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Bombas de insulina e natação em adultos: o que precisa de saber

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Se tem diabetes tipo 1 e usa uma bomba de insulina , ou está a pensar usar uma, poderá ter interesse em conhecer o impacto do dispositivo na sua atividade física, tal como a natação. 

A terapêutica com bomba de insulina consiste num dispositivo portátil alimentado por bateria, que o utilizador usa, que fornece continuamente insulina de ação rápida através de uma cânula (uma pequena agulha ou dispositivo plástico) através da pele, para ajudar a gerir os níveis de glicemia [1]. Mas será que pode nadar com a sua bomba de insulina ?

Este artigo responde a esta e outras perguntas, como o que deve fazer se pretender retirar a bomba para nadar, e mais algumas sugestões para praticar natação com diabetes.

Os benefícios de nadar

Recomenda-se que as pessoas com diabetes pratiquem exercício regularmente, tanto pelos seus efeitos na diabetes como para a sua saúde em geral [2]

A natação é um dos exercícios aeróbicos (exercício que aumenta a frequência cardíaca e obriga a respirar mais depressa) que é sugerido às pessoas com diabetes [3,4]

O exercício regular, tal como a natação, apresenta benefícios consideráveis para a saúde das pessoas com diabetes tipo 1, tais como a melhoria da condição cardiovascular e o fortalecimento muscular [2], bem como a redução dos níveis de glicemia e o aumento da sensibilidade à insulina [4].

Pode ir nadar com uma bomba de insulina ?

Usar uma bomba de insulina não deve ser impedimento para praticar o exercício que mais gosta, tal como nadar [5].

É possível nadar com a bomba ligada, embora isso dependa, em grande parte, do tipo de bomba que usa [6].

Se usa uma bomba de insulina no seu dia a dia, mas pretende desligar a bomba para nadar, isso também é possível [6]. De uma forma geral, não há problema em desligar a bomba durante um período máximo de uma hora, mas deve obter o aconselhamento prévio da sua equipa de profissionais de saúde para a diabetes [6].

Tal como acontece com todos os cuidados da sua diabetes, deve falar com a sua equipa de profissionais de saúde se estiver a pensar realizar alterações, em especial se pretender informações sobre como desligar a sua bomba para a realização de atividades físicas [6].

Nadar com uma bomba de insulina

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Um dos aspetos mais importantes quando decidir se deve nadar com a sua bomba ligada ou desligada, é verificar junto da empresa responsável pela bomba como é que a bomba funcionará na água [6]

Nem todas as bombas são resistentes à água. Os fabricantes da bomba poderão informar sobre o grau de resistência à água ou o nível de impermeabilidade do modelo específico de bomba que usa [6].

Apenas as bombas totalmente impermeáveis são adequadas para uma utilização em piscina, porque as bombas não impermeáveis podem ser afetadas pela humidade [7].

Se está a usar a sua bomba de insulina na piscina, existem algumas coisas que pode fazer para simplificar a sua utilização:

  • Faça o planeamento do seu dia, incluindo os horários das refeições, reforços e dose de insulina [8]

  • Assegure-se de que a cânula está devidamente fixada [7]

  • Por vezes, o adesivo utilizado para o conjunto de infusão pode descolar-se na água [7]. Pode usar uma t-shirt ou uma parte superior de neopreno sobre o local da cânula , bem como um penso impermeável para a fixar [7]

Não se esqueça de abordar com a sua equipa de profissionais de saúde sobre a utilização da bomba na piscina, porque poderão fornecer-lhe mais conselhos.

Bombas não impermeáveis e natação: desligar

Embora a terapêutica com bomba de insulina permita o fornecimento de insulina ininterrupto e permanente [9], as pessoas desligam a bomba por diversos motivos, incluindo o duche e a natação [9].

A sua equipa de profissionais de saúde poderá fornecer indicações e formação sobre como parar e ligar a sua bomba de insulina , bem como desligar-se da bomba [10]

Para algumas pessoas, desligar a bomba durante o exercício pode ser adequado, especialmente devido ao potencial efeito de redução da glicemia resultante da atividade física [9].

As bombas podem ser desligadas durante um curto período, tal como acontece durante a substituição dos conjuntos de infusão, sem efeitos significativos na glicemia [9]. Contudo, após cerca de 30 minutos, ocorrem efeitos significativos e os níveis de glicemia começam a subir, porque o efeito da insulina de ação curta da sua bomba começa a desaparecer [9].

A sua equipa da diabetes falará consigo sobre os motivos adequados para desligar a bomba e como proceder em segurança [10].

Assim que tiver desligado a bomba, existem algumas sugestões que lhe permitirão desfrutar ao máximo da sua experiência de natação:

  • Comprove que o local da sua cânula está bem protegido e fixado [7]

  • Poderá necessitar de testar regularmente a glicemia durante o período de natação, incluindo antes, durante e após desligar a bomba [10]

Preste especial atenção assim que desligar a bomba e faça a monitorização de glicemia elevada [10]. Esta situação pode evitar a cetoacidose diabética (DKA), que pode acontecer se ocorrer uma interrupção prolongada da infusão de insulina [10].

Natação e glicemia

Praticar natação quando tem diabetes, tal como qualquer atividade física, é um processo de aprendizagem sobre como o seu organismo reage ao exercício. Para algumas pessoas, a natação reduz os níveis de glicemia , enquanto para outras, pode resultar numa glicemia superior ao normal [8]

Verificar os seus níveis de glicemia antes, durante e após a natação pode ajudar a compreender de que forma este exercício afeta o seu organismo [8].  

Poderá concluir que precisa de ajustar as suas doses de insulina nos dias de natação [8]. No caso de uma bomba de insulina , isto pode implicar a alteração do débito da sua infusão de insulina [8]. Cada pessoa reage de forma diferente, pelo que é importante obter o aconselhamento da sua equipa de profissionais de saúde [8].

Também é importante considerar que, durante o exercício, o combustível do nosso organismo são os hidratos de carbono, pelo que poderá necessitar de aumentar a ingestão de hidratos de carbono [8]. Isso pode incluir a ingestão de um reforço de hidratos de carbono, como uma barra de cereais ou uma peça de fruta, antes, durante ou após a natação [8].

Sempre que for nadar, também deve levar consigo o seu monitor de glicose e tratamento para a hipoglicemia [8]. No caso de uma sessão mais longa e intensa (mais de uma hora) poderá necessitar de ingerir algo que contenha hidratos de carbono, como bebidas desportivas ou géis com glicose [8].

Tal como acontece em toda a atividade física, incluindo a natação, a hidratação é importante [8], por isso, beba água regularmente durante a natação.

Os efeitos da natação podem durar mesmo depois de terminar o exercício. Para algumas pessoas, aumenta a sua sensibilidade à insulina (a eficácia do organismo em utilizar a insulina para reduzir os seus níveis de glicemia ) [8]. Isto significa que é importante verificar os seus níveis após a natação [8], para que possa ajustar a sua medicação de forma adequada.

Sugestões para nadar com diabetes

A natação é uma atividade divertida e, com um pouco de planeamento, é excelente para a sua saúde [2,4,8]. Existem algumas coisas que pode fazer para tornar a natação uma experiência agradável e descontraída.

Fale com a sua equipa da diabetes

Se vai começar a praticar natação, considere debater os seus planos com a sua equipa de profissionais de saúde. Isto é especialmente importante se tiver algumas preocupações como glicemia alta ou baixa enquanto pratica natação [6].

Dedique algum tempo a aprender sobre os efeitos do exercício nos seus níveis de glicemia

Todas as pessoas são diferentes, com respostas diferentes ao exercício físico, como a natação [6]. Poderá verificar que necessita de realizar alterações na sua dosagem de insulina nos dias em que pratica natação e, eventualmente, nos dias seguintes [6].

Cuide dos seus pés

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Se tem diabetes, existe maior probabilidade de ter complicações nos pés [8]. Antes de entrar na piscina, verifique os pés para garantir que não apresentam cortes, arranhões ou infeções, e use chinelos (ou semelhantes) na zona da piscina para evitar ferimentos ou infeções antes de entrar na água [6]

Também deve verificar os seus pés depois de nadar [6]. Se verificar que existe algo que não está a cicatrizar devidamente, comente com a sua equipa de profissionais de saúde para obter o aconselhamento necessário [8].

Cuide da sua tecnologia

Embora tenhamos comentado que deveria verificar se a sua bomba de insulina era resistente à água, poderá descobrir que a restante tecnologia que utiliza para gerir a sua diabetes não apresenta as mesmas características [6]. Poderá ser o caso dos sistemas de monitorização contínua da glicose , monitorização flash da glicose e outros sensores [6]. Cada modelo é diferente, por isso é importante verificar [6]. Quaisquer dispositivos não resistentes à água devem ser protegidos quando estiverem perto da piscina, para evitar que fiquem danificados.

Deve garantir que a insulina é conservada à temperatura adequada [6] (e afastada da exposição solar se estiver no exterior).

A natação é uma atividade que pode ser divertida e adequada para a sua saúde [2,4,8]. Com um pouco de planeamento, é possível praticar natação quando usa uma bomba de insulina [6]

A sua equipa de profissionais de saúde poderá fornecer o apoio necessário sempre que pretender esclarecer quaisquer dúvidas sobre a utilização da bomba, ou como integrar o exercício físico na sua vida diária.

Fontes

  1. Richardson, E.A. Insulin pump therapy: A guide for non-specialist staff. Journal of Diabetes Nursing. 2019;23(01): 1-7.
  2. Colberg, S.R., Sigal, R.J., Yardley, J.E., Riddell, M.C., Dunstan, D.W., Dempsey, P.C., Horton, E.S., Castorino, K, Tate, D.F. Physical Activity/Exercise and Diabetes: A Position Statement of the American Diabetes Association. Diabetes Care 2016; 39 (11): 2065–2079. DOI: 10.2337/dc16-1728
  3. National Institute of Diabtes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Diabetes diet, eating, and physical activity. Acedido em maio 2022. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/diabetes/overview/diet-eating-physical-activity.
  4. Sideravičiūtė, S. et al. The effect of long-term swimming program on glycemia control in 14–19-year aged healthy girls and girls with type 1 diabetes mellitus. Medicina (Kaunas) 2006; 42(6): 513-517.
  5. Alsairafi, Z.K. et al. A qualitative study exploring patients’ experiences regarding insulin pump use. Saudi Pharmaceutical Journal. 2018; 26(4): 487-495. DOI: 10.1016/j.jsps.2018.02.010
  6. Diabetes UK & Swim England. Diabetes and Competitive swimming. Acedido em 2022. Disponível em: https://www.swimming.org/library/documents/4235/download.
  7. Daniels, P. Swimming whilst wearing an insulin pump. Michigan State University. Acedido em maio 2022. Disponível em: https://www.canr.msu.edu/news/swimming_while_wearing_an_insulin_pump.
  8. Diabetes UK. Swimming when you have diabetes. Acedido em maio 2022. Disponível em: https://www.diabetes.org.uk/guide-to-diabetes/managing-your-diabetes/exercise/swimming-diabetes
  9. Zisser, H. Quantifying the Impact of a Short-Interval Interruption of Insulin-Pump Infusion Sets on Glycemic Excursions. Diabetes Care. 2008; 31 (2): 238–239. https://doi.org/10.2337/dc07-1757
  10. Aleppo, G. Insulin pump: what to know before you disconnect. EndocrineWeb. Acedido em maio 2022. Disponível em: https://www.endocrineweb.com/guides/how-disconnect-pump-plus-tips-traveling-pump-using-pump-school
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Dieta vegana e vegetariana: um guia para a diabetes tipo 1

Vegan food

Uma dieta vegetariana pode ser uma opção saudável para pessoas com diabetes tipo 1 [1,2]

Contudo, é necessário ter em atenção alguns aspetos caso tenha recebido recentemente um diagnóstico de diabetes tipo 1, e siga, ou esteja a pensar seguir, uma dieta vegetariana ou vegana [2]

Este guia analisa os benefícios e desvantagens de uma dieta vegetariana para pessoas com diabetes, bem como o que precisa de ter em atenção caso decida optar por uma dieta vegana ou vegetariana com diabetes tipo 1.

O que são dietas vegetarianas e veganas?

De uma forma geral, as dietas vegetarianas excluem carne, peixe e marisco, ou outros produtos que contenham estes alimentos [2,3]. Estas dietas são compostas, principalmente, por cereais, vegetais, fruta, legumes, sementes e frutos secos [3].

Contudo, existem variações nas dietas vegetarianas. Podem ser divididas em:

  • dietas lacto-ovo-vegetarianas, também conhecidas de forma mais simples como a dieta vegetariana. Esta dieta exclui peixe, marisco e carne, mas inclui laticínios (leite, queijo, manteiga, iogurte, etc.) e ovos [3].
  • A dieta vegana, que exclui laticínios, ovos e outros produtos de origem animal, para além da carne, peixe e marisco [3].

De uma forma geral, as dietas vegetarianas costumam ser associadas a diversos benefícios para a saúde [2,3]. Alguns dos benefícios para a saúde associados às dietas vegetarianas incluem [3]

  • Menor risco de doenças cardiovasculares
  • Níveis reduzidos de colesterol  
  • Menor risco de hipertensão ( tensão arterial elevada)
  • Menor risco de diabetes tipo 2
  • IMC (índice de massa corporal) mais baixo
  • Incidência geral de cancro reduzida

De uma forma geral, estes benefícios para a saúde podem ser resultado de as dietas vegetarianas, por norma, apresentarem níveis reduzidos de gorduras saturadas e colesterol , bem como níveis mais elevados de nutrientes importantes, como fibras, magnésio, potássio, vitamina C e vitamina E (entre outros) [3]

Por outro lado, existem preocupações se as necessidades nutricionais exigidas durante a primeira infância, infância e adolescência podem ser alcançadas quando é adotada uma dieta vegetariana ou vegana [2]. As dietas veganas e vegetarianas podem resultar em níveis reduzidos de vitamina B12, cálcio, vitamina D, zinco e ácidos gordos [2,3].

Seguir uma dieta vegetariana

Para além dos benefícios para a saúde, está demonstrado que as dietas vegetarianas podem ser benéficas na prevenção da diabetes e melhoria da gestão da glicemia nas pessoas com diabetes tipo 2 [4,5].

No caso da diabetes tipo 1, não é evidente se uma dieta vegetariana pode ajudar a melhorar a gestão da doença [5]. Contudo, existem alguns estudos que identificam benefícios para a saúde das pessoas com diabetes tipo 1 que seguem uma dieta diabética vegetariana [5,6].

Se tem diabetes tipo 1, uma dieta vegetariana pode ser uma opção saudável para si, mas se está a pensar mudar para este tipo de dieta, existem alguns aspetos que precisa de ter em atenção [1]. O ideal é consultar a sua equipa de profissionais de saúde antes de adotar uma nova dieta [1]

A dieta vegetariana é boa para a diabetes? Benefícios possíveis

Os vegetarianos tendem a apresentar um índice de massa corporal (IMC) inferior e uma maior sensibilidade à insulina do que os omnívoros, o que pode ter efeitos benéficos na prevenção da diabetes tipo 2 [4]. De acordo com alguns estudos, o consumo de cereais integrais, fruta e vegetais, em especial hortaliças de folha e tubérculos, é considerado especialmente benéfico [4]

Adotar uma dieta vegetariana também ajuda a melhorar os níveis de glicemia nas pessoas que já têm diabetes [4].

De uma forma geral, o aumento da ingestão de cereais integrais, fruta, vegetais e legumes é bastante recomendado para a diabetes tipo 1 e tipo 2, porque estes alimentos podem melhorar a gestão da glicemia [5]. Em particular, a elevada quantidade de fibra contida nestes alimentos pode baixar os níveis de glicemia após as refeições, nas pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 [5].

Além disso, os níveis reduzidos de gorduras saturadas nas dietas de base vegetal diminuem os fatores de risco cardiovasculares, e esta diminuição pode oferecer potenciais benefícios às pessoas com diabetes [6]

Um estudo acompanhou durante oito semanas, pessoas com diabetes tipo 1 e pessoas com diabetes tipo 2 que seguiam uma dieta vegetariana [6]. O estudo identificou os seguintes benefícios para a saúde de todos os participantes [6]:

  • Melhoria dos níveis de HbA1c  
  • Redução do total dos níveis de colesterol
  • Redução do colesterol lipoproteína de baixa densidade (LDL)
  • Perda de peso
  • Níveis reduzidos de lípidos (gorduras)

Contudo, é importante mencionar que os níveis de triglicéridos (outro tipo de gordura) foram, em alguns casos, superiores [6]

Dietas vegetarianas e diabetes: alguns alertas

É necessário ter em atenção alguns potenciais riscos resultantes da adoção de uma dieta vegetariana, em especial, se tiver diabetes.

Eliminar as proteínas da carne e do peixe pode levar a um aumento do consumo de hidratos de carbono com a dieta vegetariana [2]. Por sua vez, esta situação pode aumentar a glicemia e resultar em aumento de peso [2]. Por isso, é importante monitorizar a carga glicémica nos hidratos de carbono e ajustar a toma de insulina [2]

Ser vegetariano também não significa que não corra o risco de comer comida processada, não saudável [1]. Uma dieta vegetariana saudável é composta por cereais integrais, pelo que deve evitar alimentos refinados e processados que contêm aditivos [1]

Comer muita fibra também é essencial. A ingestão de uma elevada quantidade de fibras na sua dieta abranda o processo de digestão da proteína vegetal, o que pode resultar numa melhor gestão glicémica [1]. Existem algumas formas de aumentar a sua ingestão de fibra, como ingerir fruta inteira, incluindo a casca, em vez de beber sumo de fruta [1].

Tanto as dietas vegana como vegetariana apresentam o risco da falta de alguns nutrientes, como a vitamina B12 e ácidos gordos n-3 (ómega-3), pelo que é aconselhável a sua monitorização e compensação com suplementos [2].

Dieta vegana e diabetes tipo 1

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Se tem diabetes tipo 1, uma dieta vegana (também conhecida como dieta à base de plantas) pode ajudar a gerir melhor a sua diabetes [1]

Contudo, primeiro, é recomendável que fale com a sua equipa de profissionais de saúde para saber se quer fazer a transição para uma dieta vegana [1].

Os benefícios da dieta vegana para a diabetes tipo 1

Os benefícios da dieta vegana para a diabetes tipo 2 estão bem documentados [5]. Vários estudos indicam que uma dieta vegana, com baixo teor de gorduras, pode melhorar a sensibilidade à insulina e a gestão da glicemia em pessoas com diabetes tipo 2 [5]. Outro estudo indica que entre todas as dietas vegetarianas, o veganismo estava associado ao menor risco de diabetes tipo 2 [4]. 

Para a diabetes tipo 1, as conclusões são menos evidentes e as dietas veganas ainda não foram testadas em ensaios aleatorizados [5].

Contudo, alguns casos de estudo sugerem que uma dieta vegana pode melhorar a sensibilidade à insulina , reduzir a necessidade de insulina e melhorar a gestão glicémica em pessoas com diabetes tipo 1 [5].

Muitos estudos revelaram que as dietas à base de plantas, com baixo teor de gorduras, reduzem o risco de obesidade e doenças cardiovasculares. Assim, é razoável esperar que a redução das gorduras saturadas, como parte de uma dieta vegana, tenha benefícios semelhantes nas pessoas com diabetes tipo 1 [2].

Diabetes tipo 1 e uma dieta vegana: alguns alertas 

Se tem diabetes tipo 1 e pretende adotar uma dieta vegana, deve ter alguns aspetos em consideração.

Primeiro, uma dieta vegana pode ser mais rica em hidratos de carbono [2,5]. Além de aumentar os níveis de glicemia , a ingestão de mais hidratos de carbono obriga a um ajuste na insulina , que pode originar aumento de peso e ficar com excesso de peso [2]. É importante monitorizar a sua ingestão de hidratos de carbono se mudar para uma dieta vegana, pelo que é muito importante falar com um nutricionista e/ou consultar a sua equipa de profissionais de saúde antes de mudar para esta dieta [1]. A sua equipa de profissionais de saúde pode ajudar a monitorizar a sua ingestão de hidratos de carbono, e também pode prescrever suplementos (tais como vitamina B12) para prevenir deficiências alimentares [1].

As pessoas veganas também estão mais sujeitas a uma ingestão insuficiente de gorduras e de cálcio [2]. Procure vegetais com baixo teor de oxalato e fitato, produtos de soja, água mineral rica em cálcio, frutos secos e sementes para boas fontes de cálcio [2]

Se vai transitar para uma dieta vegana, deverá monitorizar os seus níveis de glicemia de forma mais cuidadosa. Um caso de estudo recente revelou episódios repetidos e inesperados de hipoglicemia nos primeiros dias a várias semanas após a transição para uma dieta vegana [5]

Receitas vegetarianas para a diabetes

Existem muitos recursos online com excelentes ideias de receitas vegetarianas e veganas. 

A American Diabetes Association (ADA) inclui um Centro Alimentar para a Diabetes que permite a pesquisa personalizada de receitas. Basta assinalar as caixas “vegan” (vegana) ou “vegetarian” (vegetariana) no filtro de receitas, ou escrever “vegetarian recipe” (receitas vegetarianas) na caixa de pesquisa [7].

A ADA também já publicou livros, tais como “The American Diabetes Association Vegetarian Cookbook”, que pode adquirir aqui na Amazon, e “Vegetarian Pleasures: Quick & Easy Menus for People With Diabetes”, disponível também na Amazon.

Existem outros websites em inglês que incluem receitas vegetarianas e veganas adequadas para pessoas com diabetes tais como:

A sua equipa de profissionais de saúde poderá aconselhar outros recursos online e receitas vegetarianas para a diabetes.

Mudar para uma dieta vegetariana ou vegana adequada para a diabetes pode ser uma opção saudável com inúmeros benefícios. Contudo, também existem alguns alertas que não deve descurar, pelo que deve consultar a sua equipa de profissionais de saúde antes de mudar para estas dietas [1,6].

Fontes

  1. Sue Cotey, Cleveland Clinic. Want to Go Vegetarian? What to Do If You Have Diabetes., RN, CDCES. Acedido em agosto 2022. Disponível em: https://health.clevelandclinic.org/want-go-vegetarian-diabetes/
  2. Tromba V, Silvestri F. Vegetarianism and type 1 diabetes in children. Metabol Open. 2021 Jun 6;11:100099. doi: 10.1016/j.metop.2021.100099. PMID: 34159308; PMCID: PMC8203836. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8203836/
  3. Craig WJ, Mangels AR; American Dietetic Association. Position of the American Dietetic Association: vegetarian diets. J Am Diet Assoc. 2009 Jul;109(7):1266-82. doi: 10.1016/j.jada.2009.05.027. PMID: 19562864. https://www.jandonline.org/article/S0002-8223(09)00700-7/fulltext
  4. Lee Y, Park K. Adherence to a Vegetarian Diet and Diabetes Risk: A Systematic Review and Meta-Analysis of Observational Studies. Nutrients. 2017 Jun 14;9(6):603. doi: 10.3390/nu9060603. PMID: 28613258; PMCID: PMC5490582. https://www.mdpi.com/2072-6643/9/6/603
  5. Kahleova H, Carlsen B, Berrien Lopez R, Barnard ND (2020) Anti-Diabetic, Haematinic and Anti-Cholesterolmic Effects of Wheat (Triticum Aestivum Linn.) Plant-Based Diets for Type 1 Diabetes. J Diab Metab. 11:847. doi: 10.35248/2155-6156.20.11.847. https://www.iomcworld.com/open-access/plantbased-diets-for-type-1-diabetes.pdf
  6. Adatorwovor, R.;Sharma, N.; McCoy, D.; Wasserstrom, S.; Robinson, M.; Nyenhuis, J.; Suryanarayanan, S. The Efficacy of Plant-Based Dietary Program in Patients with Diabetes: A Pilot Study. Diabetology2021,2,259–271. https://www.mdpi.com/2673-4540/2/4/24
  7. American Diabetes Association (ADA), Diabetes Food Hub. Acedido em outubro 2022. Disponível em: https://www.diabetesfoodhub.org/
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Um guia para a HbA1c: acerca do teste de HbA1c

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HbA1c significa “hemoglobina glicada”, um marcador importante dos níveis de glicemia e do controlo da glicemia a longo prazo [1,2].

A medição dos níveis de HbA1c pode ajudar a diagnosticar a diabetes e a pré-diabetes [1]. Se já recebeu um diagnóstico de diabetes, um teste de HbA1c pode também ajudar a sua equipa de profissionais de saúde a gerir a doença [3]. Quando o valor de HbA1c é superior ou igual a 6,5%, deverá privilegiar-se, para o diagnóstico da diabetes, o valor tradicional da glicose , obtida no plasma venoso em jejum ou os valores da prova de tolerância à glicose oral (PTGO) [11]

Neste guia, vamos analisar mais atentamente o teste de HbA1c, como realizar um teste de HbA1c, por que motivo é necessário medir os níveis de HbA1c , e as diferenças entre o teste de HbA1c e outras formas de monitorização dos níveis de glicemia .

O que é a HbA1c?

O teste de HbA1c é também conhecido como o teste de A1c, o teste da hemoglobina glicada, ou o teste de hemoglobina A1c [2].

Mede a “hemoglobina glicada”, ou seja, a hemoglobina que está “revestida” com glicose da corrente sanguínea [2]

Depois de a glicose ser obtida a partir dos alimentos e entrar na corrente sanguínea, liga-se à hemoglobina , a proteína que confere ao sangue a sua cor vermelho vivo. A sua principal função é transportar o oxigénio dos pulmões para todas as células do nosso organismo [2].

O processo de glicação é normal [1] e é o que permite a ligação da glicose à hemoglobina [3].

Os níveis de glicemia mais elevados são visíveis na superfície da proteína hemoglobina [2]. O teste de HbA1c mede a percentagem dos seus glóbulos vermelhos com hemoglobina revestida com glicose [3]

Quanto mais elevada for a percentagem, maior é a probabilidade de ter mais glicose no seu sangue.

O que é um teste de HbA1c?

O teste de HbA1c no sangue é utilizado para determinar se os níveis médios de glicemia de uma pessoa estão no intervalo “normal” (o intervalo sem diabetes) ou no intervalo-alvo , para o tratamento e a gestão da diabetes [1,2]. O teste apresenta uma média do nível de glicemia nos últimos 90 dias [2]

O teste de HbA1c pode ser realizado num local de prestação de cuidados (ou seja, em casa, numa farmácia, num consultório clínico, num hospital, etc.), ou pode ser enviado para um laboratório [2,4].

O teste não requer uma preparação especial, como estar em jejum. Envolve a colheita de uma amostra de sangue num capilar através de uma picada no dedo ou no seu braço [3]

Todos os profissionais de saúde que cuidam de pessoas com diabetes devem conhecer profundamente e saber interpretar um teste de HbA1c, independentemente de se tratar de um médico, enfermeiro ou farmacêutico [2,3].

Os benefícios de alcançar os níveis-alvo de HbA1c

Os testes de HbA1c podem prever e evitar a hiperglicemia crónica, ou níveis elevados de glicemia, o que pode ajudar a reduzir o risco de complicações a longo prazo [1].

Diversos estudos demonstraram que o atingimento dos níveis-alvo de HbA1c reduz o risco de desenvolver complicações microvasculares, como retinopatia , neuropatia e doença renal diabética na diabetes tipo 1 e tipo 2 [2,6].

O risco de ataques cardíacos, AVC e doença cardiovascular é também inferior com um bom controlo glicémico [1,6], sobretudo a longo prazo [2].

No entanto, é importante para os profissionais de saúde terem presente que, em alguns pacientes com diabetes tipo 1, o risco de hipoglicemia grave é superior aos potenciais benefícios do controlo glicémico intensivo [6].

Com que frequência se devem medir os níveis de HbA1c ?

O teste de A1C deve ser realizado de forma regular em todos os pacientes com diabetes, desde a avaliação inicial e, seguidamente, como parte do seu cuidado continuado da diabetes [6].

A determinação da HbA1c deve ser realizada, pelo menos, semestralmente em todas as pessoas com diabetes. Pode ser realizada, com maior frequência, com intervalo mínimo de 3 meses, em indivíduos com diabetes cujo tratamento mudou ou que não alcançaram os objetivos terapêuticos preconizados [11].

Nas pessoas com diabetes tipo 1, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma monitorização mais frequente do que a monitorização de duas vezes por ano recomendada para a diabetes tipo 2 [8].

A diferença entre o teste de HbA1c e a monitorização da glicemia

O teste de HbA1c e a monitorização da glicemia podem ser utilizados para medir os níveis de glicemia , mas existem diferenças entre os dois tipos de testes. 

O teste de HbA1c pode apresentar uma leitura dos níveis médios de glicose ao longo de um período de 2–3 meses [1,5], ao passo que os testes dos níveis de glicemia apresentam uma leitura num determinado ponto no tempo [1,8].

Assim, a monitorização dos níveis de glicemia permite captar variações de curto prazo na sua glicemia, ao contrário do teste de HbA1c [3]. Por exemplo, duas pessoas podem ter o mesmo nível de HbA1c, mas uma delas pode ter picos e descidas na glicemia [3].

Acompanhar as flutuações da sua glicemia ao longo do dia, e quais as atividades ou alimentos com impacto na mesma, pode ajudá-lo a tomar uma intervenção de tratamento imediata como, por exemplo, administrar insulina . Pode ainda ajudar a evitar episódios de hiperglicemia (níveis elevados de glicose ) ou hipoglicemia (níveis baixos de glicose ) [6].

Diagnosticar a diabetes

O teste de HbA1c poderá ser mais prático de realizar, não sendo necessário estar em jejum para fazer o teste, ao contrário do teste da glicose plasmática em jejum ou da prova de tolerância à glicose oral (PTGO) [8,9].

Contudo, existem determinados fatores que podem tornar o teste de HbA1c menos preciso, tais como fatores genéticos ou algumas doenças como malária ou algumas anemias [9]. De salientar também que, apesar de os testes de HbA1c serem úteis e práticos quando comparados com as medições de glicose plasmática para o diagnóstico da diabetes, os testes de HbA1c não estão disponíveis em muitos países [9].

A OMS adverte ainda que a realização de um único teste de HbA1c não é suficiente para realizar um diagnóstico de diabetes e que são necessários mais estudos em todos os principais grupos étnicos para determinar se os níveis de HbA1c conseguem prever com precisão as complicações da diabetes [9].

 

Fontes

  1. Sherwani, S. I., Khan, H. A., Ekhzaimy, A., Masood, A., & Sakharkar, M. K. “Significance of HbA1c test in diagnosis and prognosis of diabetic patients.” Biomarker Insights 2016:11 95–104 doi: 10.4137/BMI.S38440. https://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.4137/BMI.S38440
  2. Eyth, E., & Naik, R. “Hemoglobin A1C.” [Updated 2021 Apr 5]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 jan. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK549816/
  3. All About Your A1C.” Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Acedido em março 2022. https://www.cdc.gov/diabetes/managing/managing-blood-sugar/a1c.html
  4. Definitions: Point of Care testing.” Department of Health, Australian Government. Acedido em março 2022. https://www1.health.gov.au/internet/publications/publishing.nsf/Content/qupp-review~qupp-definitions
  5. Diabetes: Type 2 diabetes management.” World Health Organization (WHO) Package of Essential Noncommunicable Diseases (PEN). https://www.who.int/publications/i/item/9789240009226
  6. ARG, T. “Glycemic Targets: Standards of Medical Care in Diabetes—2018.” American Diabetes Association, Diabetes Care 1 January 2018; 41 (Supplement_1): S55–S64. https://doi.org/10.2337/dc18-S006
  7. Lind M, Pivodic A, Svensson A, Ólafsdóttir A F, Wedel H, Ludvigsson J et al. “HbA1c level as a risk factor for retinopathy and nephropathy in children and adults with type 1 diabetes: Swedish population based cohort study.” BMJ 2019; 366:l4894 doi:10.1136/bmj.l4894 https://www.bmj.com/content/366/bmj.l4894
  8. Global report on diabetes.” World Health Organization, 2016. https://www.who.int/publications/i/item/9789241565257
  9. Use of Glycated Haemoglobin (HbA1c) in the Diagnosis of Diabetes Mellitus: Abbreviated Report of a WHO Consultation.” (No. WHO/NMH/CHP/CPM/11.1). World Health Organization, 2011. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26158184/
  10. Johns Hopkins University Bloomberg School of Public Health. "Hemoglobin A1c outperforms fasting glucose for risk prediction." ScienceDaily. ScienceDaily, 10 março 2010. https://www.sciencedaily.com/releases/2010/03/100303192434.htm
  11. Direção-Geral da Saúde. Norma Nº 033/2011, atualizada a 06/12/2023: “Prescrição e Determinação da Hemoglobina Glicada A1c” https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0332011-de-30092011-atualizada-a-06122012-jpg.aspx
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Como fazer o teste de diabetes?

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Continue a ler para ficar a saber em que consiste um teste de diabetes, e os critérios em que se baseia um diagnóstico de diabetes positivo.

Teste de diabetes tipo 1 e tipo 2

Para saber se tem diabetes é necessário que um profissional de saúde recolha uma amostra de sangue para medir os seus níveis de glicose (açúcar) no sangue. Esta análise sanguínea pode ser realizada num laboratório médico:

  • após um período mínimo de 8 horas em jejum;
  • a qualquer hora do dia;
  • após ingerir uma bebida doce (75 g de glicose diluída em água) no seguimento de um período de jejum de, pelo menos, 8 horas (sem comer, ingerir bebidas alcoólicas ou fumar); este teste, denominado prova de tolerância à glicose oral (PTGO), deve ser supervisionado por um laboratório [1,2,3,4,5].

De acordo com as orientações mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Federação Internacional de Diabetes (IDF), a diabetes é diagnosticada se os seus resultados da análise ao sangue revelarem que:

  • o seu nível de glicemia é de 126 mg/dl (7,0 mmol/l ) ou superior, quando a análise ao sangue tiver sido realizada em jejum;
  • o seu nível de glicemia é de 200 mg/dl (11,1 mmol/l ) ou superior, quando a análise ao sangue tiver sido a qualquer hora do dia;
  • o seu nível de glicemia é de 200 mg/dl (11,1 mmol/l ) ou superior duas horas após a PTGO;
  • a sua HbA1c ( hemoglobina glicada) é igual ou superior a 6,5% (48 mmol/mol), independentemente de a análise ao sangue ter sido realizada em jejum. É necessário ter em consideração que, em alguns casos (p. ex., gravidez, carência de ferro, ou doenças do baço, fígado ou rins), as leituras de HbA1c podem ser erróneas [1,2,3,4,5].

Os resultados devem ser confirmados através da realização de mais uma ou várias análises ao sangue, no espaço de 14 dias após a primeira análise [1,2,3]. Se for confirmado um diagnóstico positivo, podem ser considerados e analisados outros indicadores para determinar se é diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2 :

  • idade;
  • índice de massa corporal (IMC);
  • sintomas;
  • a presença no sangue de autoanticorpos que afetam as células do pâncreas que produzem insulina (as células beta dos ilhéus de Langerhans) [1,4,5].

Teste de pré-diabetes

Os testes de pré-diabetes (quando existe um risco elevado de desenvolver diabetes tipo 2 ) também podem ser realizados a partir de uma ou mais análises ao sangue [1,3,5].

De acordo com a OMS e com a maioria das organizações de diabetes, as suas análises ao sangue apresentam um diagnóstico positivo de pré-diabetes quando:

  • os seus níveis de glicemia em jejum são inferiores a 126 mg/dl (7,0 mmol/l ), e a glicemia se encontra entre 140 e 200 mg/dl (7,8-11,1 mmol/l ) duas horas após a PTGO;
  • os seus níveis de glicemia em jejum se encontram entre 110 e 125 mg/dl (6,1-6,9 mmol/l ) [5].

Deve ser tido em consideração que os critérios de rastreio apresentados pela American Diabetes Association (ADA) são ligeiramente diferentes, ao recomendar o diagnóstico de pré-diabetes com os valores de HbA1c entre 5,7 e 6,4% (39-47 mmol/mol) e/ou níveis de glicemia em jejum entre 100 e 125 mg/dl (5,6-6,9 mmol/l ) [1,3].

Rastreio para diabetes gestacional

A OMS e a International Federation of Gynaecology and Obstetrics (FIGO) definem a diabetes gestacional como sendo a diabetes que se desenvolve ou é diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez (geralmente, após as 24 semanas) [2,3,5].

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Os critérios de rastreio para o diagnóstico positivo de diabetes gestacional conforme definido pela OMS são:

  • um nível de glicemia em jejum de 92 mg/dl (5,1 mmol/l ) ou superior;
  • uma prova de tolerância à glicose que apresenta um nível de glicemia de 180 mg/dl (10,0 mmol/l ) ou superior após uma hora, e um valor de glicemia de 153 mg/dl (8,5 mmol/l ) ou superior após duas horas [2,3,5].

Se tiver a mínima dúvida ou necessitar de qualquer esclarecimento, é recomendável contactar o seu médico de família. 

Fontes

  1. Karly Pippitt, Marlana Li, Holly E Gurgle. Diabetes Mellitus: Screening and Diagnosis. Am Fam Physician. 2016; 93(2):103-9. PMID: 26926406.
  2. A. Petersmann and al. Definition, Classification and Diagnosis of Diabetes Mellitus. Exp Clin Endocrinol Diabetes 2019; 127 (Suppl 1): S1–S7. doi: 10.1055/a-1018-9078.
  3. American Diabetes Association. Classification and Diagnosis of Diabetes: Standards of Medical Care in Diabetes 2020. Diabetes Care 2020; 43(Suppl. 1):S14–S31. doi: 10.2337/dc20-S002.
  4. L.A. Dimeglio, C. Evans-Molina, R.A.Oram. Type 1 diabetes. Lancet. 2018; 391(10138): 2449–2462. doi: 10.1016/S0140-6736(18)31320-5.
  5. IDF. Diabetes Atlas. 9th edition. 2019.
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Como dormir com uma bomba de insulina

dormir

Os modelos mais recentes das bombas de insulina são compactos, robustos, fáceis de utilizar e integram muitas funcionalidades úteis. Isto significa que podem ser usadas sem afetar o conforto do utilizador, mesmo durante a noite [1,2,3,4]! Neste artigo, vai encontrar informações e sugestões úteis sobre como aproveitar da melhor forma o seu sono com uma bomba de insulina .

Gerir a sua diabetes durante a noite com uma bomba de insulina

Desde a sua introdução na década de 1970, a tecnologia da bomba de insulina registou uma grande evolução, sendo agora dispositivos muito precisos e fiáveis [1,2,4].

Atualmente, algumas bombas podem ser combinadas com um sistema de monitorização contínua da glicose (MCG) que mede os níveis de glicemia a cada 3 a 15 minutos (consoante o sistema) através de um sensor colocado debaixo da pele. Isto permite-lhe ajustar ou programar o fornecimento de insulina em tempo real, de acordo com as suas leituras de glicemia [1,3,5].

Uma das principais vantagens de utilizar uma bomba de insulina em conjunto com um sistema MCG é a funcionalidade de alarme. Esta serve para alertar em caso de hiperglicemia ou hipoglicemia ao emitir um sinal audível ou vibração para que possa realizar os ajustes necessários [1,2,5].

Algumas bombas incluem ainda a funcionalidade “suspensão do limiar” ou “suspensão de descida da glicose ”. O sensor MCG envia automaticamente as leituras de glicemia para a bomba, que utiliza um algoritmo para suspender o fornecimento da insulina basal durante um período preciso de tempo (p. ex., 30 minutos) quando a glicemia desce abaixo de um valor predefinido (p. ex., 70 mg/dl), caso o utilizador da bomba não reaja ao alerta de hipoglicemia [3,5].

Vários estudos demonstram que a possibilidade de ajustar ou suspender temporariamente a dose de insulina fornecida, de acordo com o nível de glicemia atual, pode reduzir a ocorrência de episódios noturnos de hipoglicemia [1,2,5,6].

Para além da fiabilidade melhorada, as bombas de insulina também se tornaram mais ergonómicas. Graças ao seu tamanho reduzido, semelhante ao de uma caixa de fósforos, podem ser facilmente usadas enquanto dorme [2,3].

Preparar a noite de sono com a sua bomba de insulina

Antes de adormecer de forma tranquila e profunda, é aconselhável:

  • comprovar que o sensor MCG, o conjunto de infusão e o cartucho de insulina no reservatório da bomba estão corretamente colocados;
  • verificar os níveis do reservatório de insulina e a carga da bateria;
  • ajustar o débito basal da bomba, se necessário [1,2,5,6].

Outra boa ideia é manter uma bateria suplente à disposição [2].

Existem várias formas de usar a bomba de forma confortável durante a noite, dado que o comprimento do tubo flexível desde o reservatório da bomba à cânula (a tubagem intravenosa) pode variar entre 30 e 120 cm. Com uma tubagem mais comprida pode, por exemplo, colocar a bomba à cabeceira da cama ou debaixo da sua almofada. Se preferir usar junto ao corpo (no bolso do pijama ou numa cinta especial), poderá optar pelo tubo mais curto [2].

Bombas de insulina : concebidas para tornar as suas noites mais descansadas

A interrupção do fornecimento de insulina devido a dobras ou outros bloqueios no conjunto de infusão pode dar origem a hiperglicemia [1,2,3]. Por este motivo, as bombas de insulina mais recentes costumam estar equipadas com diversas funcionalidades de segurança. Pode ser acionado um alarme sonoro:

  • se o fornecimento de insulina for reduzido ou interrompido;
  • se o nível do reservatório for insuficiente;
  • se o nível da bateria for baixo [1,2,4].

Contudo, é importante ter em consideração que uma bomba poderá não detetar uma interrupção na administração de insulina durante várias horas. Além disso, pode ocorrer a “fadiga ao alarme” devido à repetição do número de alertas ou avisos inadequados [2,3,5].

Quase todas as bombas de insulina modernas incluem uma funcionalidade de bloqueio. Esta funcionalidade desativa os controlos da bomba, impedindo que pressione acidentalmente qualquer botão enquanto dorme [4].

Por fim, se ficar sobre a bomba de insulina durante o sono, não existe a priori qualquer risco de dano para a bomba, porque podem ser usadas mesmo em atividades desportivas energéticas (p. ex., futebol, dança, ou saltar à corda) [2]. A resistência das bombas a determinados choques e alterações de temperatura também foi comprovada pelo fabricante antes de colocar o dispositivo em comercialização [3].

Fontes:

  1. Brooke H McAdams, Ali A Rizvi. An Overview of Insulin Pumps and Glucose Sensors for the Generalist. J Clin Med. 2016; 5(1):5. doi: 10.3390/jcm5010005.
  2. T. Torrance, V. Franklin and S. Greene. Insulin pumps. Arch Dis Child 2003; 88:949–953. doi: 10.1136/adc.88.11.949.
  3. L. Heinemann and al. Insulin pump risks and benefits: a clinical appraisal of pump safety standards, adverse event reporting and research needs. A Joint Statement of the European Association for the Study of Diabetes and the American Diabetes Association Diabetes Technology Working Group. Diabetologia 2015; 58:862–870. doi : 10.1007/s00125-015-3513-z.
  4. F M Alsaleh, F J Smith, S Keady, K M G Taylor. Insulin pumps: from inception to the present and toward the future. J Clin Pharm Ther. 2010; 35(2):127-38. doi: 10.1111/j.1365-2710.2009.01048.x.
  5. J.S Sherwood, S.J Russell and M.S Putman. New and Emerging Technologies in Type 1 Diabetes. Endocrinol Metab Clin N Am. 2020; 49(4)667–678. doi: 10.1016/j.ecl.2020.07.006.
  6. A. Shiffrin. Nightime Continuous subcutaneous insulin infusion revisited. Diabetes Care. 2000; 23(5) :571-3. doi : 10.2337/diacare.23.5.571.
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Insulina: o que é e como funciona?

insulin

A insulina é uma hormona que é produzida de forma natural pelo pâncreas [1,2,3]. O seu nome deriva do latim insula, que significa “ilha” [2,3,4], porque é produzida por grupos de células denominados ilhéus de Langerhans [1,2,3].

A insulina é usada principalmente para regular a glicemia do organismo, o nível de glicose no sangue. Permite à glicose entrar nas células do corpo [2,3,5]. As células podem depois usar a glicose como fonte de energia [3].

No caso das pessoas sem diabetes, esta hormona é produzida continuamente em pequenas quantidades [3,5,6]. No período de uma hora após uma refeição, o organismo intensifica a sua produção para ajudar as células a utilizar a glicose dos alimentos [1,3,6].

Quando o organismo deixa de produzir insulina e/ou as células do organismo se tornam resistentes à insulina , deixa de ser possível regular os níveis de glicemia , o que causa o aparecimento da diabetes [3,7]. A diabetes é caracterizada por níveis de glicemia elevados; também conhecido como hiperglicemia [3,7].

No caso das pessoas com diabetes tipo 1, as células responsáveis pela produção de insulina ( células beta ) são destruídas pelo sistema de defesa do próprio organismo, pelo que o pâncreas deixa de conseguir produzir insulina ou produz a insulina em quantidades muito pequenas [3]. A diabetes tipo 2 ocorre quando as células do organismo não respondem de forma adequada à insulina e quando o pâncreas não consegue produzir insulina em quantidades suficientes [3,4,5].

A evolução da insulina enquanto medicamento

A insulina foi descoberta em 1921, por Frederick Banting e Charles Best, na Universidade de Toronto, e foi inicialmente extraída do pâncreas de porcos, vacas e cavalos [1,3,7,8].

No início da década de 1980, os investigadores foram bem-sucedidos na produção de insulina humana recombinante em laboratório [3,7,8], iniciando a sua comercialização em 1982 [2,3,4,8]. Esta insulina é mais pura e menos propensa a reações alérgicas do que a insulina animal, apresentando uma estrutura semelhante à produzida naturalmente pelo pâncreas humano [2,4]

Posteriormente, os investigadores conseguiram alterar a estrutura da insulina humana, para otimizar a velocidade e a duração da sua ação [2,3,4,5]. Estas insulinas modificadas são denominadas análogos e são comercializadas desde 1996 [2,5,6]

Os diferentes tipos de insulina

Atualmente, estão disponíveis vários tipos de insulina para o tratamento da diabetes, com diferentes graus de rapidez e de duração da ação [3]. Cabe ao seu médico a definição do tipo e esquema de utilização de insulina quando prescrito:

  • Ação curta, também conhecidas como insulinas regulares, que são as insulinas humanas criadas em laboratório. [3,5,8].
  • Análogos de ação rápida, foram desenvolvidos para atuar mais rapidamente e com uma duração mais reduzida face às insulinas regulares. [3,4,5,7].
  • Ação intermédia, obtida através da combinação de insulina regular com protaminas (uma proteína) ou zinco. [1,3,5,8].
  • Análogos de ação longa, que foram desenvolvidos para atuar durante mais tempo e com mais estabilidade do que as insulinas de ação intermédia [4,5,7]. [5,6].

As velocidades e durações de ação destes diferentes tipos de insulina podem variar de acordo com inúmeros fatores, incluindo a dose administrada, a temperatura ou o local de administração [5,6,8].

A função da insulina no tratamento da diabetes

A insulina é essencial no tratamento da diabetes tipo 1. Em alguns casos, as pessoas com diabetes tipo 2 também podem necessitar de insulina , em especial quando os medicamentos já não são suficientes para equilibrar os níveis de glicemia [3,4,6,8,9]. Esta hormona é administrada sob a pele através de uma seringa, caneta ou bomba [1,4,6].

O objetivo da sua administração é replicar a função natural do pâncreas , fornecendo ao organismo a insulina necessária ao longo do dia e após as refeições. Isto permite que as pessoas, cujo organismo deixou de produzir ou não produz insulina em quantidade suficiente, limitem os aumentos de glicose no sangue [1,3,7].

Fontes:

  1. Allen D. Ruan CH, King B. & Ruan KH. Recent advances and near future of insulin production and therapy. FutureMed. Chem. (2019) 11(13), 1513–1517. doi: 10.4155/fmc-2019-0134.
  2. Ignazio Vecchio, Cristina Tornali, Nicola Luigi Bragazzi and Mariano Martini. The Discovery of Insulin: An Important Milestone in the History of Medicine. Front Endocrinol (Lausanne). 2018 Oct 23;9:613. doi: 10.3389/fendo.2018.00613. eCollection 2018.
  3. Ahmad K. Insulin sources and types: a review of insulin in terms of its mode on diabetes mellitus. J Tradit Chin Med. 2014 April 15; 34(2): 234-237. doi: 10.1016/s0254-6272(14)60084-4.
  4. Shahani S., Shahani L. Use of insulin in diabetes: a century of treatment. Hong Kong Med J. 2015 dec 21 (6) : 553-9. doi: 10.12809/hkmj154557. Epub 2015 Nov 6.
  5. O M Selivanova, S Yu Grishin, A V Glyakina, A S Sadgyan, N I Ushakova, O V Galzitskaya. Analysis of Insulin Analogs and the Strategy of Their Further Development. Biochemistry (Mosc). 2018 Jan;83(Suppl 1):S146-S162. doi: 10.1134/S0006297918140122.
  6. Edyta Cichocka, Anna Wietchy, Katarzyna Nabrdalik, Janusz Gumprecht. Insulin therapy — new directions of research, Endokrynologia Polska, Tom/Volume 67; Numer/Number 3/2016. doi: 10.5603/EP.2016.0044.
  7. Adams GG, Meal A, Morgan PS, Alzahrani, QE, Zobel H, Lithgo R, et al. (2018) Characterisation of insulin analogues therapeutically available to patients. PLoS One. 2018 Mar 29;13(3):e0195010. doi: 10.1371/journal.pone.0195010. eCollection 2018.
  8. Wolfgang Landgraf, Juergen Sandow. Recombinant Human Insulins –Clinical Efficacy and Safety in Diabetes Therapy. Eur Endocrinol. 2016 Mar;12(1):12-17. doi: 10.17925/EE.2016.12.01.12. Epub 2016 Mar 15.
  9. James R LaSalle, Rachele Berria. Insulin therapy in type 2 diabetes mellitus: a practical approach for primary care physicians and other health care professionals. J Am Osteopath Assoc. 2013 Feb;113(2):152-62.
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Que aspetos considerar se pensa mudar para uma bomba de insulina?

Bomba de insulina

A bomba de insulina pode ser prescrita pelo seu médico de acordo com o seu perfil clínico e estilo de vida, em alternativa às múltiplas injeções diárias [1,2]. Está a pensar mudar para uma bomba de insulina ? Deixamos aqui algumas informações que poderão ser úteis.

O que é uma bomba de insulina ?

Uma bomba de insulina é um dispositivo eletrónico, discreto e portátil que administra continuamente doses de insulina de ação rápida em intervalos regulares [2,3,4]. A bomba típica é composta por um motor acionado por uma pequena bateria, um mecanismo de controlo computorizado, e um reservatório de insulina ligado por uma tubagem a uma cânula implantada sob a pele [2,3]. Mais recentemente, surgiu outro tipo: a bomba adesiva sem fios, em que o conjunto de infusão fica colado à pele [2,4]

A bomba é programada para administrar uma taxa de insulina pré-selecionada, denominada “insulina basal”, durante todo o dia, consoante as necessidades do utilizador [2,3]. Também é necessário programar a administração de “bólus”, as doses adicionais de insulina de ação rápida, durante as refeições ou em caso de hiperglicemia [2,3].

Quem pode beneficiar de uma bomba de insulina ?

Diabetes tipo 1

Diversos estudos clínicos em crianças, adolescentes e adultos com diabetes tipo 1 demonstraram que mudar para uma bomba de insulina pode apresentar várias vantagens [2]. Estes estudos indicam que, para além de melhorar a qualidade de vida e o equilíbrio da glicose no sangue ao reduzir a hemoglobina glicada (HbA1c), a bomba também pode reduzir as necessidades diárias de insulina e os episódios de hipoglicemia [1,2,5].

Devido às vantagens da bomba de insulina na gestão da diabetes tipo 1, face às múltiplas injeções diárias, o National Institute for Health and Care Excellence (NICE), a Société Francophone du Diabète (SFD) e a American Association of Diabetes (ADA) recomendam que as pessoas com níveis de glicemia irregulares e aquelas que considerem as injeções convencionais pouco adequadas ao contexto da sua vida profissional e/ou social tentem mudar para a bomba [2,3]. As bombas de insulina são recomendadas em alguns países como terapêutica de primeira linha para crianças [2].

Diabetes tipo 2

A utilização da bomba de insulina na diabetes tipo 2 continua em debate [6]. Contudo, mediante avaliação médica, mudar para a bomba, em lugar das múltiplas injeções diárias, pode ser adequado se tiver uma elevada resistência à insulina e/ou elevados requisitos de insulina , apesar de uma dose de insulina suficiente e de seguir as recomendações de dieta e exercício [2,6].

Grávidas

Embora não existam evidências quanto às vantagens da bomba de insulina , em lugar das múltiplas injeções diárias, para as grávidas com diabetes, o uso de uma bomba de insulina é geralmente recomendado para otimizar o equilíbrio da glicose no sangue [2,6]. Este tratamento pode ajudar na gestão dos níveis de glicemia durante a gravidez, uma fase em que os requisitos de insulina aumentam e variam bastante [2,6].

Condições de elegibilidade para uma bomba de insulina

Podem ser tidos em consideração vários fatores para determinar se o seu perfil é adequado para uma bomba de insulina [3,6]. Em especial, não é recomendada a utilização de uma bomba de insulina nos casos de retinopatia proliferativa não tratada, distúrbios psiquiátricos graves, ou uma incapacidade física ou mental que possa impedir a sua capacidade de utilizar o dispositivo [3,6].

A sua motivação também é um fator determinante para saber se vai beneficiar da utilização de uma bomba [3,6], por isso será solicitado que:

  • participe em formação prática com uma equipa médica especializada [3];

  • compareça em consultas regulares de acompanhamento [1];

  • monitorize frequentemente os seus níveis de glicemia (4 a 6 vezes por dia) [1,3,6];

  • aprenda a calcular o teor de hidratos de carbono das suas refeições e ajuste as doses de insulina em conformidade [1,3].

Desde o seu desenvolvimento inicial, no final da década de 1970, a terapêutica com bomba de insulina tem continuado a evoluir e a simplificar a gestão da diabetes [1,4].

Se tem interesse em experimentar uma bomba de insulina , deverá falar com o seu médico.

Saiba mais sobre bombas de insulina aqui.

Fontes:

  1. Sherr J, Tamborlane WV. Past, present, and future of insulin pump therapy: better shot at diabetes control. Mt Sinai J Med. 2008; 75(4):352-361. doi:10.1002/msj.20055.
  2. Pozzilli P and al. Continuous subcutaneous insulin infusion in diabetes: patient populations, safety, efficacy, and pharmacoeconomics. Diabetes Metab Res Rev. 2016; 32(1):21-39 ; doi:10.1002/dmrr.2653.
  3. Pickup JC and al. Insulin-Pump Therapy for Type 1 Diabetes Mellitus. NEJM 2012; 366:1616-24. doi: 10.1056/NEJMct1113948.
  4. Andrew Fry. Insulin delivery device technology 2012: where are we after 90 years? J Diabetes Sci Technol. 2012; 6(4):947-53. doi: 10.1177/193229681200600428.
  5. Karges B, Schwandt A, Heidtmann B, et al. Association of Insulin Pump Therapy vs Insulin Injection Therapy With Severe Hypoglycemia, Ketoacidosis, and Glycemic Control Among Children, Adolescents, and Young Adults With Type 1 Diabetes. JAMA. 2017;318(14): 1358-1366. doi:10.1001/jama.2017.13994.
  6. Reznik Y. and Cohen O. Insulin Pump for Type 2 Diabetes- Use and misuse of continuous subcutaneous insulin infusion in type 2 diabetes. Diabetes Care. 2013; 36(Suppl 2): S219–S225. doi: 10.2337/dcS13-2027.
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A diferença entre a diabetes tipo 1 e tipo 2

1/2

A diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2 partilham o sintoma comum de hiperglicemia crónica, o que significa a existência de uma quantidade excessiva de açúcar no sangue, mas também existem muitas diferenças: as causas, os sintomas e o tratamento [1,2]. Continue a ler para saber sobre quais as diferenças entre a diabetes tipo 1 e tipo 2.

Duas causas muito diferentes

A insulina é uma hormona produzida no pâncreas . A sua função é regular os níveis de glicose no sangue (glicemia) [3,4].

A diabetes tipo 2 ocorre quando o organismo deixa de utilizar a insulina corretamente e o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para compensar a sua insuficiência [1,2,4,5]. Ao contrário da diabetes tipo 2 , a diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o organismo deixa totalmente de produzir insulina , porque os anticorpos destroem as células pancreáticas que são responsáveis pela sua produção [1,2].

A predisposição genética favorece o desenvolvimento da diabetes tipo 2 e, de forma menos marcante, da diabetes tipo 1 [1,5]. De facto, estima-se que o risco da diabetes tipo 2 seja de aproximadamente 40%, quando um dos progenitores tem diabetes tipo 2 , em comparação com apenas 5% para a diabetes tipo 1 quando identificada em, pelo menos, um dos progenitores [5].

Contudo, a hereditariedade não é o único desencadeador da diabetes tipo 2 , uma vez que esta também depende bastante do estilo de vida: uma vida muito sedentária com uma dieta altamente calórica e falta de sono, o que muitas vezes resulta em excesso de peso [4,5,6].

Os investigadores e especialistas internacionais especulam que alguns fatores ambientais também possam estar relacionados com o desenvolvimento da diabetes tipo 1, mas ainda não os conseguiram identificar de forma evidente [1,5].

Sintomas semelhantes

Os sintomas de hiperglicemia podem ser identificados em ambos os tipos de diabetes: urinação profusa ( poliúria ), sede constante ( polidipsia ) e, por vezes, fome excessiva (polifagia) e visão turva [1].

A diabetes tipo 2 é única porque se pode desenvolver ao longo de vários anos sem quaisquer sintomas visíveis ou apenas com sinais ligeiros [1,4,6]. Muitas pessoas descobrem, por acaso, que têm diabetes tipo 2 , depois de fazerem análises ao sangue por outros motivos [6].

O diagnóstico é baseado nos mesmos critérios dos dois tipos de diabetes: medição dos níveis de glicemia (seja em jejum, a qualquer momento do dia, ou depois de ingerir 75 g de glicose ) e hemoglobina glicada (HbA1c) através de uma análise sanguínea [1,2].

Tratamentos diferentes

As pessoas com diabetes tipo 1 vão necessitar sistematicamente de terapêutica com insulina , administrada através de uma caneta de insulina , seringa ou bomba de insulina [2,5].

O tratamento inicial da diabetes tipo 2 implica a transição para um estilo de vida saudável, com uma dieta equilibrada, atividade física regular e perda de peso [2,4,5]. Se desta forma não for possível estabilizar os níveis de glicemia , poderá ser proposta a prescrição de medicamentos antidiabéticos ou de terapêutica com insulina [2,4,5].

Distribuição dos dois tipos de diabetes pela população

A diabetes tipo 1, representa entre 5 e 10% de todos os casos de diabetes. Na maioria dos casos, ocorre na infância e adolescência, mas também se pode manifestar na idade adulta [1,2].

A diabetes tipo 2 representa entre 90 e 95% de todas as pessoas com diabetes, sendo a maioria adultos [1,2].

Outra diferença evidente entre os dois tipos de diabetes é que, embora uma percentagem significativa das pessoas com diabetes tipo 2 registem excesso de peso, obesidade, ou peso normal com excesso de gordura abdominal, as pessoas com diabetes tipo 1, geralmente, apresentam um peso normal [1,2].

Fontes:

  1. American Diabetes Association. Diagnosis and classification of diabetes mellitus. Diabetes Care 2013; 36(Suppl 1):S67-74. doi: 10.2337/dc13-S067.
  2. A. Petersmann et al. Definition, Classification and Diagnosis of Diabetes Mellitus. Exp Clin Endocrinol Diabetes 2019; 127(Suppl 1):S1–S7. doi: 10.1055/a-1018-9078.
  3. A H Khan, J E Pessin. Insulin regulation of glucose uptake: a complex interplay of intracellular signalling pathways. Diabetologia. 2002; 45(11):1475-83. doi: 10.1007/s00125-002-0974-7.
  4. Andreas F H Pfeiffer, Harald H Klein. The treatment of type 2 diabetes. Dtsch Arztebl Int. 2014; 111(5):69-8; quiz 82. doi: 10.3238/arztebl.2014.0069.
  5. JS Skyler et al. Differentiation of Diabetes by Pathophysiology, Natural History,and Prognosis. Diabetes 2017; 66(2):241–255. doi: 10.2337/db16-0806.
  6. Samantha Roberts, Eleanor Barry, Dawn Craig , Mara Airoldi, Gwyn Bevan, Trisha Greenhalgh. Preventing type 2 diabetes: systematic review of studies of cost-effectiveness of lifestyle programmes and metformin, with and without screening, for pre-diabetes. BMJ Open. 2017; 7(11):e017184. doi: 10.1136/bmjopen-2017-017184.
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Diabetes tipo 1 e a gravidez

Gravidez

Tem diabetes tipo 1 e está a planear engravidar? Se tem dúvidas sobre as precauções que deve adotar antes de embarcar nesta aventura de ser mãe, compilámos algumas recomendações que a poderão ajudar.

Como se preparar e gerir a sua gravidez com diabetes tipo 1?

Planear a sua gravidez

Está a planear ter uma criança? Se tem diabetes tipo 1, antes de pensar em engravidar é recomendável falar com o seu médico e com um obstetra para a ajudar a planear a sua gravidez [1,2].

Estas consultas médicas não só lhe permitem recolher muitos conselhos úteis sobre a gestão da sua futura gravidez, como também testar o seu nível de hemoglobina glicada (HbA1c), para garantir que a sua diabetes está suficientemente estável. De facto, a Associação Americana de Diabetes (ADA) e o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido, recomendam manter os níveis de HbA1c abaixo dos 6,5% antes de engravidar [1,3,4]. Em termos de medicação, é aconselhável interromper a toma de medicamentos com contraindicações para a gravidez e fazer um reforço de vitamina B9 [1,2,3] - estas medidas devem ser avaliadas junto do seu médico.

Um planeamento prévio permite iniciar a sua gravidez com diabetes tipo 1 nas melhores condições, tanto para si como para o seu bebé [1,2,3,4].

Maior monitorização médica

Durante a sua gravidez, realizará vários testes para além daqueles que efetua para a monitorização habitual da sua diabetes tipo 1, tais como:

  • medição da HbA1c;
  • exames retinianos;
  • ecografias adicionais [1,2]

Qual é o objetivo destes exames adicionais? Destinam-se a confirmar que a gravidez está a correr bem e a prevenir eventuais complicações, tais como um parto prematuro, anomalias congénitas, ou o bebé nascer com mais de 4 quilos [1,2,3,4].

Também poderá consultar um dietista antes e durante a gravidez, especialmente se tiver excesso de peso [1]. O dietista ajudará a gerir os seus níveis de glicemia ao centrar a sua atenção nos horários e na qualidade das suas refeições e snacks [2].

Monitorização da glicemia e ajuste do seu tratamento de insulina

Se tem diabetes tipo 1, durante a gravidez, poderá necessitar de monitorizar os seus níveis de glicemia com mais atenção do que é habitual. Esta recomendação tem três objetivos principais:

  • garantir que os seus níveis de glicemia foram atingidos; 
  • confirmar se a sua medicação e dieta estão alinhadas com as suas necessidades;
  • avaliar os seus requisitos de insulina e ajustar as doses diárias em conformidade [1,5].

     

Perguntas frequentes: Quantas vezes devo monitorizar os meus níveis de glicemia ?

As futuras mães com diabetes tipo 1 são aconselhadas a monitorizar os seus níveis de glicemia , pelo menos, 7 vezes por dia durante a gravidez [1]. Pode ser proposta a utilização de um sistema de monitorização contínua da glicose (MCG) para simplificar este controlo [1,3].

As necessidades de insulina podem variar durante os 9 meses da gravidez. Geralmente, aumentam durante as primeiras 9 semanas, diminuem entre as 9 e 16 semanas, voltam a aumentar até às 37 semanas e, por fim, diminuem no final da gravidez [2,4].

Ao procurar o apoio da sua equipa médica e ao seguir as suas e estas breves recomendações, poderá desfrutar em pleno da sua gravidez e deste momento!

 

 

Fontes:

  1. A.S Alexopoulos, R.Blair, AL Peters. Management of Preexisting Diabetes in Pregnancy: A Review. JAMA. 2019; 321(18):1811-1819. doi:10.1001/jama.2019.4981
  2. A.Z. Feldman and F.M. Brown. Management of Type 1 Diabetes in Pregnancy. Curr Diab Rep 2016; 16:7. doi: 10.1007/s11892-016-0765-z
  3. U.Schaefer-Graf and al. Diabetes in pregnancy: a new decade of challenges ahead. Diabetologia 2018; 61:1012–1021. doi: 10.1007/s00125-018-4545-y
  4. American Diabetes Association. Management of Diabetes in Pregnancy. Diabetes Care 2016; 39 (Suppl. 1):S94–S98. doi: 10.2337/dc16-S015
  5. S.Kalra et F. Jawad. Insulin therapy in pregnancy. J Pak Med Assoc. 2016; 66 (9 Suppl 1):S48-51.
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Diabetes tipo 1 no local de trabalho

Trabalho

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) lembra-nos que: “todo o ser humano (...) tem direito de procurar o seu bem-estar material e o seu progresso espiritual, em condições de (...) segurança económica e com igualdade de oportunidades [1].

O dever de um empregador é garantir a saúde e a segurança de todos os seus funcionários [1,2]. Considerando que a diabetes tipo 1 obriga a uma monitorização regular, isso exige que sejam criadas as condições que permitam testar os seus níveis de glicemia e administrar as suas injeções de insulina no local de trabalho [2,3].

Se os níveis de glicemia sofrerem alterações frequentes, podem provocar fadiga grave [2,3,4] o que pode afetar o seu desempenho no trabalho. Para evitar que a sensação de exaustão afete as suas capacidades e competências profissionais, e também para proteger a sua saúde, é essencial que o seu empregador permita realizar a gestão da sua diabetes, seja qual for o seu trabalho [2,3].

Além disso, os estudos revelam que o facto de ter de gerir a diabetes enquanto desempenha as suas responsabilidades de trabalho habituais pode causar stress adicional. Ao tomar as medidas necessárias em termos de cuidados de saúde, é possível criar soluções adequadas tanto para os trabalhadores como para a Administração [2,3].    

Fontes:

  1. International Labour Organization (ILO). ILO Constitution ; Annex part II: Declaration concerning the aims and purposes of the International Labour Organisation (DECLARATION OF PHILADELPHIA). 1974.
  2. International Labour Organization (ILO). World Diabetes Day (14 November) - Diabetes in the Workplace. 2007.
  3. Hansen UM, Cleal B, Willaing I, Tjørnhøj-Thomsen T. Managing type 1 diabetes in the context of work life: A matter of containment. Soc Sci Med. 2018; 219:70-77. doi: 10.1016/j.socscimed.2018.10.016.
  4. Ruston A, Smith A, Fernando B. Diabetes in the workplace - diabetic's perceptions and experiences of managing their disease at work: a qualitative study. BMC Public Health. 2013; 13:386. doi: 10.1186/1471-2458-13-386.
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