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Se tem diabetes tipo 1, poderá estar a usar uma bomba de insulina, ou a pensar usar uma bomba de insulina , para gerir os seus níveis de glicemia .
A terapêutica com bomba de insulina recorre a uma infusão contínua de insulina para disponibilizar a hormona de uma forma mais aproximada à da produção de insulina normal do que as injeções [1]. Antes, a utilização da bomba de insulina era contraindicada (não era aconselhada) para pessoas com episódios severos e recorrentes de hipoglicemia. Contudo, mais recentemente, os estudos demonstraram que a terapêutica com bomba pode ajudar a reduzir a incidência de hipoglicemia grave [1].
Neste guia, analisamos a relação entre a insulinoterapia e a hipoglicemia , bem como a forma de prevenir e tratar os episódios de hipoglicemia com uma bomba de insulina . Também apresentamos uma análise geral das vantagens e desvantagens das bombas de insulina para a gestão da hipoglicemia .
A hipoglicemia ocorre quando os níveis de glicemia descem para valores considerados perigosos [2,3]. Geralmente, quando o valor de glicose plasmática é inferior a 3,9 mmol/l (ou 70 mg/dl) [2,3]. Contudo, o seu limiar pode ser diferente, por isso é importante consultar a sua equipa de profissionais da diabetes para saber que valor é baixo para si [3].
Quando ocorre um episódio de hipoglicemia , poderá sentir [3]:
Entre os sintomas mais graves da hipoglicemia incluem-se a perda de sentidos ou convulsões [3].
A hipoglicemia é o efeito secundário mais comum da terapêutica para baixar os níveis de glicose nas pessoas com diabetes [2]. Tomar insulina ou outros medicamentos que ajudam o seu pâncreas a produzir e a libertar mais insulina pode causar hipoglicemia , porque baixam os seus níveis de glicemia [3].
Existem outras causas para além da medicação para baixar os níveis de glicose que pode originar hipoglicemia nas pessoas com diabetes. Estas incluem [3]:
Para obter mais informações sobre os sintomas da hipoglicemia nas pessoas com diabetes, leia o nosso guia de hipoglicemia .
A hipoglicemia é o efeito adverso mais comum da insulinoterapia [4]. Se tem diabetes e está a administrar insulina , seja através de injeções ou de uma bomba de insulina , corre este risco. Num estudo global de grande dimensão, de pessoas com diabetes que tomam insulina , cada 4 em 5 pessoas com diabetes tipo 1, e praticamente metade desse número de pessoas com diabetes tipo 2 , registaram, pelo menos, uma situação de hipoglicemia ao longo de um período de quatro semanas [3].
O risco de hipoglicemia poderá ser menor nas pessoas que usam bombas de insulina, contudo os episódios de hipoglicemia podem continuar a ocorrer [4].
Pode ajudar a reduzir os episódios de hipoglicemia ao definir, em conjunto com a sua equipa de profissionais de saúde, níveis-alvo de glicemia mais elevados, caso seja adequado para si [1].
Se registar casos frequentes de hipoglicemia com a terapêutica com múltiplas injeções diárias, por exemplo, uma bomba de insulina vai permitir-lhe definir, em conjunto com a sua equipa de profissionais de saúde, níveis-alvo de glicemia mais elevados, ao definir um débito de insulina basal inferior ao normal [1]. Isto vai provocar um aumento dos seus níveis de glicemia e reduzir a frequência da sua hipoglicemia [1].
Deve consultar sempre o seu médico e equipa de profissionais de saúde para definir os procedimentos a despoletar sobre o débito basal de insulina a administrar e o nível-alvo de glicemia a atingir consoante a sua situação.
Alguns tipos de sistemas de bomba de insulina estão equipados com um alarme que previne os episódios de hipoglicemia e que alerta o utilizador com a indicação de que os seus níveis de glicemia baixaram ou estão prestes a baixar [5].
Alguns estudos demonstraram que as bombas de insulina com um sensor de monitorização contínua da glicose (MCG) podem ajudar a prevenir os episódios de hipoglicemia durante a noite, recorrendo a algoritmos que preveem situações de hipoglicemia e suspendem a administração de insulina [6].
Nota: para prevenir os episódios de hipoglicemia , é fundamental garantir que sabe quais são as quantidades de insulina que precisa de receber para corrigir a glicemia elevada, porque uma correção excessiva pode originar uma situação de hipoglicemia algumas horas depois [1]. Aprender a saber contar os hidratos de carbono com o apoio da sua equipa de profissionais de saúde vai ajudar a administrar a quantidade correta de bólus de insulina através da sua bomba [1].
Para prevenir um episódio de hipoglicemia quando estiver a planear realizar exercício físico, pode reduzir temporariamente o débito basal de insulina da sua bomba [7]. Alguns especialistas recomendam ajustar temporariamente o débito basal para um valor de 70% em relação ao débito basal habitual, nos 60 minutos antes do exercício e nos 60 minutos seguintes ao exercício [7].
Se realizou algum tipo de exercício de forma espontânea, deve ingerir hidratos de carbono adicionais no início da sessão de exercício, para prevenir hipoglicemia [7].
Outra investigação verificou que ao reduzir o débito basal em 80%, ou interromper o funcionamento da bomba, é uma boa opção para prevenir situações de hipoglicemia depois da prática de exercício moderado ou intenso, três horas após o almoço [8].
Deve sempre consultar o seu médico e equipa de profissionais de saúde para o ajudar a definir os procedimentos a despoletar consoante a sua situação e o exercício físico que pretende fazer.
No caso de registar episódios de hipoglicemia ligeira, casos frequentes de hipoglicemia e casos graves de hipoglicemia , é importante discutir previamente com o médico as estratégias a aplicar com recurso à bomba de insulina e conhecer bem o funcionamento da mesma.
Recorrer a uma bomba de insulina pode ajudar a prevenir os episódios de hipoglicemia e reduzir os riscos associados à hipoglicemia [9].
Contudo, existem riscos associados às bombas de insulina e estes dispositivos não são adequados para todas as pessoas [9,10].
Entre os benefícios das bombas de insulina para a hipoglicemia , incluem-se:
Por outro lado, existem alguns aspetos da bomba de insulina que podem aumentar o risco de hipoglicemia :
Recorrer a uma bomba de insulina pode ajudar a prevenir os episódios de hipoglicemia e reduzir a sua frequência [9]. Contudo, também existem riscos na utilização de uma bomba [1,5,9,10]. É fundamental saber como usar a sua bomba de insulina corretamente para prevenir e tratar os episódios de hipoglicemia [5,9,10].
Se recebeu recentemente um diagnóstico de diabetes, ou se presta cuidados de saúde a alguém com diabetes, poderá ter algumas dúvidas sobre a gestão da diabetes. Eventualmente, uma das principais questões será como administrar a insulina que lhe foi prescrita para a diabetes.
Todos os pacientes com diabetes tipo 1 necessitam de insulina [1]. Uma forma popular de administrar insulina é com recurso a uma agulha e seringa [1]. As agulhas e seringas podem apresentar várias limitações, tais como administração imprecisa das doses, o tempo e a prática necessários para a sua utilização e os impactos psicológicos de usar uma agulha e seringa, bem como as dificuldades em transportar o equipamento necessário [1,2].
Neste artigo, vamos abordar outro método para administrar pessoalmente a insulina : a caneta de insulina .
Uma caneta de insulina é uma alternativa às seringas e agulhas para autoadministrar a sua dose de insulina para a diabetes [1,2]. A primeira caneta de insulina foi comercializada em 1985 [1].
Existem evidências de que usar uma caneta de insulina pode melhorar o controlo da sua glicemia [1,4].
Uma caneta de insulina é um dispositivo médico composto por apenas três componentes: uma pequena agulha descartável, um cartucho de insulina e um regulador de dose “um clique por unidade” [1].
A caneta de insulina permite-lhe autoadministrar uma dose calculada de insulina , através do marcador de dose na extremidade da caneta [6]. A insulina é administrada no tecido subcutâneo [7], onde atua para reduzir os níveis de glicemia [1].
As canetas inteligentes modernas permitem registar a hora e a quantidade de cada dose de insulina , apresentar a última dose administrada e transmitir a informação sem fios para uma aplicação móvel dedicada (que pode instalar no seu smartphone) através de Bluetooth [7]. Esta utilização pode ajudar a uma monitorização e à gestão de dados eficazes [1], bem como permitir a partilha desses dados com os profissionais de saúde [7].
Embora as canetas de insulina se possam apresentar nos mais diversos formatos e tamanhos, existem duas opções principais: canetas descartáveis pré-cheias e canetas reutilizáveis recarregáveis [6].
Uma caneta de insulina descartável é um dispositivo que contém um cartucho de insulina pré-cheio [1]. Depois de terem sido usadas todas as doses da caneta descartável, a caneta é eliminada [1].
Pelo contrário, uma caneta de insulina reutilizável não inclui um cartucho de insulina fixado no seu interior [1]. Assim que o cartucho de insulina tiver sido usado, é substituído por outro [1]. Os cartuchos de insulina são específicos para o tipo de caneta e não podem ser usados em modelos de caneta diferentes [3].
Existem benefícios em usar cada tipo de caneta de insulina . Geralmente, as canetas descartáveis pré-cheias são mais leves, mais pequenas e mais simples de usar, porque não obrigam a carregar novos cartuchos de insulina [6]. Contudo, alguns tipos de canetas recarregáveis incluem algumas funcionalidades, tais como função de memória, que não estão disponíveis nas canetas pré-cheias [6].
Fale com a sua equipa de cuidados de saúde da diabetes sobre qual seria a opção mais adequada para si.
Uma bomba de insulina é um método diferente para administrar a insulina no tratamento da sua diabetes [7,8].
Uma caneta de insulina é utilizada para administrar doses intermitentes de insulina [7]. Uma bomba de insulina oferece uma infusão contínua de insulina (o débito basal), que pode ser suplementada com uma dose extra de insulina para as refeições ou para tratar glicemia elevada (uma dose de bólus) [7,8].
Embora a aparência e dimensão de cada modelo de bomba sejam diferentes, os componentes básicos são idênticos [8].
A bomba inclui um compartimento de insulina , denominado reservatório [8]. É a partir desse compartimento que é administrada a infusão de insulina . O reservatório está ligado a um tubo de fornecimento que se liga a uma pequena agulha colocada na pele, denominada cânula [8].
O reservatório, a tubagem e a cânula são descartáveis e têm de ser substituídos a cada três dias [8].
A própria bomba pode incluir múltiplas funcionalidades para ajudar o utilizador a gerir a sua diabetes, incluindo várias definições de débito de insulina e diferentes perfis de acordo com as várias circunstâncias (p. ex., exercício ou doença) [7]. Os estudos revelam que é mais fácil gerir a glicemia nas pessoas que usam uma bomba de insulina , em comparação com as pessoas que administram múltiplas injeções diárias [8].
Estas são algumas das vantagens e desvantagens das canetas e das bombas de insulina [1,8].
Discreta e fácil de transportar
Administração da insulina eficaz, precisa e prática
Facilidade de injeção
Flexível devido às opções descartáveis e reutilizáveis
Relação custo-eficácia a longo prazo
Mais dispendiosa do que as seringas em alguns países (com baixos rendimentos)
Mais dispendiosa do que as seringas na primeira utilização
Não permite misturar diferentes tipos de insulina
Dosagem reduzida
Os erros do utilizador podem afetar a ação da caneta e a administração de doses
Replica de forma mais aproximada a forma como o pâncreas liberta a insulina de forma natural
Garante a administração contínua de insulina
Flexibilidade do seu estilo de vida
Pode ser integrada com um sistema de monitorização contínua da glicose (MCG)
Pode incluir funcionalidades para ajudar na prevenção da hipoglicemia
Dispositivo sempre ligado ao seu corpo
Questões técnicas e de segurança, como avaria do dispositivo, pode conduzir a complicações
Pode causar infeção ou irritação no local da cânula
Exige mais formação e motivação para gerir o dispositivo
Mais dispendiosa
As suas necessidades específicas e pessoais serão tidas em consideração no momento da escolha de um dispositivo de administração da insulina [2]. A sua equipa de cuidados de saúde da diabetes abordará estas questões consigo.
As canetas de insulina são um dispositivo que pode ajudar na gestão da sua diabetes, ao autoadministrar as suas injeções de insulina [1]. São uma forma simples e precisa de administrar a insulina , para ajudar a gerir a diabetes [1]. Alguns estudos revelam que as canetas de insulina podem melhorar a gestão da glicemia, em comparação com o recurso a uma agulha e seringa para injetar insulina [4].
As canetas de insulina não são a única forma de gerir as suas necessidades de medicação. As bombas de insulina também podem ser usadas para gerir a diabetes [7,8]. Embora existam evidências de que a bomba de insulina pode controlar melhor a diabetes do que as múltiplas injeções diárias [8], existem várias vantagens e desvantagens em relação a uma bomba de insulina [8].
A sua equipa de profissionais de saúde decidirá qual é a melhor opção para gerir a sua diabetes.
As bombas de insulina podem melhorar o controlo glicémico e permitir a administração de uma dose de insulina mais precisa e flexível nos adultos com diabetes, mas serão também indicadas para crianças [1]?
Neste artigo, analisamos a utilização de bombas de insulina nas crianças, respondendo a dúvidas como: a sua criança pode ter uma bomba de insulina e serão as bombas de insulina adequadas para crianças? Quais são as vantagens e desvantagens de utilizar uma bomba de insulina numa criança? Existe uma idade mínima para a criança poder usar uma bomba de insulina ?
Encontre as respostas a todas estas perguntas mais abaixo.
Uma bomba de insulina é um pequeno dispositivo eletrónico que fornece insulina de ação rápida ao seu organismo, sempre que é necessário [1]. Podem ficar colocadas durante 2 a 3 dias seguidos [2].
Existem dois tipos principais de bombas de insulina [1]:
com tubagem, por vezes, denominada como bomba tradicional ou uma bomba de infusão
Sem tubagem, também denominada “bomba adesiva”
A bomba de insulina tradicional fornece a insulina através de um pequeno cateter (um pequeno tubo com uma agulha) que é inserido debaixo da pele e fixado com adesivo. Isto é, geralmente, denominado um “conjunto de infusão” ou uma “cânula de infusão” [1].
O tubo de plástico liga o conjunto de infusão à bomba e fornece a insulina proveniente da bomba para a sua pele [1].
A “bomba adesiva” não recorre à tubagem, sendo aplicada diretamente sobre a sua pele com a ajuda de um adesivo. As bombas adesivas sem tubo incluem um reservatório de insulina . A insulina é fornecida através da cânula de infusão e a bomba é controlada à distância através de tecnologia sem fios [1].
As bombas de insulina fornecem a insulina de duas formas [1,2]:
débito basal — uma infusão contínua de insulina de ação rápida ao longo do dia e da noite
doses de bólus — doses de correção de insulina adicionais, fornecidas durante as refeições e reforços
A maioria das bombas de insulina tem uma calculadora de bólus que calcula uma dose recomendada de bólus com base nos atuais níveis de glicemia , o total de gramas de hidratos de carbono consumidos e registados pelo utilizador, e a restante insulina das doses anteriores de bólus [1].
As bombas de insulina podem ser usadas em crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, e podem oferecer muitas vantagens para a saúde [1]. Contudo, existem fatores importantes a ter em consideração antes de decidir se uma bomba de insulina é adequada para a sua criança.
Entre alguns dos aspetos que os pais e cuidadores devem analisar cuidadosamente, incluem-se [2]:
A criança tem vontade e está motivada para usar a bomba de insulina ?
A criança vai tolerar o processo de aplicação da bomba de insulina , que implica utilizar um cateter e uma pequena agulha?
Os pais/cuidadores compreendem perfeitamente como funciona a terapêutica de insulina basal -bólus?
Os pais/cuidadores e/ou criança ou adolescente estão confiantes na contagem de hidratos de carbono consumidos ?
Os pais/cuidadores sabem como utilizar uma bomba de insulina ?
Os pais/cuidadores têm a ajuda de pessoal da escola e outros cuidadores que estejam dispostos e disponíveis para trabalhar com uma bomba de insulina ?
A criança está disposta a realizar vários testes da glicemia por dia? Os pais/cuidadores estão disponíveis para ajudar a criança? (Geralmente, a glicemia deve ser testada 4 a 6 vezes por dia para ajustar as doses de bólus, garantir que a bomba está a funcionar corretamente, e comprovar que os níveis de glicemia estão sob controlo [3])
A criança e os pais dispõem de uma equipa de profissionais de saúde disponíveis para ajudar e apoiá-los durante o processo de implementação da terapêutica com bomba de insulina ? [2,3]
Também é importante recordar que a criança e os pais vão ter de aprender muito sobre as bombas de insulina para as poderem utilizar.
É recomendável iniciar a terapêutica com a bomba de insulina com uma equipa especializada de profissionais de saúde (incluindo enfermeiros, médicos e dietistas com experiência na utilização da bomba), em lugar de começar a terapêutica com o acompanhamento de um médico de cuidados primários (como o seu médico de família) [3].
Existem muitas vantagens na utilização da bomba de insulina para crianças, muitas delas semelhantes às existentes na terapêutica com bomba de insulina para adultos:
As bombas de insulina permitem a administração de múltiplos débitos de insulina basal e fornecem pequenas doses em intervalos de aproximadamente 10 minutos. Este procedimento tenta imitar a atividade de um pâncreas saudável. Associado à monitorização dos níveis de glicemia , permitem uma administração de insulina mais precisa e personalizada [4,5].
As bombas de insulina podem melhorar o controlo glicémico e os resultados da diabetes [2,4] e ajudam as crianças a adotar um estilo de vida mais flexível [2]. Ajustar as doses de insulina em exercício ou durante uma viagem é mais fácil com uma bomba [4]. As bombas de insulina podem reduzir a hipoglicemia , durante e após o exercício, nas pessoas jovens com diabetes tipo 1 [4].
As bombas de insulina simplificam o ajuste dos débitos de insulina basal noutras circunstâncias especiais, como quando salta refeições, come menos ou está doente, de uma forma que não é possível com a terapêutica com injeção [4].
As doses de bólus de insulina simplificam e tornam mais prático o controlo dos níveis de glicemia após as refeições e reduzem os níveis de glicemia elevados [4].
Uma observação consistente registada após a adoção da terapêutica com bomba de insulina é a redução na frequência e gravidade dos episódios de hipoglicemia entre as crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 [6]. A terapêutica com bomba também está associada a uma taxa inferior de coma hipoglicémico, em comparação com a terapêutica com injeção, em especial nas crianças em idade escolar [7].
O risco de cetoacidose diabética (DKA) também é menor em jovens que usam bombas de insulina , em comparação com os jovens que realizam a terapêutica com múltiplas injeções [4,7].
Os estudos revelaram que as famílias com crianças que usam bomba de insulina melhoraram a sua qualidade de vida [6].
A terapêutica com bomba de insulina para crianças também pode apresentar alguns problemas que devem ser tidos em consideração:
As crianças muito jovens não conseguem gerir as suas bombas sem a ajuda dos pais ou cuidadores. Até mesmo as crianças mais velhas podem precisar de ajuda significativa dos seus pais ou cuidadores [2].
As crianças podem esquecer-se de administrar bólus de insulina depois de comer; o “esquecimento” é o motivo mais comum para a falha dos bólus e representa um desafio significativo para crianças e adolescentes que usam bombas de insulina [4].
Como as crianças passam a maior parte do seu tempo na escola, o pessoal escolar poderá necessitar de formação sobre tópicos como utilizar as bombas de insulina , medir a glicemia, medir as cetonas , reagir a emergências, ou resolver problemas com a bomba [4].
O risco de complicações como a cetoacidose pode dissuadir a utilização das bombas de insulina . Se ocorrer alguma avaria na bomba de insulina ou se o conjunto de infusão ficar deslocado ou entupido, a cetoacidose pode ocorrer no espaço de 3 a 4 horas, caso o problema não seja resolvido prontamente [5]. Isto ocorre porque a bomba fornece pequenas doses de insulina de ação rápida, pelo que não existe insulina de ação prolongada para compensar [4,5].
A terapêutica com bomba de insulina tem sido associada ao aumento de peso [4], o que pode ser especialmente perturbador para os adolescentes.
Existe o risco de infeções na pele, no local da cânula [4,5]. As infeções no local da infusão são a complicação mais comum associada à terapêutica com bomba de insulina , que pode causar inflamação, dor, vermelhidão e inchaço no local de infusão [5].
As crianças e adolescentes podem não gostar de se sentir amarradas ou “presas” à sua bomba [5].
O custo de uma bomba de insulina e dos consumíveis é mais elevado do que a terapêutica de múltiplas injeções diárias. O custo relativamente elevado de aquisição de uma bomba de insulina e a manutenção de uma terapêutica com bomba pode ser um entrave considerável para muitas famílias [5].
Um dos riscos da utilização da bomba de insulina é a hiperglicemia inexplicável [5]. Isto pode ser causado por eventuais problemas mecânicos, mau funcionamento da bomba ou problemas no local de infusão [5].
É importante que conheça as vantagens e desvantagens da terapêutica com bomba de insulina e que as avalie e discuta com a equipa de cuidados de saúde.
Atualmente, não existe uma idade mínima definida internacionalmente para uma criança usar uma bomba de insulina . Cada fabricante dos dispositivos bombas de Insulina , e consoante cada modelo de equipamento, define a idade mínima para a utilização segura da mesma.
As bombas de insulina são, muitas vezes, disponibilizadas a crianças com menos de sete anos [6]. Muitos estudos apresentam os benefícios na utilização de bombas de insulina , mesmo em crianças ainda muito jovens, demonstrando uma melhoria no controlo glicémico e uma redução na hipoglicemia , em comparação com a terapêutica de múltiplas injeções diárias [1]. As vantagens que as bombas de insulina oferecem na gestão de hábitos alimentares imprevisíveis e requisitos de insulina reduzidos nas crianças, pode fazer da terapêutica com bomba de insulina uma boa opção para muitas crianças com diabetes tipo 1 e para as suas famílias [1].
Contudo, é importante ressalvar que alguns ensaios não apresentaram quaisquer diferenças no controlo glicémico nas crianças com menos de sete anos, ao comparar a terapêutica com bomba de insulina face à terapêutica com múltiplas injeções diárias [1], e que são necessários mais estudos aleatorizados, e outros mais aprofundados, para ser possível compreender perfeitamente as vantagens e desvantagens das bombas de insulina para crianças [6].
De acordo com as orientações clínicas de várias organizações de diabetes em todo o mundo, como a American Diabetes Association, a International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes, ou a Endocrine Society, a terapêutica com bomba de insulina pode ser benéfica para todas as pessoas com diabetes tipo 1, “independentemente da sua idade” [1].
É importante lembrar que a utilização de bombas de insulina em diferentes grupos etários pode apresentar desafios únicos. Poderá abordar as opções mais adequadas para a sua criança com a sua equipa de profissionais de saúde.
Existem muitos outros aspetos importantes a considerar antes de tomar a decisão de obter uma bomba de insulina para a sua criança, em conjunto com o seu médico.
Os estudos revelaram que a terapêutica com bomba apresenta muitas vantagens para as crianças com diabetes tipo 1. Contudo, tal como acontece na escolha de qualquer tratamento, também existem desvantagens na utilização de bombas de insulina para crianças [1,2,4,5,6].
A utilização de uma bomba de insulina vai exigir esforço, empenho e vontade em aprender, especialmente numa fase inicial [2].
Contudo, com educação, dedicação e apoio, as bombas de insulina podem melhorar a qualidade de vida da sua criança [3]. Além disso, a tecnologia das bombas de insulina está a evoluir rapidamente. À medida que mais opções vão sendo introduzidas no mercado, existe uma tendência para que esta terapêutica se torne cada vez mais prática e mais acessível [1].
Se tem diabetes tipo 1 e usa uma bomba de insulina , é provável que queira saber mais sobre este tipo de insulinoterapia e como funciona. Além disso, pode querer ficar a saber mais sobre onde pode usar e aplicar a bomba de insulina no seu corpo.
Este artigo aborda os locais do corpo para aplicação da bomba de insulina , incluindo os locais recomendados para a terapêutica com bomba de insulina , bem como os locais a evitar e factos sobre a rotatividade do local de infusão.
A terapêutica com bomba de insulina recorre a uma bomba de insulina , um pequeno dispositivo eletrónico que liberta continuamente insulina para o seu organismo [1].
A terapêutica com bomba ajuda a manter os níveis de glicemia dentro do intervalo-alvo , mas necessita de ser aplicada no seu corpo, durante a maior parte do tempo, para funcionar corretamente [1].
Existem dois tipos principais de bombas de insulina [1]. Ambas estão ligadas ao seu corpo através de uma cânula , um pequeno tubo que entra na sua pele, no local de infusão [1].
Uma bomba de infusão, ou bomba tradicional, é um dispositivo usado pelo utilizador, que está ligado ao seu corpo através de um tubo fino, macio e flexível que está ligado à sua cânula [1,2]. Em seguida, a insulina entra no organismo através da cânula (na forma de uma pequena agulha de metal ou um cateter de Teflon macio) [2].
É habitual as bombas de infusão integrarem todos os controlos, pelo que podem ser transportadas no cinto, num bolso ou numa tira corporal debaixo das suas roupas [1].
Uma bomba adesiva diferencia-se da bomba de infusão porque não existe tubagem externa visível [1]. A bomba adesiva e a tubagem fazem parte do mesmo dispositivo, com a bomba a assentar diretamente sobre a área onde a insulina entra no seu organismo [1,2]. As bombas adesivas funcionam através de um controlo remoto [1].
Ao contrário das bombas de infusão, as bombas adesivas são descartáveis [1].
Existem vários locais, conhecidos como locais para a bomba de insulina ou locais de infusão da bomba, que podem ser usados para a infusão da insulina com uma bomba [3].
Qualquer parte do corpo que escolher tem de ter uma quantidade considerável de gordura debaixo da pele para permitir a inserção do conjunto de infusão da bomba [3]. Geralmente, é feito o teste “beliscar” para demonstrar a quantidade de gordura necessária [3].
Os locais mais frequentes são o abdómen, zona posterior dos braços, zona exterior das ancas, parte superior das nádegas, zona inferior das costas e região lombar (logo acima da linha de cintura nas partes laterais do corpo) [3].
Ao longo do tempo e com a utilização, vai conhecer os seus locais preferidos.
Conforme já foi referido, para as pessoas que estão a começar a terapêutica com bomba de insulina , o abdómen é o local preferencial [3]. Isto porque é muito mais fácil de ver e de alcançar do que outras áreas [3].
Para as pessoas que sentem dificuldade por os conjuntos caírem ou se deslocarem, a parte superior das nádegas poderá ser a mais indicada [3]. Isto porque esta zona da pele movimenta-se menos do que outras áreas, costuma transpirar menos e a roupa interior justa pode ajudar a manter o conjunto na sua posição [3].
À medida que vai tendo mais experiência, vai percebendo melhor quais os locais ideais para a infusão. Se tem alguma preocupação sobre o local de colocação, deve abordar esta questão com a sua equipa de profissionais de saúde da diabetes.
Algumas sugestões gerais incluem evitar [3]:
Se estiver grávida, ou planeia engravidar, e usa uma bomba de insulina , deve procurar o aconselhamento da sua equipa de profissionais de saúde.
Alguns conselhos gerais na escolha do local para a bomba de insulina durante a gravidez incluem:
A sua equipa de profissionais de saúde poderá aconselhar melhor sobre esta questão.
É recomendável que substitua a sua cânula ou bomba adesiva e local de infusão a cada dois ou três dias [1]. Adotar uma abordagem organizada às alterações do local de infusão pode ajudar a prevenir uma utilização excessiva do local [3].
Uma opção ao selecionar um novo local é continuar a aplicar no mesmo lado do corpo, mas deslocar a sua posição alguns centímetros até a área ficar totalmente abrangida [3].
Nem todas as pessoas fazem a rotatividade dos locais de infusão conforme recomendado [5]. De acordo com um estudo, apenas 74% das pessoas realizavam a rotatividade do local de infusão a cada 2 a 3 dias [5], e 78% alteravam o conjunto de infusão de cada vez [5].
A aplicação excessiva no mesmo local pode originar uma complicação comum no local de infusão denominada lipohipertrofia (LH) [5]. Esta é uma alteração nas células adiposas subcutâneas [5] causando caroços, pontos moles ou espessamento da pele [3].
Pode provocar dificuldades na gestão da sua diabetes, incluindo uma absorção de insulina errática ou imprevisível e gestão anómala da glicemia [5]. Está demonstrado que a redução da lipohipertrofia melhora a gestão da glicemia [5].
A infusão de insulina também pode aumentar o risco de infeção bacteriana face às injeções de insulina [2]. Com uma bomba de insulina , o conjunto de infusão fica colocado durante vários dias [2]. A atmosfera quente e húmida que se forma debaixo do adesivo do conjunto pode ser o ambiente ideal para o desenvolvimento de bactérias [2]. Por este motivo, recomenda-se que o novo local seja desinfetado antes da colocação da nova cânula [2].
Quando está a iniciar a terapêutica com bomba de insulina , um dos aspetos que deverá abordar com a sua equipa de profissionais de saúde é quando deve alterar o local da sua bomba.
Deixamos algumas orientações gerais sobre quando alterar o seu local de infusão [3]:
Embora a vida possa ser agitada, deixamos algumas sugestões que podem ajudar a relembrar a alteração do local de infusão [3]:
O local do corpo para a bomba de insulina ou para a infusão é uma parte importante da sua terapêutica com bomba de insulina , seja para as bombas de infusão ou adesivas [1,2].
Existem algumas sugestões simples que podem ajudar na escolha do novo local [3] e quando proceder à sua alteração [3]. A sua equipa de profissionais de saúde poderá ajudar a ensinar-lhe como alterar o seu local de infusão e esclarecer as dúvidas que possa ter sobre a terapêutica com a bomba.
Se recebeu recentemente um diagnóstico de diabetes, poderá não conhecer as diferentes formas que lhe permitem gerir a doença como, por exemplo, a terapêutica com bomba de insulina ou as injeções diárias. Poderá ter curiosidade em conhecer a diferença entre as opções que tem ao seu dispor e saber qual é a mais indicada para si, sobretudo quando se trata das terapêuticas mais populares na diabetes: bombas de insulina vs. injeções.
Independentemente de ter diabetes tipo 1 há algum tempo ou de ter recebido recentemente um diagnóstico de diabetes, poderá ser útil conhecer as diferenças entre a terapêutica com bomba de insulina e as injeções diárias.
Neste artigo, vamos explorar as vantagens e desvantagens destes tratamentos para ajudar a conhecer as suas opções e encontrar a forma mais adequada para gerir a diabetes no seu dia a dia.
A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas que ajuda o seu organismo a regular os níveis de glicose (açúcar no sangue). A glicose é depois utilizada para criar energia [1]. Se tem diabetes tipo 1, o seu pâncreas não consegue criar insulina suficiente ou não consegue criar insulina de todo [1,2].
A insulinoterapia é utilizada para manter os níveis de glicose estáveis no organismo e gerir a diabetes [1]. Os estudos demonstram que a insulinoterapia intensiva permite uma boa gestão da glicemia [1,3]. Isto pode ajudar a prevenir as complicações associadas à diabetes, incluindo retinopatia , neuropatia , nefropatia e doença cardiovascular e a ter uma boa qualidade de vida com diabetes [1,3]. Mas qual é a forma mais adequada para administrar a insulina de que precisa?
A insulinoterapia oferece algumas opções. Tradicionalmente, a insulinoterapia para a diabetes tem consistido em injeções diárias de insulina [1]. As atividades diárias das pessoas que utilizam o tratamento com injeções, têm de ser adaptadas em função das injeções de insulina e têm de seguir uma estrutura rigorosa de refeições [1].
No entanto, as bombas de insulina são outro tratamento que, até há pouco tempo, tem evoluído rapidamente para permitir a administração de doses regulares de insulina de ação rápida que simula de forma mais aproximada a secreção natural de insulina [3]. Isto permite aos pacientes uma gestão rigorosa da glicemia e, ao mesmo tempo, minimizar o risco de hipoglicemia [3].
As injeções diárias são uma forma de gerir a diabetes através da administração de duas ou mais injeções de insulina diariamente [4]. Pode utilizar um dos dois tipos de tratamento com insulina , consoante as suas necessidades em termos da doença, o seu estilo de vida e as suas preferências. Pode optar entre múltiplas injeções diárias (MID) ou uma mistura de insulinas duas vezes por dia [4]. Existem diferentes tipos de insulina que se caracterizam pela sua taxa de início da ação e a duração da ação [1].
O regime de múltiplas injeções diárias (MID) é o preferido de todos os adultos com diabetes tipo 1, de acordo com o NICE [4]. Também conhecido como o regime basal-bólus, consiste na injeção de dois tipos de insulina , a insulina de ação prolongada e a insulina de ação rápida, através de múltiplas injeções diárias [4].
Geralmente, administra insulina de ação prolongada ou insulina de ação intermédia (conhecida como “basal”) duas vezes por dia [4]. Esta insulina basal simula a secreção de fundo da insulina pelo pâncreas entre as refeições [4]. Também injeta insulina de ação rápida (conhecida como “bólus”) antes de comer, cerca de 10 a 15 minutos antes de uma refeição [4]. Estas injeções com bólus de ação rápida ajudam o seu organismo a processar os hidratos de carbono e a prevenir picos de glicose após as refeições. Geralmente, são administradas três vezes por dia com as refeições principais [4].
O regime misto é também conhecido como bifásico ou injeções de insulina duas vezes por dia. Este regime pode incluir a injeção de uma mistura de insulina de ação curta e de ação intermédia, duas vezes por dia, antes do pequeno-almoço e jantar [4].
O regime de MID não é adequado a todas as pessoas, pelo que, por vezes, é recomendado o regime de duas injeções por dia [4].
Caberá ao seu médico e equipa de cuidados da Diabetes encontrar a solução mais adequada para si consoante as suas necessidades, o seu estilo de vida e as suas preferências.
A terapêutica com bomba de insulina (também conhecida como infusão contínua de insulina por via subcutânea ou CSII) utiliza um pequeno dispositivo para administrar a insulina de ação rápida sob a sua pele 24 horas por dia [3]. A insulina é administrada através de uma cânula fina, inserida sob a pele e mantida em posição com adesivo [3]. Este dispositivo administra um fluxo contínuo de insulina basal e permite-lhe adicionar bólus de insulina quando come [3].
As bombas de insulina replicam de forma mais aproximada a produção natural de insulina pelo organismo, ajudando a estabilizar os níveis de glicemia e a melhorar a qualidade de vida [3].
As bombas de insulina permitem uma administração mais precisa da dose de insulina , uma melhor gestão da glicose e um estilo de vida mais flexível [3]. Os especialistas em diabetes descreveram-nas como um dos mais importantes desenvolvimentos no tratamento da diabetes dos últimos cinquenta anos [3].
Apesar de as bombas serem utilizadas por uma minoria de pessoas com diabetes, a terapêutica com bomba de insulina continua a aumentar, sobretudo em crianças e jovens [2].
Se tem diabetes tipo 1, poderá ser-lhe oferecida a opção de utilizar uma bomba de insulina ou de utilizar múltiplas injeções diárias. A escolha entre as duas pode ser difícil, sobretudo se não tiver informação suficiente acerca destes tratamentos. Assim, é útil conhecer as vantagens e desvantagens de ambas as opções.
Abaixo, encontrará algumas das principais vantagens e desvantagens em utilizar uma bomba de insulina , o que pode ajudar a decidir entre a utilização da mesma e a utilização de MID.
Eis algumas vantagens da utilização de bombas de insulina :
A bomba de insulina pode permitir uma maior eficácia na estabilização da sua glicemia e na gestão da diabetes do que as múltiplas injeções diárias. Uma revisão de estudos de investigação sobre a terapêutica com bombas de insulina constatou que as bombas reduzem os valores de HbA1c (os seus níveis médios de glicemia nos últimos dois ou três meses), sobretudo quando estes níveis eram elevados no início do estudo, em adultos, crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 [1].
Abaixo, encontram-se algumas das desvantagens de utilizar as bombas de insulina e os motivos pelos quais poderá preferir as injeções diárias:
Na escolha entre bombas de insulina vs. injeções, o importante é encontrar o tratamento ideal para si. Caberá ao seu médico e equipa de cuidados da Diabetes encontrar a solução mais adequada para si consoante as suas necessidades, o seu estilo de vida e as suas preferências.
As bombas de insulina oferecem muitos benefícios comparativamente às injeções diárias, sobretudo em termos da qualidade de vida. Os estudos demonstram igualmente que as bombas oferecem uma melhor gestão dos níveis de glicemia , o que resulta em menos sintomas e complicações associados à diabetes [1,2,3,5].
No entanto, a utilização de um dispositivo médico, como é o caso da bomba, não é adequada a todas as pessoas. A programação da bomba pode ser desafiante e pode levar algum tempo até aprender a utilizá-la sem dificuldade. Alguns utilizadores também têm problemas em utilizar a bomba ligada ao corpo, entre eles: desconforto, o dispositivo prende-se na roupa, infeções ou reações alérgicas [1,3].
Na tomada de decisão quanto ao tratamento mais adequado para si, é fundamental falar com o seu médico e equipa de profissionais de saúde, bem como com a sua família. Eles ajudá-lo-ão a comparar o impacto de ambas as opções no seu bem-estar, funcionamento diário e saúde futura [6] e o seu médico aconselhará quanto à melhor opção para si.
Mesmo que a escola da sua criança já tenha vários alunos com diabetes, é muito provável que, consoante a sua idade, temperamento e nível de independência, tenha as suas necessidades específicas de cuidados e tratamento [1,2]. Por este motivo, as várias orientações da prática clínica recomendam que elabore um plano de cuidados individual [1,2,3].
O plano de cuidados individual é um documento que descreve as necessidades específicas da sua criança para a gestão da diabetes na escola. Pode redigir este documento com a ajuda do médico [1,2,3] e deverá incluir:
Um conselho importante que deverá adotar é falar com os colaboradores da escola, para fornecer todas as informações de que necessitam para ajudar a sua criança a gerir a sua diabetes desde o primeiro dia de escola [2,3].
Por isso, antes de começarem as aulas, poderá ser boa ideia agendar uma reunião com a direção, professores, auxiliares e, eventualmente, outras pessoas que interajam com a sua criança durante o ano letivo [1,2].
Poderá ser útil recorrer a esta reunião para explicar, ou voltar a explicar, a todo o pessoal envolvido o que é a diabetes, o que implica a sua gestão e o que pode ser feito para ajudar [1,2,3,4]:
Nesta reunião terá ainda a oportunidade de rever o plano de cuidados individual que preparou previamente [1,2].
Outra recomendação decorrente das orientações clínicas é garantir que a sua criança tem sempre os seguintes elementos na escola:
Por fim, para garantir que o ano letivo decorre de forma tão tranquila quanto possível, é importante falar regularmente com o pessoal da escola. A escola deve informar sobre quaisquer alterações no horário da sua criança (p. ex., atividades desportivas específicas ou refeições especiais) e níveis de glicemia , para que possa ajustar o tratamento da sua criança e otimizar o controlo da glicemia [1,2,3].
Se a sua criança foi recentemente diagnosticada com diabetes, a medição e manutenção dos níveis-alvo de glicemia irá ajudar a reduzir os riscos a longo prazo associados à diabetes [1]. Mas qual é o intervalo-alvo para as crianças com diabetes, e quais são alguns dos fatores que o influenciam?
Neste artigo, recorremos a orientações de organizações internacionais de diabetes para fornecer uma tabela com os níveis de glicemia em crianças com diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2 .
No entanto, a tabela é apenas uma orientação, uma vez que os intervalos-alvo da glicemia variam consoante as crianças [1,2,3].
Se a sua criança tem diabetes, é importante monitorizar os seus níveis de glicemia para suporte do seu desenvolvimento cognitivo, saúde e bem-estar em geral [2,4,5].
A glicemia (ou glicose no sangue, ou açúcar no sangue) é a principal fonte de energia do organismo [5]. Os níveis de glicemia aumentam quando ingerimos alimentos e baixam quando não comemos [5]. Quando estamos em jejum, o nosso fígado aumenta a produção de glicose (açúcar) através de um processo próprio, de forma a manter os níveis de glicemia estáveis [5].
Em ambas as situações, a hormona insulina é necessária para os nossos músculos e tecidos adiposos (mais conhecidos como gordura corporal) absorverem a glicose e, com base nisso, obter energia [5]. Desta forma, os problemas com insulina podem levar a hiperglicemia , ou níveis de glicemia muito elevados, uma das principais características da diabetes [5].
Na diabetes tipo 1, as células pancreáticas responsáveis por produzir insulina não funcionam corretamente, pelo que não conseguem segregar insulina em quantidade suficiente [5].
Na diabetes tipo 2 , a resistência à insulina impede a absorção da glicose pelos músculos e gordura corporal [5].
A manutenção de níveis de glicemia através do controlo glicémico é fundamental para a saúde das pessoas com diabetes [5].
O controlo glicémico ajuda a evitar complicações da diabetes, como [5]:
A glicemia não controlada pode também resultar em perturbações psicológicas, como a depressão e défice da função cognitiva [5].
A manutenção de um controlo rigoroso da glicemia é muito importante nas crianças. Nas crianças e adolescentes, a diabetes tipo 1 tem sido associada a efeitos negativos no desenvolvimento do cérebro e na função cognitiva [2].
Isto ocorre devido a complicações da diabetes tipo 1, como a cetoacidose diabética, hipoglicemia grave em crianças com menos de seis anos, ou hiperglicemia crónica [2]. A glicemia é a fonte de energia “preferida” do cérebro, pelo que é essencial manter níveis ótimos de glicemia para a saúde e função cognitivas [5].
A monitorização e o controlo da glicemia ajudam a:
A medição e manutenção dos níveis de glicemia podem ajudar a minimizar o risco de complicações a longo prazo em crianças e jovens adultos com diabetes tipo 1 ou tipo 2 [1].
Abaixo, encontrará as orientações estabelecidas pelo National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) do Reino Unido, pela International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes (ISPAD), e pela American Diabetes Association (ADA).
No entanto, o intervalo-alvo de glicemia específico da sua criança será estabelecido por si e pela sua equipa de profissionais de saúde [1,2,3].
Os seguintes fatores podem afetar os níveis-alvo individuais [1]:
A sua equipa de cuidados da diabetes irá colaborar consigo e aconselhar sobre os níveis-alvo da glicemia para a sua criança.
|
Organização |
Tipo 1 Antes das refeições |
Tipo 1 Após as refeições |
Tipo 1 Deitar |
Tipo 1 HbA1c |
Tipo 2 HbA1c |
|
NICE |
4,0-7,0 mmol/l (70-126 mg/dl) [1,4] |
5,0-9,0 mmol/l (90-162 mg/dl) [1,4] |
4,0-7,0 mmol/l (70-126 mg/dl) [1,4] |
≤48 mmol/mol (≤6,5%) [1,4] |
≤48 mmol/mol (6,5%) [1] |
|
ISPAD |
4,0-7,0 mmol/l (70-130 mg/dl) [4] |
5,0-10,0 mmol/l (90-180 mg/dl) [4] |
4,4-7,8 mmol/l (80-162 mg/dl) [4] |
<53 mmol/mol (<7%) [4] |
<47,5 mmol/mol (<7,0%) [6] |
|
ADA |
5,0-7,2 mmol/l (90-130 mg/dl) [2,4] |
N/A [2,4] |
5,0-8,3 mmol/l (90-150 mg/dl) [2,4] |
<53 mmol/mol (<7%) [2,3] |
53 mmol/mol (<7%) [2,3] |
As orientações da ADA de 2022 também indicam, a título de recomendação geral, que os níveis de glicemia antes do exercício físico devem ser de 7,0–10,0 mmol/l (126–180 mg/dl) [3]. O tipo, a intensidade e a duração da atividade física devem ser tidos em conta ao determinar os níveis-alvo individuais antes do exercício [3].
As mesmas orientações também indicam que podem ser definidos objetivos menos rigorosos, como um nível de HbA1c de 58 mmol/mol (<7,5%), em função de vários fatores. Por exemplo, se a sua criança é demasiado pequena para articular sintomas de hipoglicemia, tem insensibilidade à hipoglicemia, ou não consegue medir a glicemia regularmente, entre outros [3].
Um objetivo ainda mais permissivo de HbA1c de 64 mmol/mol (<8%) pode ser aceitável se a criança tiver historial de hipoglicemia grave ou se os riscos associados ao tratamento compensarem os danos [3].
Em contrapartida, os profissionais de saúde poderão definir um nível-alvo de HbA1c inferior, 48 mmol/mol (<6,5%), caso este valor possa ser atingido sem risco de hipoglicemia grave [3].
Em 2014, a ADA decompôs os níveis-alvo glicémicos das crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 por grupo etário [7]. Abaixo, encontrará a lista da ADA relativa aos níveis de glicemia em crianças distribuídos por idades.
|
Grupo etário |
Tempo/tipo de teste de glicemia: Antes das refeições |
Tempo/tipo de teste de glicemia: Deitar |
Tempo/tipo de teste de glicemia: HbA1c |
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Bebés e crianças em idade pré-escolar (0–6) |
100–180 (mg/dl) |
110–200 (mg/dl) |
<8,5% |
|
Crianças em idade escolar (6–12) |
90–180 (mg/dl) |
100–180 (mg/dl) |
<8% |
|
Adolescentes e jovens adultos (13–19) |
90–130 (mg/dl) |
90–150 (mg/dl) |
<7,5% |
Adaptado da ADA, Standards of Care in Diabetes, 2014. Diabetes Care 1 de janeiro de 2014
Existem vários fatores que podem afetar a glicemia levando a picos ou a descidas nos valores. Nas crianças com diabetes, estas subidas e descidas podem resultar em episódios de hipoglicemia e hiperglicemia , respetivamente [8,9].
Quando os níveis de glicemia no organismo são inferiores ao normal, uma criança tem hipoglicemia [9]. Numa criança com diabetes, a sua glicemia pode baixar devido a (entre outros) [8,9]:
A hiperglicemia , ou seja, ter demasiada glicose no sangue, pode ocorrer em crianças em resultado de [9]:
Se a sua criança tem diabetes, a monitorização e manutenção dos seus níveis de glicemia é importante para a sua saúde e bem-estar em geral [2,4].
As orientações indicadas nas tabelas acima dão uma ideia aproximada dos níveis-alvo de glicemia. No entanto, estes intervalos-alvo variam em função do tipo e tempo de teste da diabetes, como ilustrado na tabela com os níveis de glicemia .
Além disso, outros fatores como a idade, o historial médico, as refeições e o exercício físico, podem afetar os intervalos-alvo da sua criança [1,3,7].
A colaboração com a equipa de cuidados da diabetes da sua criança ajudará a estabelecer níveis-alvo glicémicos individualizados para a sua criança [1,2,3].
Se recebeu recentemente um diagnóstico de diabetes, é possível que se esteja a deparar com vários conceitos novos que tem de aprender e perceber. Um destes conceitos é o intervalo-alvo da sua glicemia.
Neste artigo, iremos abordar o motivo pelo qual é importante manter os níveis-alvo de glicemia [1,2] e daremos algumas sugestões sobre como poderá manter o seu intervalo-alvo .
Pode parecer complicado tentar manter os seus níveis de glicemia num intervalo definido, realizar vários testes e fazer um cálculo cuidado das doses, mas estes procedimentos são muito importantes [1].
Se tem diabetes tipo 1, terá de utilizar a insulina para gerir os seus níveis de glicemia [1]. A gestão intensiva da insulina é necessária para um controlo otimizado da glicemia [1].
A gestão cuidada da sua glicemia, mantendo-a no seu intervalo-alvo , ajudará a prevenir complicações a curto e a longo prazo [1].
A manutenção dos valores no intervalo-alvo permite ainda melhorar a sua energia e disposição [2].
Abaixo, encontrará algumas sugestões para ajudar a manter os seus níveis-alvo de glicemia.
É importante tentar e manter a sua glicemia no intervalo-alvo durante o máximo tempo possível [2]. Isto pode ajudar a prevenir ou adiar algumas complicações a curto e longo prazo da diabetes, incluindo doenças oculares, cardíacas e renais [2].
Os intervalos-alvo variam de pessoa para pessoa, e podem depender de vários fatores, incluindo a sua idade e quaisquer outros problemas de saúde que possa ter [2].
A decisão quanto ao intervalo-alvo mais indicado para si fará parte da conversa que terá com a sua equipa de profissionais de saúde [2].
É importante ter uma rotina regular para a gestão da sua diabetes. Existem evidências de que alguns adolescentes não medem regularmente a sua glicemia [3], e esquecem-se de administrar 25% das suas injeções de insulina [3].
A frequência com que mede os seus níveis de glicemia irá depender de diversos fatores [2]. Os momentos comuns para medir a glicemia podem incluir [2]:
Em determinadas circunstâncias, a sua equipa de profissionais de saúde poderá sugerir a medição da sua glicemia mais regularmente [2]. Este pode ser o caso se tiver vários episódios de glicemia baixa ( hipoglicemia ) [2].
É necessário verificar o seu nível de glicemia para garantir que está a administrar a dose correta de insulina [1].
Atualmente, é mais fácil manter um registo da sua glicemia utilizando medidores de glicemia e sistemas de monitorização contínua da glicose (MCG) [1]. Estes dispositivos para a diabetes dispõem de um processo automático de registo de dados, como os níveis de glicemia , os equivalentes de hidratos de carbono e as doses de insulina , o que permite a disponibilização mais rápida dos dados [1].
Perceber como os seus níveis de glicemia mudam ao longo do tempo permite-lhe estar totalmente informado e discutir as suas necessidades com a sua equipa de profissionais de saúde.
A prática de exercício é muito importante para as pessoas com diabetes tipo 1 [4].
Existem vários benefícios para a prática de exercício físico por pessoas com diabetes [4]. Está demonstrado que melhora a sensibilidade à insulina , reduz os fatores de risco de doenças cardíacas e dos vasos sanguíneos (cardiovasculares) e melhora a qualidade de vida [4].
As orientações sugerem que deve tentar praticar, pelo menos, 150 minutos de exercício moderado a intenso, distribuídos ao longo de três dias, no mínimo, com pelo menos duas sessões de exercício de resistência por semana [4].
Está demonstrado que uma grande percentagem de pessoas com diabetes tipo 1 não cumprem o recomendado nestas orientações [4].
Foram identificados diversos obstáculos que podem levar as pessoas a não praticar exercício físico, incluindo receio de episódios de hipoglicemia , falta de tempo, mau tempo e pressões profissionais [4].
Se gostaria de praticar mais exercício do que aquele que pratica, fale sobre isso com a sua equipa de profissionais de saúde para perceber se existe uma forma para ajudar a atingir os seus objetivos.
A saúde mental afeta muitos aspetos da vida diária, incluindo a forma como pensa e sente, como gere o stress e como toma decisões [5]. Pode também fazer com que seja mais difícil cumprir um plano de assistência para a diabetes [5].
Os problemas associados à diabetes também podem agravar a saúde mental [5]. Os jovens com diabetes têm um maior risco de ter problemas de saúde mental, como depressão [6]. Muitas vezes, estes problemas de saúde mental são subdiagnosticados [6].
Os problemas de saúde mental que podem ocorrer em pessoas com diabetes incluem depressão, stress, ansiedade e angústia associados à gestão da diabetes [5]. Os problemas de saúde mental que não são tratados podem dificultar ainda mais a gestão da diabetes [5].
Se sentir dificuldades ao nível da sua saúde mental, não pense que não precisa de ajuda para lidar com a situação. Existem muitas formas de obter apoio e que poderão ser indicadas pela sua equipa de profissionais de saúde [5].
Uma alimentação saudável é essencial para manter uma boa gestão da glicemia [7].
Aprender a contar ou estimar os hidratos de carbono das suas refeições permite-lhe ajustar as doses de insulina para manter a glicemia no seu intervalo-alvo [7]. A este processo dá-se o nome de contagem de hidratos de carbono.
Existem também algumas outras coisas que pode fazer para adotar uma alimentação saudável e manter os seus níveis-alvo de glicemia [2]:
Embora nem sempre seja fácil manter a motivação e seguir as orientações alimentares, a alimentação e nutrição saudáveis são uma ferramenta importante para gerir os níveis de glicemia [7].
Contudo, isto não significa que tenha de mudar drasticamente a sua dieta. Normalmente, pode ser desenvolvido um regime de insulina adequado para si, adaptado à sua rotina de refeições e de alimentos preferidos [7]. As alterações no seu estilo de vida podem também ajudar a incorporar o seu regime de insulina na sua dieta preferida e nas suas rotinas de exercício [7]. A sua equipa de cuidados da diabetes ajudará nesta adaptação.
A autogestão da diabetes pode ser um processo complexo [8]. No entanto, é importante. Estima-se que 95% dos cuidados da diabetes são autogestão [8].
Esta complexidade pode levar a uma fraca gestão da glicemia [8].
Os programas de educação em diabetes da sua equipa de profissionais de saúde podem ajudar neste processo, e são normalmente disponibilizados quando a doença é diagnosticada e em vários outros momentos ao longo da sua jornada da diabetes [8].
Se sentir dificuldade na autogestão, poderá ser útil frequentar um programa de educação intensivo. Um estudo demonstrou que um programa de 6 meses com um enfermeiro formador proporcionou uma melhoria significativa em termos da gestão da glicemia a longo prazo [3].
A gestão da diabetes pode ser um processo complexo, mas existem vários passos simples que pode seguir para lhe dar todas as hipóteses de gerir corretamente a sua diabetes [1,2,3,4,7,8].
A sua equipa de profissionais de saúde poderá prestar mais informações e apoio para mais facilmente ajudar a manter a sua glicemia no intervalo-alvo .
As mulheres com diabetes tipo 1 podem recorrer a diversas tecnologias para gerir a sua diabetes antes, durante e após a gravidez [1]. Uma destas tecnologias para a diabetes é a terapêutica com bomba de insulina [1].
Ter diabetes e estar grávida são situações que apresentam alguns desafios [2], pelo que, cada vez mais, as pessoas recorrem a tecnologias como bombas de insulina para enfrentar estes desafios [1,2].
Mas o que precisa de saber sobre a utilização de uma bomba de insulina durante a gravidez? E quais são os riscos e benefícios da tecnologia da bomba de insulina durante a gravidez?
Neste artigo, apresentamos algumas respostas a estas perguntas. Também fornecemos informação que pode ajudar a conhecer melhor a utilização de uma bomba de insulina e recomendações de uso a ter em conta antes, durante e após a gravidez.
A gestão da glicemia durante a gravidez é difícil devido a vários fatores como as grandes variações nas necessidades de insulina , devido às constantes alterações hormonais [2].
Se tem diabetes e está a planear engravidar, deve ter alguns aspetos em atenção:
os níveis-alvo de glicemia serão mais apertados (rigorosos) durante a gravidez do que fora da gravidez [3].
A hiperglicemia durante a gravidez apresenta riscos para o feto e aumenta o risco de parto prematuro e complicações neonatais; se desenvolver níveis de glicemia elevados, será fundamental reagir prontamente [3].
Devido às constantes alterações hormonais durante a gravidez, as suas necessidades de insulina irão flutuar e variar bastante [2], quer durante a gravidez como após o parto [3]. Por exemplo, no início da gravidez, aumenta a sensibilidade à insulina [1]. Contudo, à medida que a gravidez evolui, a resistência à insulina aumenta [1].
O risco de hipoglicemia na mãe é maior durante a gravidez, em especial no final do primeiro trimestre e início do segundo, bem como após o parto. [3]. Cerca de 10% das mulheres com diabetes dão entrada no hospital, pelo menos, uma vez durante a gravidez devido a hipoglicemia [3]. Isto resulta das necessidades do feto, que reduz os níveis de glicemia da mãe [2].
Durante a gravidez, existe maior risco de cetoacidose diabética [3]. Isto porque a gravidez é um estado cetogénico [3] (um estado metabólico em que o sangue regista uma elevada concentração de cetonas ).
Náuseas, vómitos e falta de apetite podem tornar a gravidez mais desafiante para uma pessoa com diabetes tipo 1 [1].
O objetivo da terapêutica de insulina durante a gravidez é conseguir um nível de glicemia semelhante ao das mulheres grávidas sem diabetes e com tolerância normal à glicose [2], o que pode ajudar a reduzir alguns dos riscos mencionados acima [2].
Uma bomba de insulina é um pequeno dispositivo eletrónico que fornece continuamente insulina de ação rápida ao organismo [4].
É frequente a insulina ser fornecida através de um pequeno cateter introduzido no tecido subcutâneo e fixado na pele com um adesivo [4]. O local onde o cateter é introduzido sob a pele é denominado conjunto de infusão ou uma cânula de infusão [4].
Na maioria das bombas, o conjunto de infusão é ligado à bomba, que contém um reservatório de insulina , através de uma tubagem de plástico [4]. As bombas incluem ainda uma interface que lhe permite dar instruções ao dispositivo [1].
Algumas bombas, denominadas como “bombas adesivas”, dispensam a tubagem e são coladas diretamente na pele [4]. Estas bombas fornecem a insulina através do conjunto de infusão e são programadas a partir de um dispositivo portátil e remoto, com recurso à tecnologia sem fios [4].
As bombas de insulina também são denominadas de infusão contínua de insulina por via subcutânea (CSII) [1,4].
De forma simples, sim. A utilização da bomba de insulina está a ganhar popularidade durante a gravidez, porque replica de forma mais aproximada o fornecimento de insulina de um pâncreas humano saudável [2].
Existem múltiplas orientações que também recomendam a utilização da bomba de insulina durante a gravidez, para gerir os níveis de glicemia [2].
Diversas associações de diabetes e organismos governamentais aprovam a utilização de bombas de insulina durante a gravidez [1,2].
Os dados de elevada qualidade sobre ensaios com terapêutica CSII durante a gravidez são limitados [1]. Contudo, os estudos existentes sugerem que as bombas de insulina apresentam os seguintes benefícios e riscos.
Abaixo são apresentadas algumas vantagens e benefícios da terapêutica com bomba de insulina durante a gravidez:
Melhoria na HbA1c [2]
Redução dos episódios hipoglicémicos [2]
Redução das flutuações na glicemia [2]
Redução no número total diário de doses de insulina [2]
Melhoria da qualidade de vida (QdV) [2]
Grande flexibilidade do estilo de vida, especialmente, em termos de horários de refeições e viagens [2]
Tratamento mais fácil dos enjoos matinais [2]
A flexibilidade no fornecimento de insulina através das bombas pode ajudar a conseguir manter os níveis-alvo mais rigorosos de glicemia, apesar da crescente resistência à insulina ao longo da gravidez [1]. A terapêutica com bomba permite um ajuste mais preciso das doses de insulina (até um décimo da unidade de insulina ) [1].
Não existem ensaios controlados aleatorizados que comparem as terapêuticas com CSII modernas e MID (múltiplas injeções diárias) na pré-gravidez ou gravidez estabelecida [3]. Contudo, estudos observacionais recentes (embora com limitações) registaram níveis de glicemia inferiores com CSII, comparativamente à terapêutica com MID, no primeiro e segundo trimestres da gravidez [1,2,3].
Os riscos e desvantagens das bombas de insulina incluem:
o custo das bombas de insulina e do equipamento associado é elevado [2]
as bombas de insulina podem resultar em aumento de peso [2]
risco de infeção se a cânula não for substituída conforme recomendado [2]
risco de cetoacidose se o fornecimento de insulina for interrompido [2]
utilização imprópria de bólus pode originar acumulação de insulina e glicemia baixa [2]
falha da bomba ou do utilizador em fornecer insulina adequadamente pode resultar em hiperglicemia ou cetoacidose [1]
A cetoacidose é uma ameaça especialmente para o feto [1]. Em caso de avaria da bomba (ou em caso de doença), é necessário seguir as regras dos dias de doença [1].
Alguns estudos identificaram taxas de aborto espontâneo mais elevadas entre as utilizadoras de bombas de insulina [3]. Contudo, isto pode resultar do facto de as utilizadoras da bomba planearem os seus cuidados de gravidez mais cedo, o que pode originar um registo mais preciso de abortos espontâneos [3].
Também foi registada uma maior incidência de bebés grandes para a sua idade gestacional nas mulheres que usavam terapêutica com bomba de insulina , comparativamente à terapêutica com MID [3].
Quando planeia a sua gravidez, a sua equipa de profissionais de saúde deve fornecer-lhe todas as informações necessárias para iniciar a sua terapêutica com bomba de insulina .
Deve abordar a questão com o seu médico, um enfermeiro especialista ou dietista da sua equipa:
Como manter uma boa gestão da glicemia se estiver a transitar da terapêutica com MID para a bomba [3]
Como ajustar as definições da bomba de insulina ao longo da gravidez, em função das suas necessidades [3]
Como alterar as definições após o parto [1]
O que fazer no caso de uma hiperglicemia inexplicável [3]
É importante estar preparada caso ocorra uma falha no conjunto de infusão ou na bomba, para evitar a hiperglicemia e cetoacidose , que se podem desenvolver no espaço de horas [3]. Deve estar preparada com canetas de insulina de reserva (tanto com insulina de ação prolongada como de ação rápida) [3].
Nos primeiros dias depois de começar a CSII durante a gravidez, é importante monitorizar os níveis de glicemia e contactar a sua equipa de profissionais de saúde diariamente [3]. Deve ajustar as definições da sua bomba a cada 1 a 2 dias até ficar otimizada [3].
Se, junto com o seu médico, optar por usar uma bomba de insulina durante a gravidez, precisa de ter em atenção que os requisitos de insulina vão variar bastante ao longo da gravidez, pelo que terá de rever as definições da bomba com frequência [3].
Por exemplo, poderá necessitar de menos insulina no primeiro trimestre [3]. Contudo, a necessidade vai aumentar a partir das 16 a 20 semanas [3].
Terá de ajustar proporcionalmente as doses de bólus de insulina . Os requisitos de bólus de insulina irão sofrer mais alterações do que a insulina basal durante a gravidez [3].
Poderá também necessitar de definir todos os seus níveis-alvo de glicemia [3].
Geralmente, as regras de utilização da terapêutica com bomba de insulina nos dias de doença durante a gravidez são idênticas às situações em que ocorrem fora da gravidez [3].
Contudo, como as mulheres com diabetes têm maior risco de desenvolver cetoacidose diabética (DKA) quando estão grávidas [3], devem rever com o seu médico os valores dos níveis de cetonas a considerar para aumentar a dose de insulina e quais os valores que devem ser considerados como sinal de alarme para procurar serviços médicos de urgência [3].
De uma forma geral, se usar uma bomba de insulina durante a gravidez, o local de infusão deve ser alterado a cada 24 a 48 horas para ajudar na redução do risco de bloqueios (e, consequentemente, níveis de glicemia elevados) e evitar infeções na pele ou problemas na absorção da insulina [2].
Se a sua cânula estiver bloqueada, torcida ou deslocada, pode recorrer a uma injeção subcutânea para prevenir ou corrigir a hiperglicemia enquanto substitui a cânula [1].
Se esta situação não corrigir os seus níveis de glicemia , deve adotar as regras para os dias de doença [1] e monitorizar os seus níveis de cetonas no sangue [1]. Poderá ter de recorrer, temporariamente, à utilização de MID ou perfusão de insulina intravenosa em lugar da bomba [1].
Se planear usar a sua bomba de insulina durante o parto, os seus níveis de glicemia devem ser cuidadosamente monitorizados [1]. Será necessário realizar ajustes no seu débito basal de insulina ou doses adicionais de bólus de correção [1].
Se a bomba não gerir os níveis de glicemia de forma adequada, podem ser usadas perfusões intravenosas de insulina enquanto a bomba está temporariamente descontinuada [1].
Imediatamente após o parto, a resistência à insulina desaparece [1]. As definições da bomba e a dose de insulina devem ser alteradas para refletir esta situação [1].
Geralmente, as definições após a gravidez serão idênticas às utilizadas antes da gravidez [1]. Contudo, as mulheres estão sujeitas a um maior risco de hipoglicemia até vários dias após o parto [3], por isso, deverá ser revisto o débito basal junto com o seu médico, para prevenir a hipoglicemia [1].
É recomendável a definição de um nível-alvo de glicemia específico para a primeira semana após o parto [3].
As bombas de insulina podem ser usadas durante a gravidez e apresentam muitos benefícios [1,2].
Contudo, também deve ter em consideração alguns riscos [2]. Se optar por esta tecnologia durante a gravidez, vai exigir empenho e cuidado para garantir os melhores resultados possíveis para a sua saúde e para a saúde do seu bebé [3].