do que o habitual ( poliúria ) [6]
  • Beber muito mais do que o habitual ( polidipsia ) [6]
  • Comer muito mais do que o habitual (polifagia) [6]
  • Fraqueza [6]
  • Respiração rápida e superficial [2]

Algumas pessoas podem estar menos atentas [6]. Isto pode variar entre confusão e coma, em casos extremamente graves [6].

A DKA é uma emergência médica [5]. Se pensa que pode ter DKA, deve dirigir-se ao hospital para ser avaliado e tratado.

Se tiver uma DKA muito precoce ou ligeira, poderá ser tratado no hospital com fluidos administrados por via oral e depois regressar a casa [6]. Mais frequentemente, terá de ser internado no hospital onde o seu tratamento envolverá a administração de fluidos intravenosos, insulina endovenosa e a substituição de alguns dos químicos no seu sangue [6].

Em casos de DKA grave, a pessoa poderá ter de ser internada na unidade de cuidados intensivos para tratamento e monitorização [6].

Complicações a longo prazo da hiperglicemia

Se não for tratada, a glicemia elevada durante muito tempo pode causar lesões em muitas partes do seu corpo, causando problemas nos olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos [2].

As lesões causadas pela hiperglicemia levam a condições que envolvem [1]:

  • O coração e os vasos sanguíneos, aumentando o risco de ataques cardíacos, angina e problemas nos vasos sanguíneos
  • Os olhos, causando possível diminuição da visão e cegueira devido a lesões nos pequenos vasos sanguíneos do olho
  • Os rins, levando a doença renal crónica
  • Os nervos, com danos que levam a sensações anormais e dormência, mais frequentemente nos pés

Embora esta lista possa parecer assustadora, a sua equipa de cuidados de saúde poderá ajudá-lo. Esta irá efetuar rastreios regulares para detetar quaisquer complicações associadas à glicemia elevada [1]. Em caso de sinais que apontem para o desenvolvimento de uma complicação, esta poderá ajudá-lo a fazer alterações que possam prevenir ou tratar o problema [1].

A gestão eficaz e eficiente da hiperglicemia pode reduzir o risco de desenvolver estas complicações e ajudar a evitá-las [1,2].

 

A hiperglicemia , ou glicemia elevada, pode ser causada por uma série de doenças, incluindo a diabetes [1,2]. Pode levar a complicações graves a curto prazo, incluindo cetoacidose diabética e síndrome hiperglicémica hiperosmolar [5,6].

A longo prazo, se não for gerida, a hiperglicemia pode levar a complicações envolvendo os olhos, coração, rins, nervos e vasos sanguíneos [2].

Gerir a sua glicemia e as potenciais complicações da sua diabetes é um dos aspetos em que a sua equipa de cuidados de saúde o ajudará [1]. Se tiver alguma dúvida quanto aos seus níveis de glicemia , ou se estiver preocupado com o risco de complicações, esta equipa trabalhará consigo para lhe dar todos os esclarecimentos necessários.

 

Fontes

  1. International Diabetes Federation (2017). IDF diabetes atlas (8th Ed).
  2. Mouri M, Badireddy, M. Hyperglycaemia. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430900/
  3. Brod, M., et al. Understanding Post-Prandial Hyperglycemia in Patients with Type 1 and Type 2 Diabetes: A Web-based Survey in Germany, the UK, and USA. Diabetes Ther. 2016; 7: 335–348. doi: 10.1007/s13300-016-0175-x
  4. Lumb, A et al. Diabetes management for intense exercise, Current Opinion in Endocrinology, Diabetes and Obesity. 2009; 16(2):150-155. doi: 10.1097/MED.0b013e328328f449
  5. Dhatariya, K. Blood Ketones: Measurement, Interpretation, Limitations, and Utility in the Management of Diabetic Ketoacidosis. The review of diabetic studies. 2016;13(4):217-225. doi:10.1900/RDS.2016.13.217.
  6. Trachtenbarg, D. E. Diabetic Ketoacidosis. American Family Physician; 2005, 71(9): 1705-1714.
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Monitorização da glicemia: um guia detalhado

Monitorização da glicemia

Se foi diagnosticado com diabetes recentemente, poderá ter interesse em saber mais informações sobre a monitorização da glicemia, tais como: o que é, como funciona e os diferentes tipos de dispositivos de monitorização da glicose .

Saiba mais sobre a monitorização da glicemia no nosso guia abaixo.

Em que consiste a monitorização da glicemia e porque é importante?

Nas pessoas com diabetes, é essencial monitorizar regularmente a glicose para ajudar a gerir os níveis de glicose (açúcar) no sangue, preservar a saúde e reduzir as complicações a longo prazo da diabetes [1].

Os níveis de glicemia muito elevados ou muito baixos podem potencialmente causar complicações a longo e curto prazo que, por sua vez, podem afetar a sua saúde atual e futura e até mesmo colocar a sua vida em perigo [2].

A monitorização da glicemia é o processo que permite verificar a quantidade de glicose existente no seu sangue, para garantir que os seus níveis não sobem nem descem demasiado [3].

A realização de testes regulares da glicose ajudará a perceber a forma como a alimentação, o exercício físico, a doença e o stress afetam os seus níveis de glicose , para que, em colaboração com profissionais de saúde, possa ajustar o seu tratamento, planear a sua dieta e ativamente gerir a sua diabetes com confiança [2,3].

 

Tipos de testes de glicemia

Tradicionalmente, os testes de glicemia têm consistido em dois tipos diferentes de testes: os testes de automonitorização dos níveis de glicemia (AMG), que são feitos por si, em casa, e as análises ao sangue para medir a sua hemoglobina glicada (HbA1c), que são feitas por um profissional de saúde [1,2].

Abaixo, encontrará informações sobre o funcionamento de ambos os tipos de testes de glicemia e o que fazem.

 

Automonitorização dos níveis de glicemia (AMG)

A automonitorização dos níveis de glicemia envolve testes regulares de picada no dedo (várias vezes por dia), e a utilização de um kit de testes no domicílio para medir a glicose no sangue num determinado momento [3].

Os testes à sua própria glicemia podem ser realizados em casa ou quando está fora de casa, sem qualquer ajuda profissional. A sua equipa de cuidados da diabetes vai ensiná-lo a realizar o teste e atuar com base nos resultados [3].

Seguir um regime de automonitorização estruturado pode ajudar as pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 a melhorar a sua gestão da diabetes e manter os seus níveis de glicose o mais próximo possível do normal [3]. Contudo, os testes periódicos apenas fornecem uma imagem da sua glicemia num determinado momento; não permitem identificar problemas entre as picadas no dedo ou prever episódios iminentes de  hipoglicemia  [1].

 

Teste de HbA1c

O teste de HbA1c (ou teste de hemoglobina glicada) consiste numa análise ao sangue que indica os seus níveis médios de glicemia nos últimos 2 a 3 meses [3].

O seu médico de família ou a equipa de cuidados da diabetes marcará a realização do teste de 3 em 3 meses ou de 6 em 6 meses para monitorizar a sua gestão da diabetes [3]. Os seus profissionais de saúde personalizarão o seu nível-alvo de acordo com a sua diabetes e as suas necessidades [3].

O HbA1c é um teste muito útil e é recomendado para avaliar a gestão da diabetes e prever o seu risco de desenvolver complicações [4].

Contudo, tem algumas limitações: fornece apenas uma média dos seus níveis de glicose e não deteta alterações rápidas, tais como episódios de subida ou descida da glicose e hiperglicemia depois de comer [1,4]. Além disso, o teste pode não ser fiável se tiver determinadas condições como anemia ou hemoglobinopatias (distúrbios genéticos do sangue), ou se estiver grávida. O teste pode também ser afetado pela genética ou etnia [1,4].

 

Tipos de monitorização (e dispositivos) da glicemia

Para as pessoas com diabetes, a realização de testes regulares de glicose pode ser um compromisso desconfortável e desagradável que é assumido para toda a vida [5]. Contudo, as novas tecnologias estão a proporcionar formas mais eficazes e confortáveis de monitorizar e regular os níveis da glicemia 24 horas por dia [1,3,5].

A monitorização da glicemia, em particular, a monitorização contínua da glicose (MCG), fornece uma avaliação cómoda e abrangente dos níveis de glicemia e uma melhor gestão [4].  

Existem diferentes dispositivos de monitorização da glicose disponíveis para pessoas com diabetes [4,5]. Abaixo, abordamos mais detalhadamente estas 3 opções de controlo da glicemia.

 

Sistema de monitorização contínua da glicose (MCG)

A monitorização contínua da glicose , ou MCG, é uma forma inovadora de verificar permanentemente a glicemia [3]. Um dispositivo implantado (que utiliza um pequeno sensor inserido sob a pele) testa continuamente, de forma automática, os seus níveis de glicose , de dia e de noite, mesmo quando está a dormir [2,3,4].

O sensor transmite os resultados através de um transmissor a um monitor, de modo a ver os níveis de glicose em tempo real, identificar padrões de glicose e detetar valores altos e baixos [2,3,4]. Muitos dispositivos MCG podem enviar alarmes ou alertas se detetarem problemas, tais como hipoglicemia [2].

O dispositivo mede a glicose no seu fluido intersticial (o fluido que envolve as células do seu corpo) em vez dos seus níveis de glicemia [2,4]. Existe um ligeiro atraso entre as alterações da glicose neste fluido intersticial e a sua corrente sanguínea, pelo que a leitura da glicose pelo sistema MCG pode diferir do resultado de uma picada no dedo [2,4]. Isto significa que as medições do sistema MCG podem nem sempre ser um indicador fiável na rápida mudança dos níveis de glicemia . Terá de fazer uma picada no dedo para calibrar o dispositivo e tomar decisões importantes sobre a sua gestão da diabetes [1,4].

Outra desvantagem do sistema MCG consiste no facto de os sensores e as máquinas poderem ser relativamente caros, o que faz com que sejam uma opção menos viável para as pessoas sem cuidados de saúde subvencionados [2].

Contudo, os estudos demonstram que o sistema MCG oferece uma melhoria na automonitorização tradicional [4]. A utilização de um dispositivo de monitorização contínua da glicose pode melhorar a sua gestão da diabetes, reduzindo o risco de hipoglicemia ou hiperglicemia , reduzindo a Hba1c e protegendo contra complicações a longo prazo [4].

 

Sistema de monitorização flash da glicose

O sistema de monitorização flash da glicose (MFG) é por vezes conhecido como sistema de monitorização contínua da glicose com leitura intermitente (isCGM) [6,7].

À semelhança do sistema MCG, os sistemas de monitorização flash da glicose medem os seus níveis de glicose sem picar o dedo, utilizando um pequeno sensor colocado mesmo sob a pele, que analisa os níveis de glicose no líquido em redor das células [7]. Este é utilizado por um período máximo de 14 dias [7].

No entanto, ao contrário de um sistema MCG, o sistema de monitorização flash não mede nem apresenta leituras de glicose continuamente [7]. Em vez disso, só se obtêm leituras a pedido, especificamente quando realiza uma leitura intermitente do seu sensor [6,7].

Os dispositivos de monitorização flash da glicose são geralmente considerados como tendo uma boa precisão, e os estudos demonstram que podem melhorar a gestão da diabetes e a qualidade de vida, enquanto reduzem o risco de complicações relacionadas com a diabetes [7]. Oferecem também uma alternativa mais barata e válida para algumas pessoas com diabetes, quando apropriado [7].

Contudo, os dispositivos flash têm algumas desvantagens: geralmente, não são tão precisos como os dispositivos MCG mais recentes e não permitem a ligação a uma bomba de insulina [7]. Além disso, tipicamente, não avisam para episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia , ao contrário de muitos sistemas MCG [7]. No entanto, a tecnologia de monitorização está a evoluir rapidamente, e os modelos flash mais recentes começam a integrar alarmes [6,7].

 

Tecnologia do sistema de circuito fechado ( pâncreas artificial)

Quando utilizado corretamente, um sistema híbrido de circuito fechado é o sistema mais avançado disponível para o fornecimento de insulina a pessoas com diabetes [8].

Também conhecidos como pâncreas artificial, os sistemas híbridos de circuito fechado utilizam um algoritmo informático para efetuar medições da glicose a partir de um sistema de monitorização contínua da glicose , calcular a dose de insulina necessária e administrar a insulina através de uma bomba de insulina  [8,9].

O sistema de circuito fechado ajusta automaticamente a taxa de insulina de fundo sempre que a glicemia for demasiado baixa ou demasiado alta [9]. Funciona continuamente, mesmo quando está a dormir, repetindo o circuito em intervalos regulares de 5-12 minutos (consoante o sistema utilizado) [9].

Estudos científicos têm demonstrado que os sistemas híbridos de circuito fechado parecem ser bem tolerados, melhorando a gestão da glicose , reduzindo o risco de hipoglicemia , melhorando a qualidade de vida e reduzindo a carga associada à gestão da diabetes tipo 1 [8,9].

No entanto, os sistemas híbridos de circuito fechado requerem trabalho e têm desvantagens. Continua a ter de contar os hidratos de carbono nos seus alimentos e programar doses extra de insulina às refeições [9]. Exercício físico, álcool, hidratos de carbono elevados e refeições com elevado teor de gordura continuam a ser um desafio a gerir, mesmo com sistemas híbridos de circuito fechado, pelo que as estratégias de gestão têm de ser adaptadas às suas necessidades individuais [9]. É também necessária formação e apoio de profissionais de saúde [9].

 

Quem poderia beneficiar da monitorização da glicemia?

Muitas pessoas com diabetes poderiam beneficiar da monitorização da glicemia utilizando um dos métodos acima referidos. A redução da picada dolorosa no dedo, uma melhor gestão da diabetes, e uma frequência reduzida de episódios perigosos de hipoglicemia podem melhorar a saúde e o bem-estar dos utilizadores [4,6,7,8,9].

Fontes

  1. Danne T, Nimri R, Battelino T, Bergenstal RM, Close KL, DeVries JH, Garg S, Heinemann L, Hirsch I, Amiel SA, Beck R, Bosi E, Buckingham B, Cobelli C, Dassau E, Doyle FJ 3rd, Heller S, Hovorka R, Jia W, Jones T, Kordonouri O, Kovatchev B, Kowalski A, Laffel L, Maahs D, Murphy HR, Nørgaard K, Parkin CG, Renard E, Saboo B, Scharf M, Tamborlane WV, Weinzimer SA, Phillip M. International Consensus on Use of Continuous Glucose Monitoring. Diabetes Care. 2017; 40(12):1631-1640. doi: 10.2337/dc17-1600.
  2. Mathew TK, Tadi P. Blood Glucose Monitoring. [Atualizado em agosto 2021]. Treasure Island (FL): StatPearls Published; 2021. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK555976/.
  3. NICE Guidelines: Having your blood glucose checked: HbA1c in Type 1 diabetes in adults: diagnosis and management [NG17]. [Atualizado em agosto 2022] NICE 2015. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng17/ifp/chapter/having-your-blood-glucose-checked-hba1c
  4. Ajjan R, Slattery D, Wright E. Continuous Glucose Monitoring: A Brief Review for Primary Care Practitioners. Adv Ther. 2019; 36(3):579-596. doi: 10.1007/s12325-019-0870-x.
  5. Villena Gonzales W, Mobashsher AT, Abbosh A. The Progress of Glucose Monitoring-A Review of Invasive to Minimally and Non-Invasive Techniques, Devices and Sensors. Sensors (Basel). 2019; 19(4):800. doi: 10.3390/s19040800.
  6. NICE Guideline: Type 1 diabetes in adults: diagnosis and management. [Atualizado em novembro 2021] NICE 2015. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/GID-NG10265/documents/draft-guideline
  7. Mancini G, Berioli MG, Santi E, Rogari F, Toni G, Tascini G, Crispoldi R, Ceccarini G, Esposito S. Flash Glucose Monitoring: A Review of the Literature with a Special Focus on Type 1 Diabetes. Nutrients. 2018; 10(8):992. doi: 10.3390/nu10080992.
  8. Leelarathna L, Choudhary P, Wilmot EG, Lumb A, Street T, Kar P, Ng SM. Hybrid closed-loop therapy: Where are we in 2021? Diabetes Obes Metab. 2021; 23(3):655-660. doi: 10.1111/dom.14273.
  9. Hartnell, S., Fuchs, J., Boughton, C.K. and Hovorka, R. Closed-loop technology: a practical guide. Pract Diab. 2021; 38:33-39. doi:10.17863/CAM.72733.
  10. Can I get a continuous glucose monitor (CGM) on the NHS?, JDRF. Acedido em dez 2021. Disponível em: https://jdrf.org.uk/information-support/treatments-technologies/continuous-glucose-monitors/continuous-glucose-monitor-nhs/
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Medidor de glicemia vs. MCG: Qual é a diferença?

Medidor de glicemia vs. MCG: como escolher

Se foi diagnosticado com diabetes, é possível que tenha de controlar os seus níveis de glicemia várias vezes por dia para reduzir a possibilidade de complicações [1]. Poderá fazê-lo de duas formas: com um medidor de glicemia (também conhecido como sistema de monitorização de glicemia) ou com um sistema de monitorização contínua da glicose (MCG) .

Qual o funcionamento destas ferramentas terapêuticas e qual deve escolher? Neste artigo,  apresentamos as características do medidor de glicemia  e do sistema MCG.

 

O que é um medidor de glicemia?

Um medidor de glicemia é um dispositivo que ajuda a medir os níveis de glicose no seu sangue [2,3]. Os níveis de glicose mudam em função do exercício físico, da dieta ou dos medicamentos [2].

Compreender as flutuações na sua glicemia e quais as atividades ou alimentos com impacto na mesma, pode ajudar as pessoas com diabetes e pode ajudar os profissionais de saúde a criar o plano de tratamento mais adequado a cada paciente.

Um sistema de monitorização de glicemia permite-lhe saber se a sua glicemia está muito alta, muito baixa ou dentro do intervalo. Deste modo, pode evitar episódios de hiperglicemia ou hipoglicemia e prevenir complicações graves resultantes da diabetes [4].

Os medidores de glicemia requerem uma pequena amostra de sangue para detetar a glicose ; geralmente, trata-se de uma gota de sangue extraída da ponta do seu dedo [3,4].

 

Como funciona um medidor de glicemia?

Um medidor de glicemia funciona mediante a análise de uma pequena gota de sangue colocada numa tira reativa. A tira reativa contém uma substância denominada glicose oxidase, uma enzima que reage à presença de glicose no sangue [5].

Uma pequena agulha, denominada lanceta, é utilizada para picar o dedo e colher uma pequena gota de sangue [2]. De seguida, a gota é colocada na tira reativa, que é inserida no medidor de glicemia. No interior do medidor de glicemia, existe uma interface para um elétrodo, que é utilizado para obter uma leitura da glicemia [5]. A leitura é depois exibida num ecrã, em unidades de mg/dl ou mmol/l [4].

Quando a tira é colocada dentro do medidor de glicemia, a reação da enzima à glicose gera um sinal elétrico. Quanto mais elevada for a corrente elétrica, mais elevado será o valor da glicose detetada e o número que é exibido no ecrã do medidor de glicemia [5].

 

Medidor de glicemia: como utilizar

Existem ligeiras diferenças entre os medidores de glicemia, pelo que é importante seguir as instruções fornecidas no seu manual de utilizador.

No entanto, de um modo geral, para utilizar um medidor de glicemia irá necessitar sobretudo de [1,4]:

  • Um medidor de glicemia

  • Tiras reativas

  • Uma lanceta de utilização única

  • Sabão e água ou uma compressa embebida em álcool

 

Deverá informar-se junto do seu profissional de saúde sobre qual a melhor hora do dia para realizar o teste e qual a frequência dos testes [1]. Além disso, embora a maioria dos medidores de glicemia funcione com uma picada no dedo, alguns permitem a colheita de uma amostra de sangue do seu antebraço ou coxa. Para informação sobre o local de teste, consulte o manual de instruções do medidor de glicemia [1,4].

Utilizar um medidor de glicemia - notas gerais:  

  1. É importante ler bem as instruções de utilização
  2. Lave sempre bem e seque as mãos antes de começar a utilizar o dispositivo
  3. Verifique previamente os prazos de validade das lancetas
  4. Siga as instruções de cada dispositivo
  5. Tome nota da leitura de glicemia obtida
  6. Elimine a lanceta utilizada em segurança

A sua equipa de cuidados da diabetes também o poderá orientar na utilização do medidor de glicemia.

 

Qual é a diferença entre um sistema MCG e um medidor de glicemia?

Os sistemas de monitorização contínua da glicose  (MCG) passaram a estar disponíveis no mercado no ano 2000, como uma alternativa ao teste de picada no dedo [6]. Ao contrário do medidor de glicemia, um sistema MCG não requer uma amostra de sangue e é razoavelmente discreto [6].

 

O que é um sistema MCG e como funciona?

Existem vários modelos de MCG disponíveis.

Em termos gerais, um sistema MCG é composto por um monitor colocado no corpo com um sensor estreito semelhante a uma agulha que é colocado sob a pele [7,8,9]. Este sensor obtém as leituras de glicose  do fluido intersticial de uma pessoa [7,9], ou seja, o fluido que preenche o espaço entre as células e que fornece nutrientes ao organismo.

As leituras são lidas manualmente ou transmitidas via Bluetooth para um recetor que exibe e regista as leituras [9].

 

Sistema de monitorização contínua da glicose  vs. medidor de glicemia

Se não tem a certeza de qual o sistema mais adequado para si – monitorização contínua da glicose ou medidor de glicemia – é uma boa ideia analisar as  características de ambos.

 

Monitorização contínua da glicose

Existem  algumas características do sistema MCG que podem ser importantes para o utilizador. Em primeiro lugar, um sistema MCG permite registar as medições a cada cinco minutos (ou outro intervalo) [2], ou efetuar 288 leituras por dia [9]. Com um sistema MCG, pode observar as alterações nos seus níveis de glicemia quase em tempo real e receber alertas, que lhe permitem tomar medidas de imediato para prevenir um episódio de  hiperglicemia ou hipoglicemia  [9]. Tal oferece uma cobertura quase permanente dos padrões de glicemia de uma pessoa e uma vantagem na previsão e prevenção de episódios [6].

Um sistema MCG ajuda a obter informações sobre o que acontece quando está a dormir, quando se sente com stress ou quando está a realizar outras atividades diárias [9]. É particularmente útil para pessoas que podem ter níveis de glicemia baixos durante a noite sem que de tal se apercebam [2,6].

Existem estudos que relacionaram a utilização do sistema MCG com um melhor controlo metabólico, um maior tempo no intervalo recomendado da glicemia, menos tempo em hipoglicemia , menor ansiedade e melhor qualidade de vida [10].

Por outro lado, um sistema de monitorização contínua da glicose é mais caro do que um medidor de glicemia [11]. Além disso, o seu funcionamento é relativamente complexo, requer formação e tempo para o utilizador se familiarizar com a ferramenta [11]. Os sistemas MCG requerem um elevado nível de conformidade e interação para gerir os níveis de glicemia [11].

E, mais importante, embora a utilização de um sistema MCG menos invasivo com um sensor sob a pele seja ainda menos dolorosa do que a realização diária de testes de picadas no dedo [9], muitos modelos requerem múltiplas picadas no dedo para calibração com automonitorização da glicemia (AMG) [11]. O sensor está sempre no corpo e tem de ser substituído a cada 3–14 dias, consoante o modelo [11].

 

Medidores de glicemia

De igual modo, existem  características a considerar quanto à utilização de um medidor de glicemia. Os medidores de glicemia obtêm medições precisas das concentrações de glicose no sangue capilar [11], fornecendo os resultados após um curto período de teste [2] com base em apenas uma pequena amostra de sangue [2]. Podem ser utilizados vários locais [2] de teste, o que permite flexibilidade.

A utilização dos medidores de glicemia é também relativamente económica [11] em comparação com o sistema de MCG [2]. Fundamentalmente, são muito utilizados e intuitivos [11], e é fácil aprender a utilizá-los [11]. Os medidores de glicose têm várias funcionalidades. Os modelos modernos inteligentes têm Bluetooth e permitem sincronizar os dados com aplicações de smartphone [2].

A automonitorização da glicemia (AMG) frequente com medidores de glicemia é considerada uma parte fundamental do tratamento eficaz da diabetes e da sua gestão diária [10]. Uma AMG mais frequente foi associada a níveis de HbA1c mais baixos em pacientes com diabetes tipo 1 e em pacientes tratados com insulina com diabetes tipo 2 [11].

 No entanto, há também que considerar que um medidor de glicemia fornece cerca de 4–7 medições por dia [9]. Isto significa que um medidor de glicemia oferece dados mais limitados, comparativamente ao sistema de MCG, pelo que a sua eficácia clínica é também ela limitada [11]. Uma vez que apenas fornecem informações acerca de um único ponto no tempo, é difícil detetar tendências nos níveis da glicemia [8,10].

Os medidores de glicemia podem ser vistos como sendo desconfortáveis [8], pesados [8], incómodos [11] e dolorosos [11].

Fontes

  1. Kirk JK, Stegner J. Self-Monitoring of Blood Glucose: Practical Aspects. Journal of Diabetes Science and Technology. 2010; 4(2):435-439. doi:10.1177/193229681000400225
  2. Mathew TK, Zubair M, Tadi P. Blood Glucose Monitoring. [Atualizado em abril 2023]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK555976/
  3. "Blood glucose meters,” JDRF. Acedido em fevereiro 2022. Disponível em: https://jdrf.org.uk/information-support/treatments-technologies/blood-glucose-meters/
  4. Pickering, Dianne, and Janet Marsden. How to measure blood glucose. Community eye health. 2014; 27(87): 56. https://pdfs.semanticscholar.org/e244/68171435fd9d3e29ade58baf1f1da89fecc5.pdf
  5. “How do blood glucose meters work? Ask an engineer.” MIT School of engineering. Acedido em fevereiro 2022. Disponível em: https://engineering.mit.edu/engage/ask-an-engineer/how-do-blood glucose meters-work/
  6. Rodbard D. Continuous Glucose Monitoring: A Review of Successes, Challenges, and Opportunities. Diabetes Technol Ther. 2016; Suppl 2(Suppl 2):S3-S13. doi: 10.1089/dia.2015.0417
  7. Baghelani, Masoud, et al. Non-invasive continuous-time glucose monitoring system using a chipless printable sensor based on split ring microwave resonators. Scientific Reports. 2020: 10(1):1-15. doi: 10.1038/s41598-020-69547-1.
  8. Langendam, Miranda, et al. Continuous glucose monitoring systems for type 1 diabetes mellitus. Cochrane Database of Systematic Reviews 1 2012. doi: 10.1002/14651858.CD008101.pub2.
  9. Funtanilla, Vienica D., Tina Caliendo, and Olga Hilas. Continuous glucose monitoring: a review of available systems. Pharmacy and Therapeutics 2019; 44(9): 550-553. PMID: 31485150.
  10. Dovc, Klemen, and Tadej Battelino. Evolution of diabetes technology. Endocrinology and Metabolism Clinics 2020; 49(1): 1-18. doi: 10.1016/j.ecl.2019.10.009.
  11. Ajjan, Ramzi, David Slattery, and Eugene Wright. Continuous glucose monitoring: a brief review for primary care practitioners. Advances in therapy. 2019; 36(3): 579-596. doi: 10.1007/s12325-019-0870-x.
  12. “Can I get a continuous glucose monitor (CGM) on the NHS?” JDRF. Acedido em fevereiro 2022. Disponível em: https://jdrf.org.uk/information-support/treatments-technologies/continuous-glucose-monitors/continuous-glucose-monitor-nhs/
  13. “Continuous glucose monitoring (CGMs),” NHS. Acedido em fevereiro 2022. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/type-1-diabetes/continuous-glucose-monitoring-cgms
  14. NHS Rightcare pathway: Diabetes. Acedido em fevereiro 2022. Disponível em: https://www.england.nhs.uk/rightcare/wp-content/uploads/sites/40/2018/07/nhs-rightcare-pathway-diabetes.pdf
  15. “Test strips and monitors,” Diabetes UK. Acedido em fevereiro 2022. Disponível em: https://www.diabetes.org.uk/guide-to-diabetes/managing-your-diabetes/testing/test-strips-and-monitors
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O que é um sistema de monitorização contínua da glicose (MCG)?

O que é um sistema de monitorização contínua da glicose (MCG)?

O que é um sistema de monitorização contínua da glicose (MCG)?

Poderá já ter ouvido falar nos sistemas de monitorização contínua da glicose (MCG) e poderá já se ter questionado se são adequados para si. 

Este artigo explicará o que são, como funcionam e se o podem ajudar a gerir a sua diabetes.

 

O que é um sistema MCG?

MCG significa monitorização contínua da glicose [1].

Se foi diagnosticado com diabetes, uma das primeiras coisas de que a sua equipa lhe terá falado é da monitorização dos seus níveis de glicemia . A automonitorização é essencial para um bom tratamento da diabetes [1,2,3]

A automonitorização, realizada através de um teste de picada no dedo , permite-lhe medir a sua glicemia num determinado momento e, sobretudo, ajuda-o a perceber o que causa a sua subida ou descida [1,2].

A automonitorização oferece alguns desafios. Algumas pessoas não conseguem picar o seu próprio dedo, outras acham que o teste com várias picadas no dedo é desconfortável ou doloroso [1,2,3]. A natureza intermitente dos testes autoadministrados significa que poderão existir períodos significativos (por exemplo, enquanto dorme) em que a sua glicemia não é monitorizada [1,2].

A monitorização contínua da glicose (MCG) procura abordar muitos destes problemas, fornecendo uma avaliação cómoda e abrangente dos níveis de glicemia , o que pode permitir-lhe uma melhor gestão da sua diabetes [1,3].

Os sistemas MCG medem os níveis de glicose no fluido intersticial (o fluido que envolve o tecido adiposo), fornecendo informações semicontínuas sobre os seus níveis de glicose [2,3]. Isto pode ajudar a identificar e prevenir períodos indesejados de hipoglicemia e hiperglicemia [4].

 

Como funciona o sistema MCG?

O sistema MCG possui vários componentes. O primeiro é um sensor descartável resistente à água colocado sob a pele, geralmente no antebraço ou abdómen [1,2,3]. Este sensor mede a glicose no fluido que o envolve (conhecido como o fluido intersticial ) [1]

Esta medição é enviada para o segundo componente do sistema MCG, que é o transmissor [5]. O transmissor envia e/ou guarda depois este sinal sem fios (ou de outra forma) para o recetor/ecrã [5].

O dispositivo de visualização da maioria dos sistemas MCG modernos permite exibir a sua glicemia atual, guardar leituras anteriores, e ajudá-lo a compreender como atividades como a alimentação ou o exercício físico podem afetar os seus níveis de glicemia , bem como a forma de gerir estes efeitos [1,2].

O sensor do sistema MCG é descartável e precisa de ser mudado a cada 3-14 dias [2,3]. Os componentes do transmissor e do ecrã são reutilizados com o sensor seguinte para lhe permitir manter uma monitorização contínua.

 

Quem pode utilizar um sistema MCG?

A maioria das pessoas que utiliza o sistema MCG tem diabetes tipo 1, embora as evidências sugiram que a utilização do sistema de monitorização contínua da glicose pode oferecer benefícios a pessoas com diabetes tipo 2 [1].

A monitorização contínua da glicose pode ser adequada para:

  • As pessoas que não conseguem realizar o teste de picada no dedo a elas mesmas (por exemplo, crianças) [3]
  • As pessoas que precisam de um controlo de glicose mais rigoroso do que o habitual (por exemplo, grávidas) [3,5]
  • As pessoas que desconhecem estar a ter um episódio de hipoglicemia [1,3]

Se não tem a certeza se pode, ou deve, utilizar um sistema MCG, fale com o seu médico e com a sua equipa de cuidados da diabetes para mais informações.

 

É possível utilizar um sistema MCG e uma bomba de insulina em conjunto?

Uma bomba de insulina (também conhecida como perfusão contínua de insulina por via subcutânea, ou CSII) é um dispositivo que algumas pessoas utilizam para administrar no seu corpo a insulina de que necessitam para gerir a sua glicemia [5]

Geralmente, a bomba de insulina fornece uma dose contínua reduzida de insulina (por vezes chamada de débito basal) que pode ser temporariamente aumentada (uma dose de bólus) em resposta à alimentação, ao exercício físico, ou à leitura de um sistema de monitorização da glicose [5].

A medição da glicemia é habitualmente realizada de forma clássica, através de várias picadas no dedo. A medição é realizada através de um medidor de glicose tradicional [1].

Este sistema pode ser alterado pela introdução de um sistema MCG, permitindo à pessoa administrar doses de insulina com base numa leitura contínua da glicose , em vez de picadas no dedo intermitentes [5].

 

O que é um pâncreas artificial?

Para compreender um pâncreas artificial, ajuda pensar no funcionamento de um pâncreas real e como este é afetado na diabetes tipo 1.

Quando nos alimentamos a comida é digerida e os hidratos de carbono decompõem-se em açúcares mais simples, como a glicose , que são absorvidos pelo seu sangue [2]. O pâncreas deteta estes níveis elevados de glicose no sangue e segrega uma hormona chamada insulina para que os níveis de glicemia voltem ao nível normal [2]. Na diabetes tipo 1, as lesões no pâncreas impedem-no de segregar insulina suficiente para gerir a glicemia [5].

Um pâncreas artificial procura simular o funcionamento de um pâncreas real ao medir a glicemia e depois ajustando a taxa de insulina administrada no organismo através de uma perfusão contínua [5].

Um pâncreas artificial consiste num sistema de monitorização contínua da glicose ligado a uma bomba de insulina [1]. A bomba utiliza informação do sistema MCG e um algoritmo para ajustar a taxa de perfusão de insulina [1,5].

Os estudos demonstraram que as bombas que funcionam desta forma podem levar a um melhor controlo da glicose quando comparadas com as bombas convencionais [1].

Os sistemas modernos também podem reagir a questões como a hipoglicemia , reduzindo ou suspendendo temporariamente a perfusão de insulina [5].

 

Fontes

  1. Ajjan, R., Slattery, D. & Wright, E. Continuous Glucose Monitoring: A Brief Review for Primary Care Practitioners. Adv Ther. 2019; 36(3): 579–596. doi: 10.1007/s12325-019-0870-x.
  2. Mathew TK, Tadi P. “Blood Glucose Monitoring.” [Atualizado em agosto 2021]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022
  3. Langendam M, Luijf YM, Hooft L, DeVries JH, Mudde AH, Scholten RJPM. Continuous glucose monitoring systems for type 1 diabetes mellitus. Cochrane Database of Systematic Reviews 2012; 1(1):CD008101. doi: 10.1002/14651858.CD008101.pub2.
  4. David C. Klonoff. Continuous Glucose Monitoring: Roadmap for 21st century diabetes therapy. Diabetes Care 2005; 28(5): 1231–1239. doi: 10.2337/diacare.28.5.1231.
  5. Klemen Dovc, Tadej Battelino. Evolution of Diabetes Technology. Endocrinology and Metabolism Clinics of North America, 2020; 49(1), 1-18. doi: 10.1016/j.ecl.2019.10.009.
  6. “Diabetes (type 1 and type 2) in children and young people: diagnosis and management.” NICE guideline NG18. Publicado em: 2014. Última atualização em: 2020 Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng18/evidence/full-guideline-pdf-435396352
  7. “Type 1 diabetes in adults: diagnosis and management.” NICE guideline [NG17]. Publicado em: agosto 2015. Última atualização em: julho 2021. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng17
  8. “Diabetes in pregnancy: management from preconception to the postnatal period.” NICE guideline [NG3]. Publicado em: fevereiro 2015. Última atualização em: dezembro 2020. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng3
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Níveis de glicemia: um guia

Níveis de glicose no sangue

A manutenção de níveis de glicemia saudáveis é um aspeto importante de viver com diabetes e para a gestão da sua doença [1,2]

A monitorização e manutenção de níveis estáveis de glicose , aliadas a outras alterações do estilo de vida, como uma alimentação saudável, a prática de exercício físico e a manutenção de um peso saudável são essenciais para o tratamento da diabetes e para a qualidade de vida [1,2]

Saiba mais sobre o motivo pelo qual a monitorização da glicemia é tão importante no nosso guia.

 

O que são os níveis de glicemia

A glicemia ( glicose no sangue) é a principal fonte de energia para as células no nosso organismo [2,3]. A glicemia é criada quando os hidratos de carbono da nossa dieta são metabolizados [3]. A glicose é depois utilizada de imediato ou armazenada no fígado e nos músculos para ser utilizada posteriormente [3].

Depois de ingerir alimentos, a glicose é digerida pelo aparelho digestivo e absorvida pelo intestino, o que leva a um aumento nos níveis de glicemia [2]. Em jejum, os níveis de glicemia baixam e o fígado ajuda a manter a glicose no organismo em níveis saudáveis; para o efeito, produz a sua próxima glicose [2]. Em ambos os cenários, o pâncreas tem de segregar a hormona insulina , que é necessária para permitir a entrada da glicose nas células, para que as células possam transformar a glicose em energia [2]

Na diabetes, existe uma produção insuficiente de insulina (diabetes tipo 1) ou uma maior resistência à insulina ( diabetes tipo 2 ) [4]. Em ambas as situações, isto interfere com a capacidade de manter níveis de glicemia saudáveis. Assim, a compreensão e a monitorização dos intervalos nos níveis de glicemia são uma parte essencial na gestão de todos os tipos de diabetes. 

 

Qual a importância de manter os níveis de glicemia ?

As pessoas com diabetes estão sujeitas a um risco de complicações. Estas complicações podem dividir-se em duas classificações: microvascular e macrovascular [4].

Os estudos demonstram que a manutenção dos níveis de glicemia sob controlo pode diminuir o risco de complicações microvasculares, ou seja, as condições que afetam os pequenos vasos sanguíneos [1,4,5]

As complicações microvasculares incluem:

  • retinopatia diabética, ou complicações que provocam lesões nos olhos e que podem até levar à cegueira [4]
  • neuropatia diabética, ou complicações que provocam lesões no sistema nervoso, como o pé diabético, que pode levar à amputação [4]
  • neuropatia diabética, ou complicações que afetam os rins e o sistema renal, como a doença renal crónica [4] 

As complicações macrovasculares incluem:

  • doença cardiovascular [4]
  • AVC [4]
  • doença arterial periférica, que pode provocar hematomas ou lesões que não cicatrizam, gangrena e, em último caso, amputação [4].

Um bom controlo da glicemia pode também prevenir algumas destas complicações, como os ataques cardíacos [5], embora a evidência seja menos clara neste caso, comparativamente às complicações microvasculares [1,4].

Contudo, um esforço combinado no sentido de manter os níveis de glicemia , colesterol e tensão arterial sob controlo na diabetes pode levar a resultados mais favoráveis e minimizar o risco de complicações relacionadas com a diabetes no geral [4].

Níveis de glicemia elevados e hiperglicemia  

Quando uma pessoa tem um nível de glicemia acima de 140 mg/dl, considera-se que essa pessoa tem um nível de glicemia elevado, ou hiperglicemia [6].

A hiperglicemia pode ser causada por inúmeros fatores. Contudo, num quadro de diabetes, esta ocorre quando existe uma quantidade insuficiente de insulina no organismo ou quando a insulina não é utilizada adequadamente [6,7].

Um episódio de hiperglicemia pode provocar sintomas como necessidade frequente de urinar, sensação de sede extrema, fadiga, visão turva e infeções recorrentes [1].

Se não for tratada, a hiperglicemia pode levar a complicações, algumas das quais com risco de vida. 

Estas incluem: doença cardíaca , AVC , doença arterial periférica, doença renal e ocular, síndrome metabólica e neuropatia [7].

Níveis de glicemia baixos e hipoglicemia  

A hipoglicemia , ou glicemia baixa, é frequentemente definida como sendo inferior a 70 mg/dl [8,9,10].

Na diabetes, esta pode ocorrer como um efeito secundário à toma de insulina ou à toma de outros medicamentos que se destinam a aumentar a quantidade de insulina (por exemplo, sulfonilureias ou meglitinidas e, ocasionalmente, metformina) [9,11]. Também pode ser causada pela ingestão insuficiente de hidratos de carbono, jejum, aumento da atividade física, consumo excessivo de álcool sem comer o suficiente, ou pelo facto de estar doente [9]. As doenças graves, como as doenças hepáticas ou renais, também podem desencadear a hipoglicemia [11].

Os sintomas da hipoglicemia incluem tremores, cansaço, fome, irritabilidade ou confusão, tonturas ou fraqueza [9]. Além disso, pode também sentir um acelerar do ritmo cardíaco e dificuldade em pensar ou falar claramente [9].

A hipoglicemia num estado grave pode provocar convulsões, perda de consciência, coma, ou até mesmo a morte [9]. Outras complicações a longo e curto prazo incluem insensibilidade à hipoglicemia , lesão neurológica, trauma e acontecimentos cardiovasculares, como angina e ataque cardíaco [9].

 

Níveis de glicemia  

Os níveis-alvo de glicemia variam de pessoa para pessoa, com base em diversos fatores, tais como [13]:

  • duração da diabetes
  • idade ou esperança de vida
  • doenças que uma pessoa pode ter
  • doença cardiovascular ou outras complicações relacionadas com a diabetes
  • insensibilidade à hipoglicemia
  • outras considerações individuais do paciente

Um elemento central do controlo da glicemia consiste na personalização dos níveis-alvo, com base numa análise de risco/benefício realizada por si e pela sua equipa de cuidados de saúde [1,5,14]

 

Testes para medição dos níveis de glicemia

Existem várias formas de medir os níveis de glicemia . Os testes para medição podem ser realizados por si ou a sua equipa de cuidados de saúde pode recomendar a realização de um conjunto de testes especializados. 

A automonitorização pode ser realizada mediante a utilização de [8,9,12,14]

  • Medidor de glicemia: basicamente, um teste de picada no dedo , também conhecido como teste de punção no dedo
  • Sistemas de monitorização contínua da glicose (MCG)
  • Sistemas de monitorização flash da glicose (por vezes conhecidos como “sistemas de monitorização contínua da glicose com leitura intermitente”)

A sua equipa de cuidados de saúde procederá também a análises aos níveis de glicemia , sobretudo para o diagnóstico da diabetes. Estes testes incluem [12,15]:

  • teste de HbA1C, também conhecido como teste da hemoglobina glicada 
  • glicose plasmática em jejum (FPG)
  • teste aleatório da glicose plasmática (RPG)
  • teste oral de tolerância à glicose (OGTT) [12]

Os testes para medição dos níveis de glicemia são essenciais para o diagnóstico imediato da diabetes, para a gestão da doença e para prevenção de complicações potencialmente fatais [15].

A manutenção de níveis de glicemia saudáveis é um elemento essencial para o tratamento e autogestão da diabetes. A monitorização dos níveis de glicose no sangue através de testes rigorosos pode ajudar a evitar complicações micro e macrovasculares, a evitar episódios de hipoglicemia e hiperglicemia e a manter a qualidade de vida das pessoas com diabetes.

Fontes

  1. Davies, M. J., D’Alessio, D. A., Fradkin, J., Kernan, W. N., Mathieu, C., Mingrone, G., et al. Management of hyperglycaemia in type 2 diabetes. A consensus report by the American Diabetes Association (ADA) and the European Association for the Study of Diabetes (EASD). Diabetologia, 2018; 61(12), 2461-2498. doi: 10.1007/s00125-018-4729-5.
  2. “Blood glucose” topic overview, Science Direct, acedido em fev 2022. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/topics/agricultural-and-biological-sciences/blood-glucose
  3. “Carbohydrates,” Medline Plus, National Institutes of Health National Library of Medicine. Acedido em fev 2022. Disponível em: https://medlineplus.gov/carbohydrates.html
  4. Deshpande, A. D., Harris-Hayes, M., & Schootman, M. Epidemiology of diabetes and diabetes-related complications. Physical therapy, 2008; 88(11), 1254-1264. doi: 10.2522/ptj.20080020.
  5. Letters to the Editor, Glycemic Control Is an Important Consideration in Diabetes Care, Am Fam Physician. 2014; 90(8):524-526. PMID: 25369639.
  6. “Hyperglycemia and hypoglycemia in type 1 diabetes,” InformedHealth.org [Internet]. Cologne, Germany: Institute for Quality and Efficiency in Health Care (IQWiG); 2006. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279340/
  7. Mouri MI, Badireddy M. hyperglycaemia. [Atualizado em maio 2021]. Em: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; Acedido em Jan 2022. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430900/
  8. “Hypoglycaemia (Low Blood sugar),” American Diabetes Association. Acedido em fev 2022. Disponível em: https://www.diabetes.org/healthy-living/medication-treatments/blood-glucose-testing-and-control/hypoglycemia
  9. “Low Blood Glucose (hypoglycaemia),” National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, U.S. Department of Health and Human Services. Acedido em fev 2022. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/diabetes/overview/preventing-problems/low-blood-glucose-hypoglycemia
  10. World Health Organization, “Mean fasting blood glucose”. Acedido em fev 2022. Disponível em: https://www.who.int/data/gho/indicator-metadata-registry/imr-details/2380
  11. Shafiee, G., Mohajeri-Tehrani, M., Pajouhi, M., & Larijani, B. The importance of hypoglycemia in diabetic patients. Journal of Diabetes & Metabolic Disorders, 2012; 11(1), 1-7. doi: 10.1186/2251-6581-11-17.
  12. “Understanding A1C Diagnosis,” American Diabetes Association. Acedido em fev 2022. Disponível em: https://www.diabetes.org/diabetes/a1c/diagnosis
  13. “The Big Picture: Checking Your Blood Sugar,” American Diabetes Association. Acedido em fev 2022. Disponível em: https://www.diabetes.org/healthy-living/medication-treatments/blood-glucose-testing-and-control/checking-your-blood-sugar
  14. American Diabetes Association; 13. Children and Adolescents: Standards of Medical Care in Diabetes. Diabetes Care, 2019; 42 (Supplement_1): S148–S164. https://doi.org/10.2337/dc19-S013
  15. “Diabetes Tests & Diagnosis,” National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, U.S. Department of Health and Human Services. Acedido em fev 2022. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/diabetes/overview/tests-diagnosis
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Diabetes no mundo: as estatísticas e números mais recentes

Diabetes: a situação global em 2021

O número de casos de diabetes em todo o mundo está a aumentar? Que populações são mais afetadas pela diabetes? E que países têm o maior número de casos de diabetes? 

Neste artigo, analisamos todos os dados mais recentes sobre diabetes tipo 1 e tipo 2 em todo o mundo para responder a estas três perguntas e muito mais. Também olhamos para o que o futuro pode reservar e destacamos alguns dos principais desafios na luta contra esta doença crónica. 

Diabetes no mundo: números globais

A diabetes é uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo, afetando pessoas independentemente do país, faixa etária ou sexo [1]. Com aproximadamente 537 milhões de casos estimados, de acordo com os dados mais recentes disponíveis de 2021, o que representa cerca de 10,5% de toda a população adulta [2].

A diabetes tipo 2 é responsável pela grande maioria desses casos: as estimativas mostram que mais de 90% das pessoas que vivem com diabetes têm o tipo 2 [2].

Quanto à diabetes tipo 1, a International Diabetes Federation (IDF) relata que, em 2022, cerca de 8,75 milhões de pessoas em todo o mundo tinham este tipo de diabetes [3].

Isto sem considerar o número estimado de casos (a partir de dados de 2021) de diabetes não diagnosticada; em todo o mundo, acredita-se que aproximadamente 240 milhões de pessoas vivam com a doença sem diagnóstico [2].

Distribuição da diabetes em adultos por faixa etária e sexo

A nível global, entre 1990 e 2021, os adultos com 65 anos ou mais eram os mais propensos a ter diabetes, especialmente do tipo 2 [1]. Por outro lado, aproximadamente 64% dos quase nove milhões de pessoas que vivem com diabetes tipo 1 têm idades inferiores a essa faixa etária, entre 20 e 59 anos [3].

A diabetes tipo 2 também não está distribuída igualmente entre os sexos. Estimativas globais mostram que os homens não só são mais propensos a viver com esta forma de diabetes do que as mulheres, como também são mais propensos a receber um diagnóstico em idades mais jovens [4].

Em termos de diabetes tipo 1, a International Diabetes Federation (IDF) observa que há uma grave falta de dados disponíveis sobre populações adultas [3]. Isso pode explicar por que é difícil dizer quantos homens vivem com essa forma da doença em comparação com as mulheres, mesmo que o número total de casos de diabetes em todo o mundo seja maior nos homens do que nas mulheres [1].

Diabetes nas crianças e adolescentes

O relatório de 2022 do IDF Atlas mostra que 1,52 milhões (ou 17%) das pessoas que vivem com diabetes tipo 1 têm menos de 20 anos de idade [3]. Este número não é surpreendente, dado que a diabetes tipo 1 é responsável por aproximadamente 90% dos casos de diabetes com início na infância na maioria dos países ocidentais [5].

Menos crianças e adolescentes tendem a receber um diagnóstico de diabetes tipo 2 e há dados menos claros sobre a prevalência do diabetes tipo 2 nesta população [5]. 

Diabetes no mundo: que regiões têm o maior número de casos? E que países têm o menor? 

Números da diabetes por região

A prevalência da diabetes tende a variar dependendo do país e da região, com fatores socioeconómicos e disparidades no acesso aos cuidados de saúde sendo parcialmente responsáveis por essas diferenças.

No entanto, de acordo com os dados mais recentes disponíveis de 2021, a diabetes é geralmente mais prevalente no Norte de África, no Médio Oriente e na Oceânia [1].

Os países da Oceânia apresentam as taxas mais elevadas de prevalência de diabetes, com as Ilhas Marshall e a Samoa Americana no topo da lista [1]. As regiões da Oceânia também apresentam as taxas mais elevadas de prevalência de diabetes (mais de 10%) em jovens adultos com idades compreendidas entre os 24 e os 30 anos [1].

No Norte de África e no Médio Oriente, os países com a maior prevalência de diabetes incluem [1]:

  • Iraque
  • Kuwait
  • Catar
  • Bahrein
  • Afeganistão
  • Marrocos
  • Jordânia
  • Arábia Saudita
  • Líbano
  • Líbia
  • Argélia

No entanto, a prevalência da diabetes tipo 1 não reflete a mesma distribuição global. De acordo com o IDF Atlas de 2022, os dez países com o maior número de casos de diabetes tipo 1 são [3]:

  • Estados Unidos
  • Índia
  • Brasil
  • China
  • Alemanha
  • Reino Unido
  • Rússia
  • Canadá
  • Arábia Saudita
  • Espanha

Em relação às crianças e adolescentes com menos de 20 anos, esta ordem muda ligeiramente, com a Índia, os Estados Unidos, o Brasil, a China, a Rússia e a Arábia Saudita como os países onde a diabetes tipo 1 é mais comum [3].

Os países de rendimento médio e baixo também apresentam as taxas de mortalidade mais elevadas associadas à diabetes tipo 1 [3], enquanto, em geral, a África Subsariana Oriental apresenta as taxas regionais mais baixas de diabetes, com base nos dados recolhidos em 2021 [1].

Projeções futuras sobre os números da diabetes

Relatórios globais sobre os números da diabetes comprovam que esta doença crónica é um problema de saúde pública que precisa de ser encarado com seriedade. Com o número de casos em ascensão, os especialistas estimam que mais de 1,3 mil milhões de pessoas no mundo viverão com diabetes até 2050 [1]. Mas isso não é tudo. 

Estimativas recentes também sugerem que, até 2050, dos 204 países e territórios que estão a recolher dados sobre casos de diabetes, até 89 países terão uma taxa de diabetes superior a 10% [1].

Diabetes na gravidez

Desafios importantes na diabetes

A recolha de dados fiáveis sobre a prevalência da diabetes pode ser particularmente difícil, especialmente no que diz respeito à diferenciação entre diabetes tipo 1 e tipo 2 em adultos [3]. A falta de diagnóstico atempado da diabetes em pessoas em todo o mundo também pode representar um desafio substancial quando se trata de oferecer cuidados adequados [3].

Prevenir e tratar a diabetes tipo 2 também continua a ser um dos maiores desafios globais, sendo necessária mais investigação sobre os fatores de risco e as estratégias de gestão em diferentes populações em todo o mundo [1].

Prevenir a diabetes

A diabetes tipo 1 não é uma doença que se possa prevenir e as suas causas não são totalmente compreendidas [7]. No entanto, se reconhecer os sintomas, isso pode ajudar o seu médico a diagnosticar a doença e a iniciar o tratamento. 

A diabetes tipo 2 , por outro lado, pode ser prevenida ou retardada, e vários fatores relacionados com o estilo de vida podem aumentar o risco de desenvolvimento [7]. Estes incluem principalmente [8]:

  • Ter uma dieta pouco saudável
  • Estilo de vida sedentário
  • Fumar

Assim, adotar uma dieta saudável, praticar exercício físico regularmente e evitar ou deixar de fumar podem ajudar a reduzir o risco de ter diabetes tipo 2 [8].

Pode ser necessário realizar mais investigação para obter uma visão mais clara da prevalência da doença, mas, ao implementar estratégias de prevenção e diagnosticar a diabetes a tempo, podemos reduzir coletivamente a prevalência global desta doença.

Fontes

  1. GBD 2021 Diabetes Collaborators. Global, regional, and national burden of diabetes from 1990 to 2021, with projections of prevalence to 2050: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2021 [published correction appears in Lancet. 2023 Sep 30;402(10408):1132]. Lancet. 2023;402(10397):203-234. doi:10.1016/S0140-6736(23)01301-6, https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(23)01301-6/fulltext
  2. International Diabetes Federation (IDF), Facts & figures, Acedido em 21/12/2023. Disponível em: https://idf.org/about-diabetes/diabetes-facts-figures/
  3. IDF, IDF Diabetes Atlas (2022), Type 1 diabetes estimates in children and adults, Acedido em 21/12/2023. Disponível em: https://diabetesatlas.org/atlas/t1d-index-2022/
  4. Kautzky-Willer A, Leutner M, Harreiter J. Sex differences in type 2 diabetes [published correction appears in Diabetologia. 2023 Apr 12;:]. Diabetologia. 2023;66(6):986-1002. doi:10.1007/s00125-023-05891-x, https://link.springer.com/article/10.1007/s00125-023-05891-x
  5. Kahkoska AR, Dabelea D. Diabetes in Youth: A Global Perspective. Endocrinol Metab Clin North Am. 2021;50(3):491-512. doi:10.1016/j.ecl.2021.05.007, https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8374087/
  6. Perng W, Conway R, Mayer-Davis E, Dabelea D. Youth-Onset Type 2 Diabetes: The Epidemiology of an Awakening Epidemic. Diabetes Care. 2023;46(3):490-499. doi:10.2337/dci22-0046, https://diabetesjournals.org/care/article/46/3/490/148482/Youth-Onset-Type-2-Diabetes-The-Epidemiology-of-an
  7. World Health Organization (WHO), Diabetes, Acedido em 21/12/2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diabetes
  8. Pan American Health Organization, Diabetes, Acedido em 21/12/2023. Disponível em: https://www.paho.org/en/topics/diabetes
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Diabetes gestacional: Tudo o que precisa de saber

Diabetes gestacional

Diabetes gestacional

Diabetes gestacional: tudo o que precisa de saber

A diabetes gestacional é uma forma de diabetes que se desenvolve durante a gravidez [1]. No entanto, como a doença geralmente não causa sintomas percetíveis, muitas mães ficam frequentemente surpreendidas ou preocupadas quando descobrem que a desenvolveram [2].

Embora isto possa parecer preocupante, vale a pena saber que a grande maioria das mães com diabetes gestacional acaba por ter bebés perfeitamente saudáveis [2]. Sendo uma condição gerível, a diabetes gestacional pode ser melhorada fazendo algumas alterações dietéticas e praticando exercício físico regularmente [2].

Continue a ler para saber mais sobre a diabetes gestacional, incluindo o que é, como pode afetar a gravidez e que mudanças no estilo de vida podem ajudar a garantir que tanto a mãe como o bebé se mantêm saudáveis durante toda a gravidez.

O que é a diabetes gestacional?

Definida como qualquer forma de hiperglicemia ( glicose elevada no sangue) que se desenvolve pela primeira vez durante a gravidez [1], a diabetes gestacional é um dos três principais tipos de diabetes — juntamente com a diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2 [3].

Ao contrário da diabetes tipo 1, em que o corpo é incapaz de produzir insulina suficiente (uma hormona essencial que regula os nossos níveis de glicose no sangue) devido a um problema no sistema imunitário [3], na diabetes gestacional o seu corpo consegue produzir insulina . No entanto, esta não pode ser usada eficazmente devido a um problema chamado resistência à insulina , que dificulta o uso da insulina pelo corpo como deveria [4]. Este problema também está associado à diabetes tipo 2 [3].

A diabetes gestacional também pode começar quando o corpo não é capaz de produzir e usar toda a insulina necessária para a gravidez [4]. Sem insulina suficiente, a glicose (que o nosso corpo usa para energia) acumula-se no sangue, causando níveis elevados de glicose no sangue [4].

A diabetes gestacional geralmente desaparece após a gravidez [5].

Quão comum é a diabetes gestacional?

Não sabemos exatamente quão comum é a diabetes gestacional [1], mas sabemos que milhões de mulheres em todo o mundo são afetadas pela doença [4].

Também sabemos que a doença é muito mais prevalente em alguns países do que noutros [1]. Na Suécia, por exemplo, menos de 2% das mulheres têm diabetes gestacional [1]. No Canadá, contudo, pensa-se que quase 18% das mulheres a têm [1].

Causas da diabetes gestacional

A causa exata da diabetes gestacional ainda não é totalmente clara [4]. Mas os investigadores descobriram que tem algo a ver com as hormonas envolvidas na gravidez [4], especialmente aquelas associadas à placenta, que apoia o bebé à medida que cresce [4].

A placenta está associada a certas hormonas que aumentam os níveis de glicose no sangue ou causam resistência à insulina [2, 6]. Na diabetes gestacional, pensa-se que estas hormonas bloqueiam a ação da insulina da mãe e dificultam o uso da insulina pelo seu corpo [4].

A diabetes gestacional também pode ocorrer quando o corpo da mãe não é capaz de produzir e usar toda a insulina necessária para a gravidez [4].

Sintomas de diabetes gestacional

Embora a diabetes gestacional normalmente não cause sintomas [2], se os níveis de glicose no sangue subirem demasiado, isso pode causar sintomas semelhantes a outras formas de diabetes. Estes sintomas podem incluir [2]:

  • Cansaço
  • Fraqueza física ou fadiga
  • Níveis aumentados de sede

No entanto, como estes sintomas são geralmente leves, podem passar facilmente despercebidos. É por isso que a melhor forma de diagnosticar a diabetes gestacional é através de uma prova de tolerância à glicose [2].

Como a diabetes gestacional pode afetar a sua gravidez

Embora a maioria das mulheres que vivem com diabetes gestacional acabe por ter bebés perfeitamente saudáveis [2], em casos raros, podem ocorrer complicações. Estas podem incluir [2]:

  • Hipoglicemia , ou baixa glicose no sangue, no recém-nascido
  • Macrossomia, ou o bebé crescer para um tamanho maior do que o habitual, o que pode causar dificuldades durante o parto. Parteiras e médicos podem ajudar se isto ocorrer.
  • Pré-eclâmpsia – uma condição na mãe que pode tornar-se grave se não for tratada
  • Diabetes tipo 2 mais tarde na vida

Embora raro, é importante lembrar que trabalhar em estreita colaboração com a sua equipa de cuidados de saúde é a forma mais eficaz de manter estas complicações afastadas [4].

Diagnóstico e testes de diabetes gestacional

O diagnóstico da diabetes gestacional é efetuado em duas fases distintas:

  • Glicémia plasmática em jejum na primeira consulta de vigilância pré-natal. Se este valor for >92 mg/dl e <126 mg/dl, terá de realizar o diagnóstico de Diabetes Gestacional;
  • Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO) realizada entre as 24-28 semanas de gestação (a Prova de Tolerância à Glicose Oral realizada às 24-28 semanas de gestação consiste numa sobrecarga de 75 g de glicose diluída e posteriormente ingerida pela grávida.

Gestão e tratamento

Embora agir rapidamente seja fundamental, a diabetes gestacional é uma condição tratável [4, 5]. De facto, fazer pequenas alterações na sua dieta será frequentemente suficiente para ajudar os seus níveis de glicose no sangue a regressar ao intervalo alvo [2].

As principais recomendações de tratamento e gestão para a diabetes gestacional visam manter os níveis de glicose no sangue dentro do intervalo. Estas incluem tipicamente [2, 4, 5]:

  • Dieta especial e planos de refeições
  • Atividade física regular
  • Monitorização da glicose no sangue
  • Insulinoterapia ou medicação para a diabetes

Dieta e nutrição

Mudar a sua dieta pode muitas vezes ser suficiente para estabilizar os seus níveis de glicose no sangue [2]. No entanto, não deve fazer estas alterações sem falar primeiro com a sua equipa de cuidados de saúde [4, 8].

Como cada pessoa é diferente e tem necessidades variadas, a sua equipa de cuidados de saúde pode ajudá-la a desenvolver um plano de refeições que funcione para si e para as suas circunstâncias exatas [4, 8].

Embora cada plano de refeições seja individualizado, de um modo geral, o seu médico pode aconselhá-la a [5, 8]:

  • Comer mais fruta fresca e vegetais [5]
  • Ter atenção ao tamanho das porções [5]
  • Comer mais fibra [8]
  • Comer menos hidratos de carbono ou contar a quantidade de hidratos de carbono que come [8]
  • Evitar alimentos com muito açúcar e doces [8]
  • Limitar a gordura e escolher produtos lácteos com baixo teor de gordura [5, 8]

Atividade física

Tal como acontece com a sua dieta, deve consultar sempre o seu médico ou equipa de cuidados da diabetes antes de iniciar qualquer nova atividade física durante a gravidez [8].

Praticar atividade física de intensidade moderada demonstrou ajudar a controlar a glicose no sangue na gravidez [8].

Atividade moderada significa fazer mais do que as suas tarefas habituais, e incluirá atividades como [8]:

  • Caminhar
  • Participar numa aula de aeróbica pré-natal
  • Natação

Quando se trata de diabetes gestacional, o diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais [4]. A sua equipa de cuidados de saúde irá oferecer-lhe o rastreio da diabetes gestacional como parte dos seus cuidados de gravidez de rotina durante o segundo trimestre [2].

Faça perguntas, peça apoio e trabalhe com a sua equipa de cuidados da diabetes para tratar a sua condição eficazmente [4, 5]. Na maioria dos casos, apenas precisará de fazer algumas pequenas alterações no estilo de vida para a superar [2].

Fontes

  1. Mirghani Dirar A, Doupis J. Gestational diabetes from A to Z. World J Diabetes. 2017;8(12):489-511. doi:10.4239/wjd.v8.i12.489, https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5740094/
  2. InformedHealth.org [Internet]. Cologne, Germany: Institute for Quality and Efficiency in Health Care (IQWiG); 2006-. Gestational diabetes: Overview. [Updated 2020 Oct 22]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK293712/
  3. Solis-Herrera C, Triplitt C, Reasner C, et al. Classification of Diabetes Mellitus. [Updated 2018 Feb 24]. In: Feingold KR, Anawalt B, Blackman MR, et al., editors. Endotext [Internet]. South Dartmouth (MA): MDText.com, Inc.; 2000-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK279119/
  4. American Diabetes Association (ADA), Gestational diabetes. Acedido a 13 outubro 2024. Disponível em: https://diabetes.org/about-diabetes/gestational-diabetes
  5. American Diabetes Association (ADA), How to treat gestational diabetes. Acedido a 13 outubro 2024. Disponível em: https://diabetes.org/living-with-diabetes/life-stages/gestational-diabetes/how-to-treat-gestational-diabetes
  6. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 15. Management of Diabetes in Pregnancy: Standards of Medical Care in Diabetes-2022. Diabetes Care. 2022;45(Suppl 1):S232-S243. doi:10.2337/dc22-S015
  7. Quintanilla Rodriguez BS, Mahdy H. Gestational Diabetes. [Updated 2023 Aug 8]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK545196/
  8. Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development, NIH, DHHS. (2003). Managing Gestational Diabetes: A Patient's Guide to a Healthy Pregnancy (04-2788). Washington, DC: U.S. Government Printing Office. https://www.nichd.nih.gov/sites/default/files/publications/pubs/Documents/managing_gestational_diabetes.pdf
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